Objetos ganham vida no FITO

Se olharmos ao nosso redor, é possível observar uma infinidade de objetos. Produtos com utilidades bem definidas, com uma concepção muito estreita de "serventia". Mas, olhe melhor. A vista pode até enganar, mas a imaginação sabe que, por trás de conceitos pragmáticos, os objetos podem ser motor para a criação de mundos (im)possíveis, histórias, em resumo, para uma abstração sem limites.

Festival Internacional de Teatro de Objetos - FITO 2011

Partindo da proposta de utilizar os "trecos" do cotidiano por um viés artístico, acontece no Marco Zero, entre os dias 11 e 13 de novembro, o Festival Internacional de Teatro de Objetos (FITO).

Pioneiro no País, o evento é pensado de tal forma a se adaptar à realidade brasileira, que seu formato é único. Depois de passar por Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MT), Porto Alegre (RS), Brasília (DF), Florianópolis (SC) e Manaus (AM), o festival faz sua estreia no Recife.

A utilização de bonecos como recursos cênicos já é habitual para o público, criando inclusive um tipo próprio de linguagem. Desde pequenos, estamos acostumados a dar vida a fantoches, mamulengos e, também, objetos. Sim, objetos. Uma vassoura pode representar um cavalo, um livro pode fazer as vezes de pássaro…as possibilidades são infinitas, quando o assunto é a criatividade. De uma forma ingênua, portanto, o Teatro de Objetos se apresenta como uma manifestação corriqueira, para a maioria, ainda que encontre pouco espaço no que diz respeito a um estudo mais sistemático enquanto modalidade teatral.

Mas, se na Europa o conceito de Teatro de Objetos começou a se solidificar no final dos anos 1970, no Brasil o movimento ainda é tímido. No entanto, ganhou uma importante (para não dizer essencial) força com a consolidação do FITO. Criado em 2009 pela pernambucana Lina Rosa Vieira, o FITO nasceu da curiosidade dela por essa linguagem. Ela, que também é responsável pelo Festival SESI Bonecos do Brasil e do Mundo, percebeu que as montagens com objetos eram uma vertente rica e cheia de significados. Há uns dez anos, vi um espetáculo todo montado com torneiras, baseado em "O Avarento", de Molière. "Fiquei muito encantada com aquela forma de metáfora, achei muito desafiador, simbólico", relembra Lina. "O Teatro de Objetos me encanta porque promove uma leitura particular para cada um, a partir da própria vivência. Os objetos têm esse poder de nos conectar a memórias muito íntimas da gente", diz ela.

Por ser pernambucana, penso todos os projetos culturais que crio para serem apresentados no Recife. Agora, finalmente, a gente vai trazer o FITO pra cá, conta Lina.

A grande estrutura do evento será montada no Marco Zero. No total, serão cinco salas para espetáculos nacionais e internacionais, sendo três delas com capacidade para receber até 200 pessoas, e duas com menor capacidade, com capacidade limitada para preservar o caráter intimista que esse tipo de espetáculo exige.

Apesar do limite de capacidade dos teatros, quem for ao Recife Antigo e não conseguir entrar, não perderá a viagem. É que, do lado de fora, acontecerão várias pequenas performances, que permitirão um contato mais direto entre o público e os artistas. Além disso, por lá, os shows também terão espaço. Naná Vasconcelos apresentará seu show "Pinipan", enquanto o baiano Tom Zé executa seu "Música/Contramúsica", ambos pensados especialmente para o FITO.

A linguagem inovadora dessa arte feita a partir de "quinquilharias", é, segundo Lina, um exercício de construção muito particular. Nos três dias de evento, o público terá contato com os trabalhos de treze grupos, de oito países, em mais de 60 espetáculos. Neles, um saca-rolha pode se transformar numa bailarina; um lenço, em uma noiva; dois palitos de fósforo, em um casal apaixonado. Entre os artistas que se apresentarão por aqui estão o Teatro das Coisas (SP), Fernán Cardama (ARG) e a La Cie Du Petit Monde (FRA).

Uma preocupação fundamental do evento é a acessibilidade cultural. Toda a programação será gratuita, e um dos teatros terá recursos de áudio-descrição e em LIBRAS. Queremos aproximar o público da arte, porque acredito que há um vácuo entre o público entre as pessoas e o teatro, em especial o de objetos, analisa a idealizadora.

Oficinas

Além das apresentações, o FITO oferece oficinas formativas. De 7 a 11 de novembro, o espanhol Jaime Santos ministra o curso "Introdução ao Teatro de Objetos"; De 7 a 10, a francesa Katy Deville, que fez parte da primeira geração do Teatro de Objetos, oferece o workshop "Objetos: Intervenção Pedagógica". As inscrições podem ser feitas das 10h às 12h e das 15h às 17h, na Casa da Indústria. Ambas são gratuitas.

Por Márcio Bastos

Fonte: Folha de Pernambuco

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