Confira o Volume 8 da Revista Brasileira de Tradução Visual

Já na capa, este volume da revista nos brinda com a arte e a beleza do potencial humano, que quebra preconceitos, mostrando a capacidade da pessoa humana com deficiência.

A ilustração da capa, um quadro de Esref Armagan, pintor cego congênito total, surpreende, não só por sua beleza, mas por ter seu pintor aprendido a pintar sozinho, tendo desenvolvido técnica própria que lhe permite produzir telas, das mais belas e de temas os mais variados. Confiram!

Na Seção Relato de Experiência da RBTV, outro personagem com deficiência, escultor com as palavras, mostra que "nada de nós, sem nós" não é um mero dizer, mas uma prática de vida e um exemplo a ser seguido.

No mês em que se celebra o dia de luta da pessoa com deficiência, é mais que devido o tributo àquele mestre. Venham, conheçam quem foi o pernambucano Roberto Aguiar.

Ainda na Seção Relato de Experiência, o leitor poderá ler a respeito das idéias de uma das profissionais com maior tempo no campo da áudio-descrição no Brasil, Bel Machado, a qual aprendeu, com a prática, o verdadeiro significado do lema "nada de nós, sem nós".

Mestre na arte de áudio-descrever, essa grande profissional, com mais de 11 anos no campo da áudio-descrição, fala do cinema com propriedade e simplicidade. E, do topo de seu conhecimento, dá-nos a lição de que é com a pessoa com deficiência, usuário da áudio-descrição que se aprende a áudio-descrever.

Na Seção Principal, 3 artigos enriquecem o leitor com conhecimento e senso de cidadania, demonstrando o papel que a ciência e cada um de nós têm na defesa de uma sociedade respeitosa de direitos e construtora do conhecimento que visa o bem da pessoa humana.

Para melhor ilustrar o que dizem aqueles artigos, nada melhor que transcrever os resumos que os apresentam:

A RE-DESTERRITORIALIZAÇÃO DO CINEMA NA AUDIODESCRIÇÃO

Flávia Mayer

Resumo

Por meio de um breve levantamento teórico, a partir das idéias de dispositivo de Agamben e Deleuze, e das discussões sobre território levantadas por Haesbaert, este artigo pretende apontar algumas reflexões sobre o que podemos pensar a respeito da re-desterritorialização do cinema no dispositivo da audiodescrição. Aponta que o estudo da audiodescrição surge como uma ferramenta que proporciona às pessoas com deficiência visual uma nova maneira de lidar com o discurso imagético e de se posicionar diante dele. Destaca que, além da descrição verbal das imagens, outros elementos são de grande importância nos processos de articulação de sentido da audiodescrição. Afirma que se em alguns momentos no cinema a imagem dispensa textos, o efeito sonoro na audiodescrição, ao se tornar mais uma possibilidade de construção da informação, também o faz. Conclui que, mesmo não decodificando a informação visual da forma como os videntes fazem, as pessoas com deficiência visual possuem sim uma relação social e cultural com a imagem.

MODELOS MENTAIS EM NAVEGAÇÃO DE WEBSITES

André Ricardo Melo, Ana Katharina Leite, Carlos Alberto Vilar, Marcelo Marcio Soares

Resumo

Este artigo apresenta um estudo da gênese e utilização de modelos mentais dos usuários de websites, constatando como acontece o processo cognitivo e perceptivo na interface usuário-computador, descrevendo tipos de memória (atuação no processo de aprendizagem e como se pode construir uma melhor navegação e usabilidade de interface com ergonomia), resultando em modelos mentais de navegação mais intuitivos e agradáveis, permitindo ao usuário maior controle e qualidade.

A AUDIODESCRIÇÃO ENTRA NA DANÇA

Jorge Rein

Resumo

Este artigo aborda o tema da audiodescrição em espetáculos de dança, incluindo um breve histórico das experiências, já realizadas no Brasil. Sugere algumas diretrizes básicas para a elaboração de roteiros apropriados a esta modalidade específica de expressão artística, destacando a potencialidade da audiodescrição como recurso de acessibilidade nesta área. Contesta a resistência de alguns profissionais da dança em admitir a audiodescrição das suas apresentações e defende a prática de se ofertar a audiodescrição, também nesses eventos, dentro de um panorama geral de respeito aos direitos inclusivos das pessoas com deficiência visual. Conclui que a audiodescrição tem todas as condições de entrar na dança e acompanhá-la bem, tornando-a acessível a um público que não quer ignorá-la. Ressalta que o sucesso das escassas experiências realizadas com a audiodescrição deveria encorajar coreógrafos e audiodescritores a se unirem pela provisão de mais dança com audiodescrição.

Apoio: Universidade Federal de Pernambuco

Capa do Volume 8 da RBTV

Descrição da capa: A tela, pintada a óleo, retrata uma paisagem com montanhas, vegetação e queda d’água, sob o céu azul. No primeiro plano, à esquerda, de uma colina verde, desce uma pequena cascata de águas azuis, que se transforma em uma espuma branca ao tocar o rio, que corre para a direita, ao pé da colina. Na margem esquerda da cascata há uma pequena encosta de pedras marrons, recoberta com flores vermelhas, rosas, carmins, brancas e outras. Acima, para a direita da cascata, há dois pequenos pinheiros verde-escuros, e, mais atrás, à esquerda deles, há três grandes pinheiros. À direita da cascata, uma colina maior, em diferentes tons de verde, estende-se, paralela ao rio, em cuja margem há quatro árvores juntas, com copas que se tocam. Na margem oposta a das árvores, na parte inferior da tela, há muitas flores brancas com o miolo vermelho e laranja. Ao fundo da tela, duas grandes montanhas cinza, com picos cobertos de neve, aparecem sob o céu azul, com nuvens brancas. No lado inferior esquerdo da pintura, leem-se as iniciais.

Mais sobre audiodescrição
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