Os jornalistas e as pessoas com deficiência: uma relação que precisa mudar, dos dois lados

“Acessibilidade aos meios de comunicação” foi o primeiro tema tratado na tarde desta quarta-feira (27), no terceiro painel do seminário "Mídia e Deficiência – Qual o papel da comunicação no processo de inclusão?", realizado no Teatro Dante Barone. O evento integra o programa Assembleia Inclusiva e é promovido pelo grupo de trabalho da Assembleia Legislativa que debate o tema da inclusão, formado por servidores da Escola do Legislativo Deputado Romildo Bolzan, da Superintendência de Comunicação Social, do Departamento de Gestão de Pessoas e do Fórum Democrático.

Sob a mediação do chefe de gabinete da Faders, Jorge Amaro Borges, compuseram a mesa dos debates a coordenadora do Projeto Assembleia Inclusiva, Juliana Carvalho, o representante da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), Roger Limeira Prestes, a jornalista e uma das sócias da Pauta Assessoria, Lelei Teixeira, a coordenadora de produção da Zero Hora e o coordenador do curso de jornalismo da Ulbra, Deivison Campos.

O painel foi iniciado com a exibição de um vídeo do programa Faça a Diferença, atração da TV Assembleia, idealizado e produzido por Juliana Carvalho, sobre a técnica da audiodescrição. Por meio do recurso, os cegos e deficientes visuais podem receber, na íntegra, a informação contida na imagem ao mesmo tempo em que ela aparece na tela.

Segundo Juliana, desde 2010, uma portaria do Ministério das Comunicações obriga as emissoras a oferecer audiodescrição em duas horas de programação por semana. No prazo de 120 meses, toda a programação deverá contar com o recurso. Ao lado da audiodescrição, conforme Juliana, é fundamental também a oferta ao público da legenda e da janela para o intérprete de libras, voltada aos que não sabem ler. “70% das pessoas surdas não entendem português ou são crianças não alfabetizadas”, explicou. Segundo a palestrante, a inclusão dessas técnicas nos programas é um desafio, na medida em que elas exigem mais trabalho e tempo. “Mas vale a pena”, acrescentou.

Representando a Feneis, Roger Limeira Prestes também criticou a falta da utilização dos recursos de acessibilidade pelos meios de comunicação. Ele lembrou que, apesar da legenda ser obrigatória em todas as atrações televisivas desde 2007, o recurso está disponível em poucos programas de algumas emissoras. Igual problema vem ocorrendo com os filmes nacionais. “As pessoas têm direito à comunicação. Todas as pessoas. A lei não está sendo cumprida. Os programas que existem hoje não nos dão os recursos de acessibilidade”, disse.

A jornalista Lelei Teixeira, que tem baixa estatura, fez uma crítica aos clichês e estereótipos que envolvem o tema da diferença, de uma maneira ampla. “A sociedade reserva um determinado lugar para aqueles que fogem dos padrões da dita normalidade. Ninguém se espanta ao ver um negro como porteiro, operário, empregada doméstica. Ninguém se admira de ver um homossexual como cabeleireiro. O anão, divertindo as pessoas, dando cambalhotas, sendo alvo de chacotas também não espanta. É o que lhe cabe nesse latifúndio”, afirmou.

Para subverter essa ordem imposta pela sociedade, segundo Lelei, cabe às pessoas com algum tipo de deficiência recusar os papeis já dados e evitar a vitimização ou o heroísmo que às vezes recai sobre as diferenças. “A partir daí já não se está mais diante do estereótipo, mas de uma pessoa de carne e osso”, disse.

“Temos muita dificuldade e insegurança em tratar do tema deficiência’. Foi com essa constatação que a coordenadora de produção da Zero Hora, jornalista Deca Soares, iniciou sua fala. Ela lembrou episódios de erros e acertos cometidos por ela mesma e por colegas na tentativa de tratar o assunto adequadamente. “Vibrei muito quando a Juliana (Carvalho) me avisou que Assembleia Legislativa estava lançando um manual de redação (com informações sobre mídia inclusiva). Isso vai nos ajudar, principalmente com os termos a serem usados. A gente sempre acaba errando, apesar da intenção nunca ser essa”, enfatizou.

Último a se manifestar, o coordenador do curso de jornalismo da Ulbra, Deivison Campos, afirmou que as acusações feitas contra a mídia são contraproducentes. São instituições que seguem uma lógica do nosso tempo: a cidadania é confundida com direito ao consumo. Dessa forma, mercado e consumo regem a lógica dos meios de comunicação. Segundo ele, na relação com os meios de comunicação, os que lutam pela inclusão precisam adentrar na “máquina” ao invés de ficar do lado de fora jogando pedra. É preciso aprender as regras, saber pautar as discussões dentro das redações. Temos que criar estratégias na relação com a mídia, não pelo confronto, afirmou.

Fonte: Agência de Notícias AL

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