Comunicação a serviço da acessibilidade

Já dizia Charles Chaplin que é possível falar grandes verdades brincando, e assim tem feito o grupo de teatro Os Inclusos e os Sisos a respeito dos diversos problemas enfrentados pelos portadores de deficiência no mundo contemporâneo.

Os Inclusos e o Ciso - Teatro de Mobilização pela Diversidade - capa do livro

A trupe é vinculada à organização não-governamental Escola de Gente e começou, essa semana, uma turnê de comemoração aos 10 anos da ONG pelo Nordeste com a peça Ninguém mais vai ser bonzinho. O espetáculo, inspirado no livro homônimo de Claudia Werneck, fundadora da organização, e dirigido por Marcos Nauer, é composto por esquetes que tratam com humor e leveza temas profundos como a acessibilidade e a discriminação. As apresentações são abertas ao público e introduzidas por palestras referentes a essa temática. Além disso, o espetáculo conta com todos os requisitos que permitem a acessibilidade aos portadores de deficiência, como tradução em libras, legenda eletrônica, audiodescrição e programas em braile.

A primeira apresentação aconteceu na terça-feira, 20, no Recife, data em que se comemora o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência. O público que foi ao Centro de Artes e Comunicação (CAC) da Universidade Federal do Pernambuco (UFPE) lotou o Teatro Milton Baccarelli, e divertiu-se com a trupe, que, durante 1 hora, encenou, cantou, dançou, fez rir e pensar. Para aproximar-se ainda mais dos nordestinos, Os Inclusos e os Sisos inseriram na peça símbolos da cultura dessa região, como a sombrinha de frevo e o forró. No fim do espetáculo, os atores chegaram até a chamar alguns espectadores para dançar no palco.

Antes disso, o coordenador do Núcleo de acessibilidade da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), Manuel Aguiar, que é deficiente visual, apresentou, com bom humor, os projetos de inclusão da empresa e tratou de questões como os problemas de acessibilidade e discriminação. "Cada dia você trupica em um obstáculo que não é seu, é o modo com que os outros lhe vêem", disse Aguiar. Cláudia Maia, coordenadora técnica da Escola de Gente, representou e apresentou a ONG, além de sortear três exemplares do livro de Claudia Werneck que deu origem à peça, Ninguém mais vai ser bonzinho na sociedade inclusiva.

Infelizmente, poucos portadores de deficiência compareceram ao local para desfrutar do espetáculo totalmente adaptado. As poucas que lá estavam aprovaram a iniciativa e a apresentação, assim como o restante da platéia, composta majoritariamente por estudantes da universidade. Para quem não assistiu à peça, o grupo ainda se apresentará na cidade amanhã, 23, às 10h e às 20h, no teatro da Fafire. Depois disso, segue para Salvador, Petrolina, Sobradinho e Paulo Afonso, dando continuidade à turnê que deve ser contemplada por cerca de 1.400 pessoas.

A jornalista e fundadora da Escola de Gente, Claudia Werneck, comparecerá a algumas dessas apresentações, para comemorar o aniversário da ONG e o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência.

foto em branco e preto de pessoas sentadas formando um círculo

Escola de Gente

A Escola de Gente surgiu há 10 anos e, desde então, busca a transformação de políticas públicas em políticas inclusivas, que ratificam a diversidade humana e procuram soluções para a desigualdade social, a fim de garantir o exercício dos direitos humanos em todas as fases da vida e para todas as pessoas. A organização realiza palestras, oficinas e projetos que sempre buscam aliar a arte e a comunicação à acessibilidade, e, assim, democratizar o conceito e a prática da sociedade inclusiva. Além disso, abriga Os Inclusos e os Sisos – Teatro de Mobilização pela Diversidade, grupo criado em 2003 com estudantes de Artes cênicas da Universidade do Estado do Rio (UniRio), sob a orientação de Tata Werneck, filha de Claudia e hoje apresentadora da MTV.

Para ver a agenda e conhecer as atividades e a história da organização, basta acessar o site oficial da Escola de Gente: www.escoladegente.org.br/index.php.

A turnê, que segue até outubro, é patrocinada pela Chesf e pelo Ministério da Cultura e promete levar diversão e conscientização a grande parte do Nordeste brasileiro. Ninguém mais vai ser bonzinho é a prova de que é possível realizar bons espetáculos totalmente acessíveis, além de mostrar que o humor e a arte são capazes de difundir conhecimento e reflexão. A Escola de Gente e Os Inclusos e os Sisos merecem parabéns pelo aniversário e pela belíssima iniciativa e atividades que vêm realizando há anos. É realmente necessário buscar e democratizar a sociedade inclusiva na sociedade contemporânea, e atividades como essa, que aliam comunicação à acessibilidade, são importantíssimas nesse processo, que deve começar a ser posto em prática por cada um de nós.

Ninguém Mais Vai Ser Bonzinho - cartaz da peça

Fonte: Quem Bloga Isso

Mais sobre audiodescrição
A partir deste sábado, 5, estarão abertas as inscrições para a quinta edição do Programa
Paradinha Cerebral faz parte do Circuito Cultural Cidade Olímpica. A peça foi um dos projetos
Atualmente, é possível acomodar em um mesmo espetáculo um público de surdos, que acompanha uma


Mais sobre audiodescrição
A partir deste sábado, 5, estarão abertas as inscrições para a quinta edição do Programa
Paradinha Cerebral faz parte do Circuito Cultural Cidade Olímpica. A peça foi um dos projetos
Atualmente, é possível acomodar em um mesmo espetáculo um público de surdos, que acompanha uma