Relato do II Seminário de Acessibilidade em Ambientes Culturais

Com o objetivo de desenvolver o pensamento analítico através de debates que visam enfatizar aspectos de relação direta da questão da acessibilidade com o cotidiano do público, e a fim de proporcionar a difusão de informação e a discussão acerca da integração da temática da acessibilidade nos contextos da Museologia, Arquitetura e Design, entre outros, Porto Alegre foi sede nos últimos dias 16 a 18 de maio, do II Seminário Nacional de Acessibilidade em Ambientes Culturais.

O evento que teve como objetivo maior alcançar propostas de elaboração de projetos que qualifiquem os ambientes culturais, possibilitando o acesso de todos, contou com a presença de diversas autoridades no segmento de acessibilidade para espaços culturais, onde a troca de experiências foi um dos pontos mais destacados ao longo da atividade.

Gestora Cultural da Alecrim Produções Culturais, Ana Adams, destacou a valorização da cultura como expressão e ferramenta de transformação social: "A Alecrim faz a produção local da Mostra de Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, que já conta com 6 edições e é uma realização da Secretaria Direitos Humanos do Governo Federal." disse Adams.

A Coordenadora da ONG Mais diferenças, Carla Mauch, falou de Educação e Cultura Inclusivas, e cartografou a deficiência e a Cultura, com dados do Programa Mais Cultura, que faz parte da agenda social do Ministério da Cultura, desde 2009, e apontam que 13% dos brasileiros frequentam cinema uma vez por ano e 92% dos brasileiros nunca frequentaram museus; 93,4% dos brasileiros jamais frequentaram alguma exposição de arte; 78% dos brasileiros nunca assistiram a espetáculo de dança; 73% dos livros estão concentrados nas mãos de apenas 16% da população. Carla finalizou a sua fala com a Convenção da ONU sobre os Direitos da Pessoas com Deficiência, Artigo 30, que trata da "Participação na vida cultural e em Recreação, Lazer e Esporte" e a Lei de Incentivo à Cultura.

Em um segundo momento das atividades do seminário, foi a vez do coordenador da ONG Mais Diferenças, Luis Henrique Mauch, falar sobre o Projeto "Cinema Inclusão", que leva o cinema, em uma perspectiva inclusiva, para espaços educacionais e culturais, possibilitando que a linguagem cinematográfica seja incorporada às práticas e ao cotidiano. Nesta amostra, foram exibidos dois filmes, Menina da Chuva e Retrovisor, ambos com o recurso da audiodescrição. O Documentário "Olhares", com a direção de Mariana Baierle e Felipe Mianes, com audiodescrição, foi exibido pela primeira vez durante o evento, o documentário aborda o tema de acesso à cultura por pessoas com deficiência visual.

O historiador e doutorando em Educação pela UFRGS, Felipe Leão Mianes e a jornalista e mestre em Letras pela UFRGS, Mariana Baierle Soares, ambos com deficiência visual, são pesquisadores na área da produção cultural e prestam consultoria sobre acessibilidade e audiodescrição.

No segundo dia do Seminário, Amanda Tojal, Coordenadora do Programa Educacional da Pinacoteca de São Paulo, destacou que "para falar em Porto Alegre temos que estar um passo à frente". A partir disso, ela trouxe o Princípio da Equidade, da UNICEF, que diz que a inclusão percebe as diferenças, respeita as diferenças e trabalha as necessidades, explanados em seu trabalho realizado, que denomina como Museu Acessível e Multissensorial.

Clarice Chartzmann, Produtora da Antena Cultural, falou sobre as diferentes formas de fomento à cultura, como o Fundo de Apoio à Cultura – FAC, Lei Rouanet, e os diversos Editais, como o da FUNARTE e da FUMPROARTE. O FUMPROARTE, onde foram escolhidos cinco projetos aprovados, e financiou a audiodescrição destes.

A produtora avalia positivamente projetos que contemplem a Acessibilidade, segundo ela, o Banco do Brasil segue a mesma linha, tendo como pré- requisito a Acessibilidade.

Para o Secretário Estadual da Cultura, Wagner Ferraz, o destaque foram os Aspectos Culturais sobre a Elaboração de Projetos Culturais.

Liége Adamski, mestranda da UFRGS, palestrou com o tema "Como Captar Recursos para Projetos Culturais". Salientou que devemos sensibilizar e analisar os perfis das empresas, antes da elaboração e redação do Projeto, onde "Inovação" é a palavra do momento no sentido de elaborar projetos.

No último dia do Seminário, o professor Cláudio Mourão, Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Professor de Libras e Professor de teatro e dança de salão, palestrou sobre Cultura Surda e Inclusão. Falando sobre Literatura Surda, Filmes, Teatro, discussões políticas, educação, Escola Bilíngue e sobre o Movimento realizado em Brasília, no ano passado, onde milhares de pessoas se reuniram em Brasília, defendendo a Escola Bilingue, ele destacou os "10 Anos da Lei da Libras", em 24-07 e a Audiência Pública que aconteceu na Assembleia Legislativa, em defesa da Educação de Surdos e Escola Bilíngue para Surdos: "A Escola Bilíngue de Surdos considera a subjetividade da criança, o modelo surdo de um professor, o currículo é diferenciado, incluindo a disciplina da língua de sinais e a história surda, é mais saudável", ressaltou Mourão.

Rilmar Romano da ONG Mais Diferenças falou sobre "Experiências Culturais Inclusivas numa Perspectiva Bilíngue". Rilmar é surdo, e sua família é de surdos. Lembrou que quando criança tinha pena dos vizinhos que não escutavam, e que o único ouvinte da casa era o cachorro. Contou que o sinal de passear o cachorro compreendia até o dia em que o cachorro ficou surdo. Hoje, ele tem que tocar no cachorro quando chega em casa.

Rilmar falou dos programas que a ONG desenvolve, como o de Educação, de Osasco; Projeto Guri; Paz na Diferença, que no mês de dezembro, em parceria com outras ONGs, Pessoas com ou sem deficiência, com Transtornos Globais do Desenvolvimento, confeccionaram 1000 Origamis pela paz, em memória de uma menina japonesa com câncer que queria confeccionar 1000 origamis e faleceu antes disso. Além disso, Rimar Romano, ainda destacou a importância quanto a discussão da implantação do ensino de Libras desde os primeiros anos de vida.

Outra palestrante do evento, Adriana Thoma, que é doutora em educação pela UFRGS, responsável pelo Programa Incluir da UFRGS, relatou sua visita à CUBA, onde já existe um programa onde uma equipe já leva à Libras nas casas de bebês que nascem com surdez. Adriana informou que na UFRGS há 16 pessoas surdas trabalhando em diferentes projetos.

Finalizando o Seminário, a Deputada Federal Mara Gabrilli, publicitária, que há 17 anos sofreu um acidente de carro que a deixou tetraplégica, falou com orgulho da publicação do 1º Guia Cultural Acessível de São Paulo, que tem também versão on line, e também de sua experiência acumulada de ajudar a melhorar a vida das pessoas com deficiência. Gabrilli foi relatora da Medida Provisória 550 que autorizou a linha de crédito para pessoas com deficiência e relatora do projeto de Lei sobre Autismo: "Quanto à Acessibilidade, a barreira atitudinal é a pior", falou Gabrilli.

Fonte: Assessoria Tecnica e ACOM FADERS

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