Carnaval 2012: ainda sem garantia de audiodescrição na Sapucaí

Cega desde 1 ano e 2 meses, quando teve um câncer, a bela Giovanna, de olhos azuis penetrantes, curte o Carnaval através do som. Musicista formada pela Universidade de São Paulo (USP) e cantora lírica, ela fará parte do primeiro grupo de jurados de bateria cegos do Carnaval paulistano, que vai estrear no sambódromo do Anhembi este ano. "Estou muito ansiosa porque a responsabilidade é grande", diz Giovanna. A iniciativa, criada pela União das Escolas de Samba Paulistanas (Uesp) em parceria com a SPTuris, é uma das várias ações que visam incluir deficientes físicos e visuais nos desfiles do Rio de Janeiro e de São Paulo neste ano.

A paulista Giovanna Maira, 25 anos, sempre gostou de Carnaval. A alegria dos sambas-enredo, a vibração da plateia e a importância dessa manifestação cultural tipicamente brasileira fizeram com que a jovem acompanhasse os desfiles desde a infância. Mas, para ela, essa celebração não pode ser traduzida apenas como um espetáculo visual.

Giovanna Maira

JURADA Giovanna Maira, deficiente visual, faz parte do primeiro grupo de jurados de bateria cegos do Carnaval de São Paulo

Junto de Giovanna, outros quatro deficientes visuais participaram de aulas teóricas, aulas práticas e avaliações para aprender como julgar uma bateria. "Esse quesito deve ser avaliado apenas pelo som, sem a influência de fantasias ou coreografias, por isso decidimos capacitar deficientes visuais para a tarefa", explica Kaxitu Ricardo Campos, presidente da Uesp. Cada avaliador receberá R$ 400 por dia de trabalho, seja ele deficiente ou não. "A iniciativa foi muito bem recebida pelas escolas e pretendemos continuá-la ou até expandi-la no ano que vem".

Na pista onde acontecem os desfiles, outros deficientes físicos e visuais também prometem brilhar. A escola de samba Camisa Verde e Branco abrirá o Carnaval de São Paulo, na sexta-feira 17, com uma ala composta por 100 deficientes visuais e seus acompanhantes. A ideia partiu do carnavalesco Anselmo Brito, que possui somente 30% de visão e está na fila de espera para um transplante de córnea. "Inspirado pela minha própria dificuldade, resolvi retratar na avenida a importância da doação de órgãos", diz Brito.

Fernando Passos

O cadeirante Fernando Passos ensaia para desfilar na comissão de frente da escola paulistana Unidos de São Lucas.

Já a escola Unidos de São Lucas, do grupo de acesso, trará no desfile 30 deficientes físicos e mentais em uma ala especial e um cadeirante na comissão de frente, quesito que conta pontos. Deficiente físico desde o parto, o analista de sistemas Fernando Passos, 46 anos, vai entrar pela primeira vez no Anhembi já numa posição de destaque, na comissão de frente. A coreografia, garante, será a mesma para todos os integrantes, deficientes ou não. "Não há diferença. Saio da cadeira, vou para o chão e dou até pirueta", conta Fernando, com orgulho.

No Rio de Janeiro, a Acadêmicos do Grande Rio deve emocionar os foliões com um enredo que fala sobre superação, após um incêndio ter destruído o barracão da agremiação dias antes do Carnaval de 2011. Uma ala do desfile será totalmente dedicada à superação no esporte e contará com atletas paraolímpicos.

Giorgette Vidor

A escola também homenageará Clodoaldo Silva, maior medalhista da natação paraolímpica do Brasil, e a treinadora Georgette Vidor, cadeirante e titular da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPD) do Rio. "Estou muito feliz em poder participar desse enredo e os atletas paraolímpicos são o melhor exemplo de superação que a escola poderia mostrar", disse Georgette.

A secretaria também estuda disponibilizar novamente neste ano o serviço de audiodescrição dos desfiles. No ano passado, por dia de apresentação, 60 fones foram distribuídos para deficientes visuais, que puderam ouvir em detalhes a descrição da passagem das escolas. Bom seria se o caráter democrático e inclusivo do Carnaval se espalhasse para todas as esferas da sociedade.

Paula Rocha

Fonte: Isto É – Comportamento

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