Ana Paula Crosara de Resende: nossas homenagens

Recebi ontem a notícia de que Ana Paula Crosara de Resende havia falecido e ainda não consegui me recuperar do abalo pela perda de uma amiga tão querida, uma guerreira de tantas batalhas pelos direitos das pessoas com deficiência, inclusive a audiodescrição.

Ana Paula Crosara de Resende

Impossível traduzir em palavras a grandiosidade de seus feitos, as vitórias que conquistou enquanto militante da sociedade civil, e depois no governo como diretora de Políticas Públicas da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência. Dentre tantos batalhadores de nossas causas que já se foram, Ana Paula certamente merece lugar de destaque.

Jamais me esquecerei daquele sotaque mineiro, da forma carinhosa que falava com os amigos, da energia e determinação em sua voz quando defendia seus ideais. Apesar de não ter filhos, Ana Paula deixa órfãos 40 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência.

Pela audiodescrição, Ana Paula colocou uma saia bem justa no ex-ministro das comunicações, Hélio Costa, ao fazê-lo protocolar uma carta reivindicando a audiodescrição na TV (Registro Histórico para a Audiodescrição); pressionou solicitando ao Ministério Público atuação enérgica para garantir esse direito (Corde e PFDC se reunem para discutir comunicação acessível); aproveitou todas as oportunidades para colocar o assunto na mídia (Repórter Justiça falará sobre audiodescrição, closed caption e Libras e ainda Audiodescrição em dose dupla nos programas De igual para igual e Questão de direitos); enquanto conselheira do Conselho Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, emitiu parecer rebatendo argumentação dos que eram contrários a audiodescrição na TV (Parecer do CONADE sobre audiodescrição); como advogada, assinou a petição inicial de ação contra a União para exigir o cumprimento da legislação que nos garante esse direito (ADPF 160: Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental); e ainda impetrou Mandado de Segurança para garantir que as pessoas com deficiência fossem ouvidas pelo governo (Mandado de Segurança: falta de acessibilidade em consulta pública realizada pelo Ministério das Comunicações).

Por tudo isso, e muito mais, quase deixo de acreditar no ditado que diz: ninguém é insubstituível. Fique em paz, querida Ana Paula. Faremos o possível para honrar e dar continuidade às suas conquistas.

Saudades,

Paulo Romeu

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