FIG 2012: dança e teatro com acessibilidade

DANÇA – A Companhia Gira Dança de Natal apresentou o espetáculo "O Jardim das Rosas Amarelas", sobre um tema difícil. Com a pergunta "é possível construir um outro mundo?", os bailarinos lançam esperança em relação à capacidade humana de criar.

Jardim das Rosas Amarelas

Espetáculo O Jardim das Rosas Amarelas, com audiodescrição e Libras.

No palco, seis bailarinos, sendo três com deficiência (um com deficiência visual, um com Síndrome de Down e um usuário de cadeira de rodas). Na plateia, pessoas com deficiência visual, de locomoção e auditiva puderam acompanhar o espetáculo. Neste ano, o FIG terá nove espetáculos com audiodescrição, rampas de acesso e libras.

Dona Marluce de Souza, 59 anos, perdeu a visão há quatro anos. Ela nunca tinha vindo ao teatro. Na sua estreia, descobriu muitas surpresas. "Posso não ter mais um sentido, mas os outros quatro entraram em ação. Foi uma experiência muito boa. Aprendi bastante a utilizar outras linguagens", disse.

"O Jardim das Rosas Amarelas" começou mostrando a dificuldade de se perceber fazendo parte de grupos tidos como minorias, como as pessoas que não podem andar, não podem enxergar, ou os negros, vítimas de racismo. À medida que o enredo avança, os personagens passam a se aceitar.

Se depender da aposentada Maria do Carmo, 56 anos, moradora de Garanhuns, o recado foi captado. Para ela, a dança já cumpre esse papel. "Só por levantar essa ideia de inclusão social, aceitação, e incentivar o debate, a arte já fez sua parte. Sempre quis ser dançarina. Aqui, projeto um pouco do meu sonho. Assistir aos espetáculos desses excelentes grupos me completa. Um pouquinho de mim está ali no palco. A dança, na verdade, projeta nossas angústias, aflições e alegrias por meio de uma linguagem corporal ímpar", avalia.

Prisão da Minha Vida

TEATRO – O público continua fiel à programação de teatro do Luiz Souto Dourado. Nesta segunda-feira (16/7), a Companhia Teatral Carcará, do município de Garanhuns, subiu ao palco com "Prisão da minha vida", que retratou a vida de dois presidiários. Na trama, os personagens de Germano e Fernando, representados por Anderson Jaime e William Joel, falaram sobre as angústias da vida. Com texto de Marcos Freitas e direção de Wando Pereira, a encenação também falou sobre inclusão social. A reinserção social de detentos e a homossexualidade foram temas abordados. A peça também contou com audiodescrição e libras.

Fonte: Festival de Inverno de Garanhuns 2012

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