Abert volta à carga contra a audiodescrição

Passados dois meses da entrada em vigor da audiodescrição no Brasil, as principais geradoras de TV digital dedicam mais tempo a programas com o recurso do que o determinado na legislação. O número de horas veiculadas varia de duas e meia a cinco por semana. A regra determina duas horas semanais de transmissão.

A cada ano, as emissoras que operam em sinal digital devem acrescentar duas horas de veiculação usando o recurso, até atingir, em 2017, o total de 20 horas. Esse prazo poderia ser encurtado não fossem alguns impasses como a falta de profissionais capacitados no mercado e problemas de adaptação de diferentes tipos de programas.

“As emissoras têm interesse em disponibilizar o recurso, tanto é que algumas ultrapassaram o mínimo de horas veiculadas em relação ao que prevê a portaria neste primeiro momento”, afirma o diretor de Assuntos Legais da Abert, Rodolfo Machado Moura (foto).

Ele cita exemplos de emissoras que contrataram empresas para audiodescrever programas, mas que não “foram ao ar” por conta de má qualidade. “A TV comercial no Brasil alcançou um nível que não admite experimentações. Não podemos veicular um programa para ‘ver como funciona’”, afirma.

Outra dificuldade encontrada pelas emissoras é a compatibilização do recurso aos diferentes programas, como os transmitidos ao vivo e os de caráter jornalístico. Existe ainda a dúvida em definir o que é relevante para ser descrito. “Há uma dificuldade natural de perceber o que o deficiente visual almeja, até porque existem diferentes níveis de deficiências, com percepções diferentes do mundo”, diz.

A veiculação do recurso só é possível em sinal digital. Até o fim deste ano, vencerá o prazo para que as geradoras solicitem consignação de um canal na nova tecnologia e 2012 é o prazo final para as retransmissoras. Até o fim deste ano, o Ministério vai lançar um regulamento de sanções a serem aplicadas a emissoras que descumprirem a legislação.

Como um vídeo é audiodescrito

A tarefa de audiodescrever um vídeo é complexa e requer cuidados para preservar a integridade de uma obra audiovisual. A narração de uma imagem nos intervalos de silêncio não deve se sobrepor ao som original do vídeo. O tempo de alguns intervalos, por exemplo, pode ser muito curto para a descrição de uma determinada imagem.

A primeira e mais importante etapa de uma audiodescrição é o roteiro. O profissional que elabora o texto a ser audiodescrito entre os diálogos do vídeo deve ter bom domínio da Língua Portuguesa e ampla cultura geral. Além disso, deve conhecer linguagem audiovisual para traduzir da melhor maneira possível as imagens do vídeo.

O roteiro deve ser escrito da forma mais sintética possível porque há pouco intervalo entre os diálogos. Depois de concluído, é o momento de gravar o áudio, a narração do texto. Após essa etapa é feita a mixagem junto ao som original do VT. As falas devem ser bem ajustadas para que elas não se sobreponham às dos personagens e ao som direto do filme.

Também é importante observar a qualidade da voz do locutor e a maneira como o texto é narrado. A audiodescrição deve ser discreta e deve se harmonizar com o conteúdo do filme. A mesma entonação para um desenho animado não deve ser a utilizada para um documentário, por exemplo.

Nota do Blog: Prevendo uma possível redução no prazo de implantação da audiodescrição na televisão brasileira, a Abert volta a usar seus argumentos inconsistentes para justificar um "não aumento" das obrigações das emissoras.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Abert

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