Relato sobre a III Mostra de Audiodescrição: Imagens Que Falam

Permitam-me trazer, para os que estiveram presente e para os que não poderam comparecer, um resumo e meu relato pessoal sobre a III mostra de áudio-descrição: imagens que falam, que aconteceu ontem, sexta 09/12/2011, na Universidade Federal de Pernambuco.

Após o credenciamento dos participantes, com um pouco de atrazo, o Prof. Dr. Francisco lima, nosso querido e estimado Chico, proferiu as primeiras palavras, abrindo o evento e compondo a mesa para apresentar alguns dos personagens que fariam daquele um belo dia de inclusão. O Auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas Barbosa Lima Sobrinho(UFPE), tinha, naquele momento, aproximados 200 intusiastas pela áudio-descrição.

Após a abertura e falas de algumas personalidades, fomos comtemplados com uma belíssima apresentação do coral infantil da Escola Poliedro, onde estuda a filha do Prof. Fransisco. Não é preciso mencionar que as crianças encantaram e emocionaram a nós todos que assistíamos.

Obs.: todo o evento recebeu a áudio-descrição ao vivo das amigas Fabiana e Patrícia pordeus, que fizeram um brilhante trabalho para nós que não podíamos ver o que acontecia nas entrelinhas, risos. Obrigado meninas e parabéns.

Após aplaudirmos o último número do coral das crianças, fomo presenteados com a primeira mesa redonda do dia: A trajetória da áudio-descrição na Laramara: relatos sobre a formação de áudio-descritores e fala dos usuários. O casal Rô e AC Barqueiro dispensa comentários. Simplesmente eles deram um show na condução da palestra, mostrando o quanto se avansa na questão da inclusão quando se faz um trabalho com estrema responsabilidade. Parabéns Rô e AC. Espero que, o quanto antes, eu possa conhecer de perto o trabalho de vocês.

Bem, devido ao atraso do inícil dos trabalhos, o nosso coffe break foi pro espaço! Mas o que emporta, não é? o que nós queríamos era áudio-descrição!

Ouvimos a primeira das 3 comunicações orais antes de dar uma pausa para o almoço.

Na volta, pudemos apreciar os pôsteres áudio-descritos, onde haviam voluntários, estrategicamente posicionados, para fazerem a leitura das áudio-descrições para nós cegos.

Nos reunimos no auditório para ouvirmos as outras duas comunicações, entre elas a das amigas áudio-descritoras Fabiana e Liliane, que nos relataram o trabalho de áudio-descrever a Fenearte, feira de artezanato, de caráter internacional, que acontece anualmente no Recife no Centro de convenções .

Bem, tendo digerido, como sobremesa risos, o belo trabalho feito pelas garotas, encaramos uma verdadeira maratona de vídeos áudio-descritos, uns com Voice Over, outros com áudio pré gravado, mas todos com muita qualidade nas áudio-descrições. Os vídeos foram áudio-descritos como trabalhos da disciplina de áudio-descrição do curso de rádio, TV e internet da Universidade Federal de Pernambuco e dos alunos do IV curso de tradução visual com ênfase na áudio-descrição, do qual eu tenho imenso orgulho de fazer parte.

Entre esses trabalhos, eu, particularmente, tive a grata surpresa de ver uma das alunas, Taís, do curso de rádio, TV e internet, a qual cursou a disciplina de AD, fazer uma belíssima áudio-descrição ao vivo de 3 trechos de filmes. Obs.: ela não foi só responsável pela maravilhosa lucução, mas também gpela roteirização das áudio-descrições. Parabéns e obrigado Chico, por descobrir essa joia rara da AD. Por favor, não deixe que ela se perca!

Bem, as exibições das áudio-descrições foi algo que os dedos não conseguem transmitir aquilo o que o coração sentiu.

Outra áudio-descrição que nos deixou estasiados de alegria foi a do curta "Recife friu", que conta a história de uma Estranha mudança climática que faz Recife, na região Nordeste do Brasil, passar a ser uma cidade fria. O documentário de uma TV estrangeira examina os efeitos da mudança em toda uma cultura que sempre viveu em clima quente.

A AD em Voice over feita pelos amigos Paulo, a quem eu não recordo neste momento o sobrenome e Liliane, foi de um brilhantismo sem igual, pois mesmo o filme narrado em espanhol cujas legendas foram lidas pelo Paulo e a locução dos elementos visuais feito pela liliane, eles conseguiram dar uma cincronia às vozes de forma que nós não perdemos absolutamente nada do filme: nem as falas e muito menos os elementos visuais.

Quando terminou a exibição de áudio-descrição, a qual chamamos de uma maratona de AD, já era aproximadamente 19:00.

Eu não sei o que era maior em nós naquele momento, se o cansaço ou a alegria de vivenciar tudo aquilo. Mas, não era hora de pensar nisso! Pausa para um cafezinho que o longo dia ainda nos guardaria boas surpresas!

Na primeira mesa da noite, a alagoana Rita Mendonça nos contemplou com sua palestra: A história legal da áudio-descrição: ações e perspectivas. Foi um relato rápido, porém riquíssimo em informações.

Após a apresentação da Rita, para fechar a noite com chave de ouro, foi a vez de Letícia Schwartz trazer para nós sua experiência com a palestra: Mil Palavras traduzem um milhão de imagens, cores, movimentos…:áudio-descrição na prática. Na verdade, essa palestra tornou-se um grande e delicioso debate, pois do público inicial estávamos reduzidos a cerca de 10 ou 15%. A experiência, as ponderações, os exemplos passados por Letícia para nós na noite desta última sexta, infelizmente não tem como serem traduzidos em palavras, pois, para mim, foi algo sublime.

Se participar do curso de tradução visual com ênfase na áudio-descrição com o professor Francisco foi algo estremamente enriquecedor para o meu conhecimento teórico no campo da Ad, concluí-lo com o relato maravilhoso da Letícia Schwartz foi algo inimaginável de tão bom. Sem dizer que durante a fala dela nós podíamos intervir com colocações, questionamentos, depoimentos, etc. Por tanto, vocês podem imaginar como deve ter sido uma conversa sobre áudio-descrição onde estavam presentes personalidades nessa área como Rô e AC Barqueiro com a bagagem trazida do seu trabalho na Laramara, a Rita Mendonça com seu conhecimento na área legal, o Prof. Francisco Lima, que para mim dispensa qualquer tipo de comentário, nós, cegos que tínhamos nossas perspectivas na condição de segos e áudio-descritores consultores, tudo isso conduzido pela Letícia Schwartz, que se já tinha me encantado com seu belo trabalho, me fez crer o quanto com um trabalho feito com dedicação, responsabilidade, satisfação pode nos dar ótimos frutos.

Eu, particularmente, deixei a Universidade Federal aproximadamente às 21:50 de alma lavada por ter tido a oportunidade de compartilhar o pouco do que eu aprendi com pessoas que já trilharam um caminho tímido na áudio-descrição, mas fantástico por tudo o que produziram.

Espero que eu tenha conseguido passar um pouquinho dessa mostra para os que não poderam estar conosco, mas com certeza estarão das próximas vezes e perdoem-me se eu coloquei mais emoção do que deveria neste relato, mas a situação não me permitiu fazê-lo diferente.

Um forte abraço a todos e um excelente final de semana.

Milton Carvalho.

Fonte: enviado por email para o blog.

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