Peças em cartaz no Rio têm descrições para crianças cegas

O espetáculo está quase começando. Enquanto a plateia se acomoda nas cadeiras do teatro, Acauã Aetê da Silva Pozino, 10, toca todo o cenário, acompanhado pela audiodescritora Nara Monteiro, 45. Acauã é cego e a profissional vai ajudá-lo a acompanhar a peça "Leonel Pé de Vento", descrevendo, através de um fone, tudo o que está se passando no palco.

Leonel Pé de Vento

Cenas de "Leonel Pé de Vento", que está adaptada para crianças com necessidades especiais

Quando as luzes se apagam, Nara vai para uma cabine e conta tintim por tintim o que acontece nas cenas da peça para as pessoas que não conseguem ver. Ela diz como é a roupa dos atores, fala da quantidade de pessoas em cena, das caras que elas fazem, entre outras coisas.

"Dá pra compreender perfeitamente. Me mostraram o cenário pra eu ver onde as coisas estavam posicionadas", explicou o menino. "Gostei muito", comentou.

É LEI

De acordo com o decreto 5296/2004, as salas de espetáculo devem dispor de um sistema adequado para a pessoa com deficiência, como o intérprete de Libras, a língua brasileira de sinais. Hoje, no Rio, somente duas peças infantis obedecem à regra, mas outras estão para adotar o sistema.

Leonel Pé de Vento - outras cenas

Outra Cena de "Leonel Pé de Vento", que está adaptada para crianças com necessidades especiais.

"É inconcebível fazer peças e não pensar nisso", disse o diretor Diego Molina, que disponibilizou o sistema em "Francisco e o Mundo", no Teatro do Jockey, zona sul carioca.

Segundo a diretora de produção Isabel Themudo, do musical "Emilinha e Marlene – As rainhas do rádio", em cartaz no Maison de France, no centro, o sistema é caro, mas, quando há incentivo, ela torna seus espetáculos acessíveis. É o que acontecerá com a peça, que no fim deste mês contará com audiodescrição.

"É um serviço caro porque exige uma experiência e não tem muita empresa que faz, mas quero implementar em todos os meus projetos", diz.

COMO FUNCIONA

Em um espetáculo, o intérprete de Libras se posiciona no canto do palco, à frente dos atores. Ele então interpreta todas as falas dos personagens.

No caso das pessoas cegas, antes de se sentarem, elas recebem um fone de ouvido. Quando o espetáculo começa, um profissional descreve tudo o que está se passando no palco, fala do figurino, do número de atores em cena, entre outros.

Marcos Michael/Folhapress

Fonte: Folha Press

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