Em palestra na UNB, pesquisador espanhol defende legendas e audiodescrição

Pesquisador espanhol quer filmes com legendas para surdos e audiodescrição para cegos. Angel García Crespo acredita que filmes e outros produtos culturais devem ser acessíveis a todos os públicos

A indústria cultural ainda não atende plenamente as pessoas com necessidades especiais. Para o pesquisador Angel Garcia Crespo, da Universidade Carlos III de Madrid, a produção cultural deve considerar a existência de um público que não vê e que não ouve. Angel é responsável pela sensibilização social no Centro Espanhol de Legendas e Áudio-Descrição (CEyA) e luta para que filmes possam apresentar recursos que permitam a cegos e surdos alcançar o sentido das obras cinematográficas. Ele trabalha para difusão de técnicas como legendas especiais para surdos e descrição em áudio para cegos. O professor falou sobre o assunto nesta quinta, 28 de julho, no Auditório da Reitoria da UnB.

No Brasil, a pesquisa e o debate sobre o assunto ainda são muito recentes. A Espanha já conta com uma norma que regulamenta as descrições em áudio para filmes há mais de dez anos, enquanto que aqui essas regras ainda estão em discussão. Há um ano, a UnB deu os primeiros passos nessa direção com a criação de grupo de pesquisa do Departamento de Letras e Tradução (LET) que estuda a acessibilidade nos meios de comunicação. "Estamos pesquisando várias normas que existem no mundo para estabelecer os critérios para o Brasil", afirma a professora Helena Santiago. A universidade já prepara profissionais para atuar na produção de legendas e material de audiodescrição, no curso de graduação Línguas Estrangeiras Aplicadas, também ligado ao LET.

Angel acredita que é preciso estimular uma mudança de mentalidade para que as pessoas com deficiência sejam incluídas na vida cultural. "Não acredito num estado intervencionista. É preciso adotar políticas baseadas em subsídios e financiamentos", defende. Cineasta e engenheiro, o pesquisador que consegue conciliar interesses tão distintos falou a UnB Agência sobre os desafios da acessibilidade.

UnB Agência: Quais as principais estratégias para tornar o cinema mais acessível?

Angel Garcia Crespo: As estratégias dependem do tipo de necessidades de cada pessoa. No caso dos surdos, os principais recursos são as legendas. Com o detalhe que as legendas não podem ser apenas uma transcrição das falas, devem indicar também os efeitos sonoros do filme – como o disparo de uma pistola ou o tipo de música. Também é necessário ter a indicação do personagem que está falando. É preciso ainda ter uma atenção especial para pessoas que são surdas de nascimento, normalmente elas crescem com uma capacidade de leitura muito baixa. Nesses casos é necessário utilizar as linguagens de sinais por meio de um intérprete no canto das telas para contar o filme para essas pessoas. Já para as pessoas cegas o principal instrumento é a audiodescrição. Nesses casos se aproveitam os momentos em que nenhum personagem está falando para um locutor fazer uma narração do filme.

UnB Agência: Quais os principais desafios no mundo para a acessibilidade de produtos culturais?

Angel:O principal desafio é fazer com que as pessoas se conscientizem que existem pessoas que têm deficiências. Normalmente elas são invisíveis para grande parte da população. É preciso explicar que há um grupo de pessoas amplo que não pode desfrutar da cultura. A partir disso é preciso reconhecer que a acessibilidade não é um problema técnico nem um problema econômico. Na verdade é uma questão de vontade, de querer fazer produtos mais acessíveis.

por Francisco Brasileiro – para a Secretaria de Comunicação da UnB

Fonte:Direitos Humanos Etc

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