Festival de Gramado aposta na inclusão

Aquele cinema "clássico" pode estar acabando. Tecnologias como o 3D, as telas IMAX e a qualidade de som e imagem cada vez melhores são algumas das evoluções pelas quais a sétima arte passou nos últimos anos. Mas, além da diversão, algumas beneficiam também pessoas com deficiência, como os deficientes visuais e auditivos. E é pensando neles que o Festival de Cinema de Gramado exibe sessões com audiodescrição e debate o uso das legendas em filmes brasileiros.

Neste ano, a audiodescrição aparecerá pela segunda vez no Festival. Na primeira, o filme "Saneamento Básico" teve suas cenas narradas para deficientes visuais. Desta vez, as sessões acontecerão com o filme "Colegas", do diretor Marcelo Galvão.

Segundo Marcelo, a experiência é positiva. "Para mim, é novo. Quanto mais a gente conseguir incluir, mais bacana. É um público grande, fico feliz que nosso filme esteja servindo também para outros espectadores", comemora.

40 anos Festival de Cinema

Ator Ariel Goldenberg, diretor Marcelo Galvão e atriz Rita Pokk no Festival

Os responsáveis pela transcrição do roteiro do filme em áudio são o pessoal da Tagarelas Produções, especializada no assunto. Márcia Caspary, coordenadora do projeto, roteirista e narradora, explica como ocorre todo o processo: "Na primeira vez, nós ouvimos o filme sem as imagens, para ver até onde conseguimos entender. Depois, tentamos esboçar um roteiro. Usamos os espaços da fala pra inserir descrições, usando o mínimo de palavras, com objetividade". Com experiência no assunto, ela garante que a situação só melhora. "O preconceito está sendo derrubado por uma nova consciência. Isso é fantástico, veio para ficar. Essas pessoas querem consumir cultura, querem se divertir, tem muita demanda", garante.

Projeto Legenda Para Quem não Ouve mas se emociona

Integrantes do projeto Legenda para quem não ouve, mas se emociona

Além das sessões com audiodescrição, o Festival promove também a discussão sobre legendas em filmes brasileiros. O projeto beneficiaria deficientes auditivos. Tudo faz parte da campanha "Legenda para quem não ouve, mas se emociona", coordenado por Carilissa Dall’Alba. Deficiente auditiva, Carilissa explica como funciona: "A campanha existe há oito anos em todo o Brasil". Ela defende a utilização de legendas no teatro e nos filmes, inserindo os surdos nas atividades culturais brasileiras. "O Festival de Gramado é importante para nós, já que podemos mostrar os projetos para diretores e atores", diz.

A sessão do filme "Colegas" com audiodescrição acontece no dia 13 de agosto, às 21h30, no Palácio dos Festivais, em Gramado. O debate quanto ao uso de legendas em filmes brasileiros acontece no dia 18, às 13h30, no Teatro Elisabeth Rosenfeld, também em Gramado.

Fonte: Rede Globo

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