Inclusão social: Falar é fácil

Sabe o que é inclusão social? Sabe mesmo? Vamos pegar um exemplo, o da saúde. A gente vê a medicina cuidar de curar, amenizar ou resolver de alguma forma vários problemas que podem limitar o homem. Vemos mais na área da ortopedia, quando criam próteses para substituir membros como os braços ou as pernas ou com as experiências com células-tronco, que prometem resolver fatalidades como rupturas na coluna vertebral e etc.

No campo da oftalmologia ou da otorrinologia também se vê avanços, mas a probabilidade de uma pessoa que nasce ouvindo e enxergando sofrer a perda desses sentidos durante sua trajetória é menor diante da probabilidade dela se envolver em um acidente que a faça paraplégico. E depois, os problemas dos sentidos são mais complicados de se chegar a tratamentos eficientes em relação aos de natureza mecânica, uma vez que para estes a solução pode contar com a força do paciente para que ele se recupere, somada aos esforços médicos e uso de aparelhos sofisticados que irão interagir com o meio-ambiente em substituição aos órgãos invalidados.

Mas, abrangendo todas as probabilidades de se acometer de uma deficiência, há outros esforços paralelos para auxiliar, e em alguns casos resolver de vez, as dificuldades daqueles que nascem ou adquirem uma deficiência. Coisas como construção de rampas, elevadores de ônibus, sinalizações em braile e outras soluções.

Agora vamos ver uma situação que destaca um processo de inclusão social, no caso estamos retratando a inclusão tendo em vista problemas salutares apenas: o uso de audiodescrição e legenda descritiva em uma mídia digital para se entreter com um filme.

A legenda descritiva é aquela em que o deficiente auditivo pode saber não só as falas dos atores em cena, como também os ruídos que acontecem em momentos sem fala e que são importantes para o acompanhamento da história. Um exemplo: uma cena que ilustra uma turma de soldados escutando uma explosão ao longe; Na legenda descritiva estaria a informação entre colchetes "[Explosão ao longe]".

A audiodescrição ocorre em uma pista de áudio adicional para o deficiente visual. Nela, não só o deficiente pode ouvir as falas das personagens e todos os efeitos sonoplásticos, como também uma rápida descrição da cena. Exemplo: "João está na sala sozinho, sentado à escrivaninha, lendo um livro", lembrando bem uma radionovela. Dessa forma a sala e a tv são para todos.

E o que leva pesquisadores e profissionais a trabalharem em pró de tornar o mundo possível para qualquer cidadão, sendo ele inteiramente sadio ou não?

Uns acham que muitos trabalham porque há alguém de sua estima precisando desse esforço ou por temerem um dia estarem em uma situação desse tipo e ter que abrir mão de uma série de confortos e hobbies por se encontrar nela; Outros já acham que o homem busca desafios e gosta de brincar de deus quando constrói opções para que todos os humanos sejam iguais (já que Deus nos fez diferentes); E, ainda, tem aqueles que acreditam em altruísmo puro.

Seja qual for a verdade, o fato é que não devemos abrir mão de cada vez mais nos lançarmos a esforços que visam a inclusão social de qualquer tipo. É o caminho que precisamos seguir para levarmos uma vida feliz. E o grande passo para se pensar em falar de inclusão social é trabalhar a harmonia entre as pessoas e a educação em um país (a educação apenas em si já trata da harmonia). Sem educação, sem inclusão social. Aliás: sem nada. Portanto, quando virmos por aí políticos, missionários, artistas e outros de outros segmentos enchendo a boca para falar que são a favor e que promovem a inclusão social, devemos verificar primeiro o que ele pensa e ou faz pela educação. Daí, sim, dá para se assumir um voto de confiança.

Bem, você pode pensar que em determinado trecho do parágrafo acima o texto ficou confuso e indagar: "O que cargas d’água inclusão social tem a ver com harmonia e educação?". Pois então, para demonstrar que não nos perdemos durante a elaboração do texto, vou demonstrar o que poderia ter a ver:

Imagine estar de porte de uma mídia dvd e todos na sala assistirão ao mesmo tempo um belo filme. Há algumas pessoas inteiramente sadias, um surdo, um cego, um analfabeto e uma criança em idade não de leitura. O dvd é inteiramente inclusivo e possui muitas opções de idioma em pistas de áudios e de legendas. Para quem tem audição e visão, ouvir trilhas de áudio descritivas é um pouco perturbador, a legenda descritiva não incomoda. Mas, do contrário, se não se abrisse mão de ouvir o áudio especial, excluiria-se o cego. A capacidade de sociabilidade está aí representada: um conjunto de pessoas resolvem ver um filme, cujo áudio se dá em seu idioma e descreve as cenas, mesmo sendo a maior parte das pessoas ouvintes de tudo o que acontece nelas, e com a legenda do seu próprio idioma aberta, apresentando o que se passa sonoramente nas cenas, mesmo sendo a maior parte das pessoas do grupo capazes de ver.

E a educação… assim… tal qual entendemos a palavra "educação"? Bem… o surdo não conseguiria ler a legenda se ele não fosse alfabetizado.

Ficou claro? Esqueci alguma coisa? Ah… por que diabos eu teria incluido uma criança não-letrada e um analfabeto nessa história? Não consegue perceber que estes poderiam tomar o lugar do cego, se ele não estivesse ali? Como assim? Se não resolvessem a questão da sociabilidade por completo e resolvessem assistir o filme com som original (em inglês na maioria das vezes), como muitos preferem, e este não fosse o idioma padrão e opcional dos presentes, para o surdo alfabetizado não haveria problema, pois ele saberia ler a legenda.

Não saber ler é cegueira!

Para conhecer os métodos de áudio e legenda descritivos na televisão, a TV Brasil possui um programa dedicado aos deficientes de toda sorte e utiliza tais recursos. Minha opinião é: é uma iniciativa válida, mas é imediatamente anulada pois, tudo o que é passado de informação para o deficiente se transforma em algo sem utilidade, uma vez que o que é noticiado, o programa é jornalístico, na maioria das vezes ocorre em ambientes em que o público atingido não encontrará meios de interagir. Um exemplo: anunciar a exibição de um filme em cartaz nos cinemas: para que saber sobre isso, se estimular a ver o programa e ter que desistir em seguida, se a exibição não contar com recursos de inclusão?

Fonte: O Pino Aberto

Mais sobre audiodescrição
Desde o início dos anos 1980, com o avanço dos movimentos sociais, escolhemos o começo
Grande parte dos projetos culturais é realizada via leis de renúncia fiscal, ou seja, com
O Observatório da Imprensa da última terça-feira debateu a prevista falta de acessibilidade durante a


Mais sobre audiodescrição
Desde o início dos anos 1980, com o avanço dos movimentos sociais, escolhemos o começo
Grande parte dos projetos culturais é realizada via leis de renúncia fiscal, ou seja, com
O Observatório da Imprensa da última terça-feira debateu a prevista falta de acessibilidade durante a