Surdos farão barulhaço dia 20

Entrei no twitter e havia uma reclamação da Paula Pfeifer, do blog Crônicas da Surdez, já conhecido pela maioria daqui de tanto intercâmbio que rola entre nossos blogs, reclamando da falta de acessibilidade à conta bancária dela.

Explico, apesar de muita coisa hoje em dia poder ser feita pela internet, existem serviços que só podem ser feitos pelo telefone, como por exemplo, desbloquear um cartão recebido pelo correio ou avisar que tivemos um cartão roubado. O acesso que o banco nos dá é um 0800 especial via TDD, um telefone com teclado que só tem função de ligar para outro aparelho igual, vendido por apenas uma empresa aqui no Brasil e que custa caríssimo, então a maioria dos deficientes auditivos não tem, já que hoje em dia dispomos de email, chat, SMS e videoconferência. Afinal, vale mais a pena eu comprar um telefone que só liga para outro aparelho igual que ninguém tem ou usar a tecnologia disponível?

Começamos a conversar por email sobre essa situação e decidimos que era hora de dar um basta!

No Crônicas, Paula decidiu fazer um post recolamando da falta de acesso a vários serviços bancários fundamentais, do descaso dos gerentes e funcionários com clientes deficientes auditivos e citou vários casos, como ter que ligar para a operadora de cartão de crédito, para efetuar desbloqueio cada vez que ela viaja para o exterior. Lembram-se de um post que fiz em abril de 2010? Tive um cartão de crédito clonado no site da TAM – sim, tenho certeza absoluta que foi nesse site, pois eu JAMAIS compro coisas pela internet com cartão de crédito, foi a única ocasião em que usei aquele cartão, num site supostamente seguro – e não pude cancelar meu cartão sem cometer fraude: minha mãe teve que se passar por mim, simplesmente porque meu marido não poderia fazer o desbloqueio, já que só aceitam falar com o titular do cartão ou via telefone especial que simplesmente não tenho em casa!

Isso porque já houve outra ocasião em eu fui ao banco mudar a data de vencimento de outro cartão de crédito e a gerente, querendo mostrar serviço, me empurrou pro TDD da agencia – aparelho que eu sequer sabia usar – e a atendente do número especial simplesmente disse que tem serviços que via TDD não é feito e só indo na agencia. Acontece que eu estava lá e a gerente me empurrou pro serviço. Não basta o banco não oferecer acessibilidade real – oferece uma pseudoacessibilidade ilusória que me obriga a gastar com itens a mais, em vez de promovê-la pelos canais disponíveis – como me empurram de um lado pra outro porque ninguém quer ter trabalho de me atender.

No post original de denúncia da Paula, ela fazia também sugestões do que seria uma real acessibilidade para nós, surdos oralizados que não conseguem usar o telefone e não tem TDD em casa:

O que eu acho que é ACESSIBILIDADE PARA SURDOS ORALIZADOS nos bancos brasileiros??

  • gerente capacitado para atender um surdo oralizado
  • atendimento por email
  • atendimento por SMS
  • cadastramento de 1 ou 2 pessoas de confiança, mediante documentação registrada em cartório, para que elas possam falar por nós no 0800 em casos de extrema emergência
  • cadastro da informação de que sou surda oralizada nas informações da minha conta, para que eu não precise contar minha vida inteira de novo a cada troca de gerente
  • chat disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, no site dos bancos, com funcionário capacitado a resolver problemas para clientes cadastrados como surdos oralizados

Agora parem para pensar sobre a utilidade de um 0800 para deficientes auditivos e da fala queutiliza TDD nos seguintes casos:

  • assalto
  • sequestro
  • problemas em viagem ao exterior
  • surdo oralizado que não possui telefone TDD
  • cartão clonado
  • cartão extraviado
  • surdo oralizado que trabalha em local sem TDD
  • qualquer eventualidade que ocorra em local sem TDD
  • solicitações que as atendentes do TDD não consigam resolver

No post seguinte, ela citou outras empresas que só oferecem atendimento por TDD, como lojas! Ora, por favor, muito mais fácil disponibilizar chat e email!

Por conta disso, nosso amigo Raul Sinedino, outro surdo oralizado que vive tendo problemas com esses desserviços bancários teve a idéia de um PANELAÇO no Twitter para mandar as hashtags #Acessibilidade e #SurdosOralizados e levar à população o conhecimento da existência da falta de acessibilidade que sofremos atualmente, além de divulgar que surdos oralizados existem.

Basta postar frases no twitter com a seguinte informação (frases iguais, o twitter não computa) “#Acessibilidade p/ #SurdosOralizados em bancos: INEXISTENTE! Ajude a divulgar.

Quando? Dia 20/09/2011 à partir das 15h30

E quem não tiver twitter, pode apenas ajudar na divulgação. O interesse é fazer com que as pessoas influentes tomem conhecimento da nossa falta de acessibilidade e nos ajudem a mudar as normas da ANATEL no que se refere ao atendimento remoto de deficientes auditivos. Ou até fazer um twitter só para participar do Panelaço.

Claro que nossos pedidos não se resumem aos oralizados, o acesso que pedimos é para todos os deficientes auditivos. Mas tem muito banco e empresa por aí achando que colocar um intérprete de Libras na agencia/loja resolve. Oras, se o intérprete for mandar o surdo ligar pra um número especial via um aparelho que ele não tem, adianta de algo?

Pelo então aos leitores e amigos, ajudem-nos a divulgar este movimento! Seja participando do PANELAÇO, seja divulgando-o nas suas redes sociais e/ou blogs.

Hoje é conosco, amanhã pode ser com qualquer um que perca a audição. Você mesmo ou qualquer pessoa querida. Imagine perder a liberdade de resolver os próprios problemas e ficar dependendo de tecnologias caras e obsoletas ou tendo que pedir pra outra pessoa se passar por você?

Acessibilidade é um direito de todos!

Beijinhos sonoros e mãos à obra,

Lak Lobato

Fonte: Desculpe, Não Ouvi

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