Para entender a audiodescrição

Nunca aconteceu de você estar em um cinema, ouvir uma conversinha insistente, virar para pedir silêncio e constatar que é alguém contando o filme para uma pessoa com deficiência visual? Comigo já, há pelo menos quinze anos.

Com a audiodescrição, essa pessoa receberia as mesmas informações e ao mesmo tempo que quem enxerga, sem ajuda de ninguém. Como? Hoje, em sessões programadas, são entregues na entrada receptores de áudio, os mesmos utilizados para tradução simultânea: um aparelhinho que a pessoa com deficiência visual liga, desliga e controla o volume, ligado a fones de ouvido, por onde ouve a narração das imagens: descrição bem clara e objetiva de ambientes, pessoas, gestos e expressões fisionômicas, enfim, os principais elementos visuais que facilitam e ampliam sua compreensão do filme.

A audiodescrição, ou AD, é inserida entre as falas dos personagens, nos momentos de silêncio. Já um livro de fotografias, por exemplo, vem com um CD anexo com a narração das imagens. É comum a confusão entre audiodescrição e audiolivro ou audiobook: audiodescrição é a narração de imagens; audiolivro é a narração do texto. A AD é aplicada em filmes, programas de TV, peças de teatro, óperas, exposições, desfiles, jogos esportivos, seminários, missas e até casamentos! Pode ser gravada, mas muitas vezes é necessário que seja feita ao vivo. Neste caso, a única diferença é que o audiodescritor está transmitindo as informações para os receptores de áudio no local do evento, por microfone, muitas vezes instalado em uma cabine fechada.

A AD também beneficia pessoas com deficiência intelectual, as disléxicas e os idosos. E o audiodescritor precisa ter um bom poder de observação (o olho treinado vem mesmo é com a experiência), um grande poder de síntese (ou seja, texto e vocabulário excelentes), conhecimento do universo da pessoa com deficiência visual e, acima de tudo, gostar (e muito) de audiodescrição! É isso.

por luciamaria.sp

Fonte: Blog outros olhares



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