A audiodescrição tá bombando!

Todos aqui sabem da minha admiração pela – qualificada – audiodescrição, sobre a qual já falei bastante por aqui. Isso porque, talvez haja em Porto Alegre, várias iniciativas de profissionais/pesquisadores no sentido de ampliar os horizontes e difundir este recurso-produção artística.

foto de Letícia Schwartz e Gabriel Schmidt

Descrição da foto: Gabriel Schmitt e Letícia Schwartz aparecem dos ombros para cima, com os rostos bem próximos um do outro. Gabriel está um pouco à frente. Tem pele clara, olhos castanhos, cabelos muito curtos, cortados à máquina e barba por fazer. Veste uma camiseta marrom. Letícia tem pele clara e cabelos castanhos presos para trás. Seus olhos também são castanhos. Veste uma camisa branca sem mangas, com rendas junto à gola e usa pequenos brincos pingentes com uma pérola na ponta. Ambos esboçam um leve sorriso. Ao fundo, uma prateleira cheia de livros.

Temos a sorte de viver em um oásis da boa audiodescrição, pois contamos com profissionais super competentes e engajados como a Letícia Schwartz e o pessoal da Mil Palavras. Com todo esse cenário profícuo, os resultados aos poucos começam a surgir e de grão em grão tem aumentado o número de eventos com audiodescrição. Por isso, divulgo aqui duas dessas belas iniciativas.

A primeira delas, é que no 5º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária, que ocorre na UFRGS, além das atividades de minicursos, mesas redondas e oficinas, haverá apresentações artísticas, dentre as quais o espetáculo Tholl, sendo que este, contará com audiodescrição (by Mil Palavras, mais um motivo pra conferir).

Tholl, é um grupo que alia técnicas circenses, teatro e dança em seus espetáculos. As performances ficaram muito conhecidas pela plasticidade e beleza dos movimentos que emocionam aqueles que assistem suas obras. Bem, emocionam a quase todos, já que é eminentemente visual em seus movimentos, figurinos e luzes. Assim, para as pessoas com deficiência visual, torna-se um tanto inviável compartilhar dessas emoções sem que haja audiodescrição. Não sei quantas vezes já me falaram sobre esse grupo e não me animei a ir por saber que não entenderia a metade. É por isso que estou tão empolgado com essa sessão que terá audiodescrição.

Para participar, é preciso se inscrever no evento (os valores e formas de inscrição estão no site) e retirar a senha respectiva a este espetáculo no momento do credenciamento, já que as vagas são limitadas. Depois, basta chegar, pedir o fone de ouvido e deleitar-te.

Por fim, divulgo também com imenso prazer, o curso Audiodescrição de Produtos Culturais, com a coordenação dos professores Eduardo Cardoso da Faculdade de Arquitetura da UFRGS e Jeniffer Cuty da FABICO, UFRGS, tendo como ministrante Letícia Schwartz, coordenadora da Mil Palavras, audiodescritora que dispensa apresentações.

Para informações sobre o curso é só acessar o site Acessibilidade Cultural e sugiro que os interessados se apressem, a concorrência está grande e as vagas são limitadas.

A existência de grupos de pesquisa como o dos coordenadores deste curso são muito importante para pensarmos a deficiência visual a partir de um olhar cultural, de acesso à arte, saindo da mesmice clínica. Creio que essas iniciativas inovadoras já fizeram mais por nós do que um século da chamada inclusão. Portanto, cursos como esses ajudam a divulgar a audiodescrição, a colocá-la em pauta e ao mesmo tempo mostrar que se trata de um trabalho árduo, que requer técnica, dedicação e competência. Por isso, esse curso é importante para começar a formação de novos profissionais competentes e de boa qualidade, que é tão importante quanto termos a audiodescrição nos ambientes e produtos. Assim, estou ansioso e com grande expectativa para que o curso comece, e que tenha o máximo de inscritos. Tenho absoluta certeza que será excelente.

Tentei aqui divulgar um pouquinho do que tá rolando em Poa sobre audiodescrição, peço então a todos que lerem para acessarem os sites, se inscreverem nos eventos ou ainda, divulgarem para o maior número possível de pessoas, conto com o apoio de todos.

por Felipe Nianes
Graduado em História (PUC-RS), Mestre em Educação (UFRGS) e doutorando em Educação pela UFRGS.
Pesquiso sobre produções culturais de/sobre/para pessoas com deficiência, e o modo como tais produções podem servir como resistência aos processos de homogeneização e supressão de nossa diferença. Digo nossa, pois, sou também um sujeito com deficiência, já que possuo baixa visão desde a infância.

Fonte: arte, cultura e deficiência visual

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