Prefeitura de Porto Alegre estréia série de espetáculos teatrais com audiodescrição

"O fogo ainda crepita dentro da lata de tinta. Na penumbra, Monk bebe da garrafa de bolso. Joga a cabeça para trás e ergue a garrafa, despejando a bebida para dentro da boca. Cambaleia. Bebe mais. Deixa-se cair sentado no chão. Deita."

O trecho faz parte da audiodescrição feita pela intérprete Letícia Schwartz, da Mil Palavras – acessibilidade cultural, para a peça de teatro "Nossa Vida Não Vale um Chevrolet".

Este foi o primeiro espetáculo financiado pelo Fumproarte, da Secretaria Municipal da Cultura, a disponibilizar acessibilidade para pessoas com deficiência visual.

A audiodescrição consiste em contar para os cegos o que está sendo apresentado durante uma encenação teatral, sessão de cinema, espetáculo de dança, exposição de artes visuais e outras áreas culturais.

No dia 20 de abril, 15 minutos antes de a peça começar, os atores já estavam em cena e o público já podia pegar os fones de ouvido para acompanhar a descrição que se iniciava. Todo o cenário foi detalhadamente delineado, e enquanto os artistas andavam livremente pelo ambiente, eles também eram apresentados. A forma física, vestimentas e personalidade de cada personagem foram narradas para que todos já soubessem o clima inicial da peça. Sentada na recepção, uma menina tinha a expressão maravilhada enquanto ouvia a descrição, pois assim podia se sentir completamente inserida no contexto teatral.

Após a apresentação aconteceu um bate-papo com o público, para que pudessem expor suas impressões e opiniões sobre o espetáculo. O gerente do Fumproarte Alexandre Magalhães e Silva frisou a importância da participação do público-alvo neste tipo de iniciativa, para que ela possa ser repetida muitas vezes e para que a cabine de audiodescrição seja comum nos teatros da capital.

Depoimentos

Alguns deficientes visuais da platéia fizeram questão de se manifestar, e agradeceram emocionados pela oportunidade. Márcia Santos ficou satisfeita por Porto Alegre finalmente estar proporcionando esse avanço, e complementa: "é de extrema importância para que nós, deficientes visuais, tenhamos uma real inclusão cultural". Da platéia, Max levantou o braço e deu seu recado: "Estou muito contente por poder assistir uma peça com autonomia. Sempre gostei de teatro, mas sempre dependi de alguém para me contar os detalhes". Marilena foi assistir um ensaio da peça onde não contou com a audiodescrição, e se impressionou com a diferença. "Hoje os atores pareciam até mais emocionados", confessou. André, de maneira muito bem humorada, disse que foi fantástico poder "enxergar" a Magali e a Sílvia (as personagens femininas). Para ele foi um prazer inenarrável poder assistir uma peça em pé de igualdade com todos os outros.

A próxima apresentação com audiodescrição será o espetáculo de dança aérea TRAJETÓRIAS, de Cristiano Carvalho dos Santos, que acontecerá no final do mês de junho, no Teatro Renascença. Outros projetos já foram selecionados para serem apresentados ainda este ano (sem data definida), são eles:

HOTEL FARRAPOS, de Lisandro Santos (Produção de curta-metragem em animação 2D)

FÉRIAS, de Iuli Gerbase (filme curta-metragem de ficção)

RESGATE DE UMA OBRA, de André Caruso Guarisse (resgate da obra gráfica e escultórica de Christina Helffensteller Balbão)

Texto de: Livia Auler (estagiária) com supervisão de Fabiano Cardoso

Edição de: Álvaro Luiz Oliveira Teixeira

Fonte: Assessoria de Comunicação Social da Prefeitura de Porto Alegre

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