Menos Que Nada: relato da sessão acessível

Ontem aconteceu a exibição do filme nacional "Menos que Nada", com audiodescrição e legendas. Talvez eu esteja exagerando, mas foi a realização de um sonho: assistir a um filme nacional com legendas – significando acessibilidade às pessoas com deficiência auditiva – e também minha primeira experiência com audiodescrição – acessível às pessoas com deficiência visual. Eu realmente espero que as palavras do diretor se tornem realidade. Ele disse algo como “é o primeiro filme feito dessa maneira, mas esperamos que se torne o padrão”.

Eu estava empolgado para ver o filme. Estava otimista, achei que a sala ia lotar. Tinham 85 lugares disponíveis e ocuparam uns 50-60. Ainda assim, é um bom número, considerando que era uma 5ª-feira cedo da noite (19h).

Antes do filme começar, teve uma introdução descritiva falada de cada personagem, parecido com o exemplo a seguir: "João é um arquiteto. Ele aparece em 2 momentos distintos durante o filme – no presente e há 25 anos. Nos dias de hoje, ele veste roupas formais e tem cabelo grisalho. No passado, ele vestia camiseta e bermuda e seu cabelo era castanho. Essa é a voz de João: (João fala alguma coisa)". Essa é a estratégia adotada para as pessoas com deficiência visual se familiarizarem um pouco com os personagens. Depois disso, a história começou.

O trabalho em conjunto da roteirista, do técnico de áudio, dos consultores e do narrador resultou em um trabalho tão maravilhoso que até eu consegui ouvir e compreender a maioria do que era dito, com o apoio da informação visual. Parabéns!

As legendas eram bem como eu queria que fossem: sem simplificação, elas tentavam imitar, copiar exatamente o que era dito no momento. Até os palavrões foram mostrados haha.

Não se preocupem, não vou contar a trama do filme.

Depois de terminado o filme, iniciou-se um debate envolvendo o diretor, o ator que fez o papel do personagem principal, a roteirista, o técnico de áudio e a plateia. Havia também uma intérprete de LIBRAS, pois era um filme acessível a todos.

Todos da plateia expressaram sua opinião sobre o evento e fizeram algumas perguntas. Sobre a acessibilidade oferecida, apenas boas palavras foram pronunciadas para a companhia que tornou isso possível, a Mil Palavras. A experiência de assistir a um filme com audiodescrição e legendas para todos é legal para uma primeira vez, mas uma vez já é o bastante.

Por que isso? Porque, como disse o ator certa hora no debate, é demais. Quatro formas diferentes de informação tavam sendo oferecidas ao mesmo tempo: a visualização das cenas, o áudio original, as legendas e a audiodescrição. O público surdo se vale de 2 dessas formas: as cenas e as legendas. O público cego/com baixa visão aproveita 2 também: os 2 áudios. O público “não-surdo-e-não-cego/com baixa visão” teve que aguentar os 4 tipos de dados concomitantemente.

Finalmente consegui entender por que algumas pessoas não gostam de legendas. No começo, achei que era pura preguiça delas. Agora, estando no lugar delas, posso dizer que é cansativo e desnecessário estar exposto a informações demais. Aprendi uma boa lição.

Acredito de coração que a audiodescrição e as legendas são, sem dúvida alguma, recursos valiosos que devem estar disponíveis em qualquer lugar, mas através de fones de ouvidos e óculos. Dessa maneira, todos nós podemos estar no mesmo lugar e depois compartilhar o quão bom o espetáculo foi.

Fonte: Um Novo Começo

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