Ultrapassando fronteiras: audiodescrição agora na África

Quando Aziz Bouallouchen, que tem deficiência visual, chega no hall de entrada de um cinema na cidade marroquina de Marraqueche, a ele não é dado um par de óculos 3D como se poderia esperar em cinemas ao redor do mundo: ele recebe um par de fones de ouvido.

Aziz Bouallouchen

Aziz Bouallouchen, que perdeu a visão há sete anos, agora sente-se parte do mundo do cinema. Cada assento é equipado com dispositivos especiais para aumentar o prazer das pessoas cegas ou com baixa visão amantes de filmes.

O filme exibido é "Lalla Hoby", uma comédia marroquina popular sobre um homem que cruza o Estreito de Gibraltar, a fim de encontrar sua esposa que o deixou por outro homem, indo morar na Bélgica. Lançado em 1996 é, até o momento, o único filme produzido no norte da África que foi adaptado para fornecer a audiodescrição aos espectadores cegos.

Descrevendo o processo

Homem explica a uma criança  cega e outra com baixa visão como usar os fones de ouvido

Com Fones de ouvido conectados a pequenos receptores nos braços dos assentos, Aziz Bouallouchen ouve uma voz explicando as seqüências de ação, linguagem corporal, o cenário, o "in-between" – momentos em que se perde o significado do filme.

"É uma idéia brilhante", diz Aziz Bouallouchen. "Eu não era capaz de ver um filme desde que eu comecei a sofrer de uma doença que me tirou a visão, mas agora eu posso sentir parte do mundo do cinema", diz ele.

Sr. Aziz Bouallouchen perdeu a visão em 2005, após uma doença rara chamada síndrome de Behçet atacar seu nervo ótico. Sete anos depois, ele está sentado ao lado de pessoas que enxergam, "assistindo" um filme. E, graças à descrição em áudio, "todo mundo ri ao mesmo tempo" com as palhaçadas do herói de "Lalla Hoby", como quando ele cai de um pequeno barco durante a travessia do Estreito de Gibraltar.

Nadia El Hansali – Marrakesh International Film Festival Foundation

Marrocos está liderando o mundo árabe no uso dessa tecnologia. "Nós somos o único país na África e no mundo árabe que oferece esta oportunidade aos cegos", diz Nadia el-Hansali da International Film Festival of Marraquexe Foundation.

A fundação – que hospeda o festival anual de cinema onde os filmes audiodescritos foram apresentados – é responsável nos últimos dois anos pelo financiamento dessa adaptação para pessoas cegas. A fundação já realizou a audiodescrição em mais oito filmes, incluindo L’Atlante (1934), A Rainha Africana (1951) e East of Eden (1955). Ao longo dos próximos 18 meses outras seis obras serão adaptadas.

Ms el-Hansali escreve os roteiros das descrições para os narradores. É um trabalho muito preciso, com o encaixe de áudio exatamente nos espaços entre o diálogo dos atores.

Temos trabalhado muito no quanto é necessário descrever para que uma pessoa cega possa compreender completamente o filme. Ms el-Hansali diz: "Eu não dou muita informação porque só iria confundir aqueles que não podem ver a tela.

A verdadeira emoção do cinema

Mouhamed Doukkali

Mohamed Doukkali é um professor de Filosofia, de cabelos brancos, na Universidade de Rabat na capital do Marrocos. Ele é fã de tecnologia e usa um computador adaptado para seu trabalho diário. "Uma das vantagens da nova tecnologia é remover alguns dos obstáculos do nosso caminho", diz o Sr. Doukkali.

Ele se define como um verdadeiro cinéfilo, mas diz que frequentemente assiste os DVDs em casa com alguém lhe dizendo o que está acontecendo. Ele está entusiasmado de ter finalmente a possibilidade de frequentar o cinema.

"Graças a uma voz que descreve o que está acontecendo na tela, nós somos capazes de compreender os filmes de uma forma que não fazíamos antes", diz. "É muito mais agradável assistir a um filme na companhia de uma grande plateia – afinal de contas, isso é que é cinema."

Fonte: Morocco Tomorrow

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