Mensagem de Fabiano Puhlmann sobre o Dia de Luta das Pessoas com Deficiência

Desejo a vocês",cidadãos brasileiros com deficiência", o "Fruto do mato", proporcionado pelo turismo de aventura adaptado, com "cheiro de jardim, Namoro no portão", quando os governantes brasileiros passarem a assumir a responsabilidade sobre nossas calçadas, e pudermos ter acesso a namorar no portão da pessoa amada.

capa do livro "A revolução sexual sobre rodas - conquistando o afeto e a autonomia"

Autor: Fabiano Puhlmann

"Domingo sem chuva" e "Segunda sem mau humor", com acessibilidade, inclusão educacional e econômica, para podermos finalmente ter o "Sábado com nosso amor"!

"Filme do Carlitos" e "Chope com amigos" porque agora temos táxi adaptado e em um Brasil pós Copa , Olimpíadas e Para-Olimpíadas todo o transporte público integrado e acessível, poderemos voltar "alegres" para casa sem risco de acidentes.

Ler "Crônicas de Rubem Braga" e outras crônicas que abordem temas da vida privada de pessoas com e sem deficiências.

Viver sem inimigos porque os direitos humanos são respeitados. Assistir a "Filmes antigos na TV" com legenda em LIBRAS e audiodescrição.

Ter uma pessoa especial que…

goste de você, que não seja sua mãe, irmã e nem amiga eterna, alguém que te veja como homem/mulher desejado para o enamoramento, a paixão e o amor.

"Música de Tom com letra de Chico", unindo diversidades no orgulho de sermos todos brasileiros, mesmo que as vezes fora do tom e levando vidas fora da praia e sem poesia, lutando para levar uma vida digna na selva de pedra.

Ai que saudade, que nostalgia sinto quando me lembro do "Frango caipira em pensão do interior", o interior hoje de universidades acessíveis que fazem a inclusão de todos na mesma cultura sem perder o tempero e a camaradagem do tempo de nossos avós.

"Ouvir uma palavra amável" logo de manhã na rua quando atravessamos o farol na faixa com nossas cadeiras de rodas, bengalas de cegos, nossa baixa estatura, ou nossa face diferente.

"Ter uma surpresa agradável" quando ao chegarmos no trabalho ou na escola, lembrarem nosso dia, o dia internacional de luta pelos direitos das pessoas com deficiência.

"Ver a Banda passar" ao vivo e não pela televisão, assistir os fogos de fim de ano no gargarejo, ir ao desfile das campeãs do carnaval e ficar em arquibancadas inclusivas, assistir a todos os shows que quisermos sem ter de planejar demais.

Desejo continuar a me emocionar com "Noites de lua cheia", lembrar que somos um planeta redondo e azul, cheio de esperança em forma de seres humanos com culturas, cores, línguas, condições de vida muito diferentes.

"Rever uma velha amizade", procurar alimentar as amizades mesmo que através das mídias digitais, redes sociais se unindo, quebrando barreiras entre o passado e o futuro. Podemos reencontrar, no mundo virtual aquela velha amiga que teve um filho com deficiência intelectual, aquele antigo amor que ficou cego após um acidente, podemos conversar, finalmente, com aquele amigo surdo, trocando intimidades e relembrando que o maior prazer de todos é ter amigos.

"Ter fé em Deus" não por desespero, mas porque isto é natural.

Não ter que ouvir a palavra ‘não’ repetidas vezes, exaustivamente em propagandas idiotas que, de forma tola, tentam sensibilizar pessoas para entender outras pessoas com "paralisia cerebral" a partir de suas limitações e não a partir de suas potencialidades.

"Nem nunca, nem jamais e adeus", até breve e… talvez…eu me apaixone novamente… dentro de mim algo novo nascer, fincar raízes, desligado de minhas certezas de meu mundo conhecido, poder lembrar de lágrimas caindo no meu peito, dores, medos, angústias e verdades. Não tenhas medo de mim…

"Rir como criança" porque somente elas sabem de fato, elas, dentro de nós, são os modelos de felicidade e não tem medo de nada!

"Ouvir canto de passarinho" do amanhecer ao entardecer.

Não perder a juventude mesmo quando os anos chegarem ao auge, quando as dores, a falta de memória, as dificuldades motoras nos assolarem a porta.

"Sarar de resfriado", saber que cada vez mais estamos próximos de um mundo com poucas doenças incuráveis.

Deficiências e incapacidades são hoje vistas como funcionais, dependem do meio e principalmente de atitudes.

"Escrever um poema de Amor", montanhas de mistérios por trás de olhos fascinantes, um misto de promessas realizadas e grandes desafios do amor, "Que nunca será rasgado". Parar de buscar obsessivamente a ilusão de "Formar um par ideal" e aceitar melhor o imperfeito, o possível, o necessário e o provisório.

Mas, enquanto isso, desejo também que todos possam "Tomar banho de cachoeira" com trilha acessível, "Pegar um bronzeado legal" enquanto andam de triciclos, handbikes e bikes adaptadas.

"Aprender uma nova canção", porque muitas das velhas canções escondem preconceitos que já não tem mais graça.

"Esperar alguém na estação", ter alguém para nos esperar, ter alguém para buscar, porque toda pessoa com deficiência quer amar e ser amado.

"Queijo com goiabada", resgatando o deslumbramento que causa a convivência com os opostos, novos e velhos sabores, que ao se misturarem criam uma inusitada sensação.

"Pôr-do-Sol na roça", prenúncio de baladas à moda antiga, "Uma festa", onde a pegação ,se houver, é para todos!

"Um violão" ,"Uma seresta", para que um dia no futuro nos recordemos de quando fomos jovens e tolos e nada inclusivos.

E, com muito respeito ao grande Carlos Drumond de Andrade, agora deixemos que o próprio poeta complete para nós sua poesia, Desejo…-

"Recordar um amor antigo,

Ter um ombro sempre amigo,

Bater palmas de alegria,

Uma tarde amena,

Calçar um velho chinelo,

Sentar numa velha poltrona,

Tocar violão para alguém,

Ouvir a chuva no telhado

Vinho branco, Bolero de Ravel,

E muito carinho meu.

por Fabiano Puhlmann Di Girolamo

Fonte: The efficient

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