Gestores de comunicação participam de evento na SEDPCD

O Encontro de Gestores de Comunicação do Estado de São Paulo ocorreu na manhã desta quinta-feira, 20, na sede da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. O evento teve a participação da Secretária de Estado Dra. Linamara Rizzo Battistella, do representante da Fundação Memorial da América Latina, o chefe de gabinete Irineu Ferraz Carvalho, e dos jornalistas Maria Isabel da Silva, gestor de Comunicação Institucional da Secretaria; Luiz Carlos Lopes, coordenador de programas e projetos da Pasta e Marcus Aurélio de Carvalho, radialista e professor de comunicação.

Gestores de comunicação se reúnem na SEDPCD

O encontro de gestores de comunicação contou com mais de 100 representantes de órgãos de governo e transmitiu informações sobre acessibilidade na comunicação, visando a inclusão social de pessoas com deficiência. Contou, ainda, com recursos de acessibilidade como intérprete de Libras, estenotipia e audiodescrição.

A Secretária de Estado Dra. Linamara argumentou sobre a capacidade que a comunicação possui em unir as pessoas e lugares. "Comunicação é importante porque a gente não chega em todos os lugares. Mas a nossa mensagem, a nossa comunicação pode chegar", ela afirma. A Dra. Linamara também destacou a necessidade de recursos de acessibilidade nos eventos, congressos, entre outros: "ninguém imagina estar em um congresso internacional sem ter tradução simultânea. É a mesma coisa com a audiodescrição". Ela ainda relembrou o desenvolvimento sustentável, tema discutido na Rio+20: "não se pensa mais em nenhuma forma sustentável de desenvolvimento, sem pensar na inclusão". Ela também enfatizou sobre as atitudes que poderiam tornar a sociedade mais inclusiva: "Quando nós garantimos acesso para um cidadão, nós estamos efetivando nosso compromisso de melhorar a sociedade", ela termina.

Irineu Ferraz relatou sobre a preocupação do Memorial da América Latina em viabilizar a acessibilidade nos espaços do órgão: "o Memorial se preocupa muito com esse trabalho, colocamos elevadores acessíveis na administração. Os auditórios também estão mais acessíveis". Ele também destacou a instalação de piso tátil em toda a sua extensão, motivado pela sugestão da Secretária Dra. Linamara. A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência é sediada no espaço do Memorial da América Latina desde 2008.

A jornalista Maria Isabel da Silva, que coordena os gestores de Comunicação Institucional da Secretaria abriu a programação do Encontro mostrando a terminologia adequada, de acordo com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, para produção de peças de comunicação e também apresentou dicas de atendimento, relacionamento e convivência com pessoas com deficiência. Isabel também destacou a importância dos recursos tecnológicos que permitem acesso a peças de comunicação digitais, como leitor de tela, recurso utilizado por pessoa com deficiência visual: "todas as imagens devem ser acessíveis ao software de voz, leitor de tela, utilizado pelos usuários cegos. Arquivos em formato jpeg, flash e gifs não são acessíveis e devem ter o seu correspondente descrito em texto", enfatizou. Palavras como "vítima" e com diminutivo "coitadinho" soam como pejorativas. Expressões como "portador de necessidades especiais" não são mais usadas, assim como referir-se a pessoas com siglas como PPD,PNE ou PCD: "Vamos utilizar siglas para instituições como PUC e USP, por exemplo, pessoas não devem ser rotuladas com siglas que a designem com deficiência. Aliás, o termo correto para as pessoas com deficiência é simplesmente esse "com deficiência",e não portadoras ou especiais", destacou.

O jornalista e coordenador de programas e projetos, Luiz Carlos Lopes, explanou sobre as ações que a Secretaria articula desde sua criação, em 2008, sob a ótica da Convenção, como a Caravana da Acessibilidade e Inclusão, em sua terceira edição, o Prêmio Ações Inclusivas, o programa Moda Inclusiva, entre outros. Ele ainda relatou sobre o movimento das pessoas com deficiência, os fatores que desencadearam as mobilizações sociais. Além disso, Lopes revelou que atualmente a televisão brasileira é obrigada por lei a exibir 14 horas de programação com closed caption, legendas ocultas destinadas a tornar acessível a programação a quem não escuta.

O diretor Executivo da UNIRR (União e Inclusão em Redes e Rádio), Marcus Aurélio de Carvalho, que já trabalhou no Sistema Globo de Rádio e também na CBN, relatou sua experiência como radialista. Ele tem 10% de visão em apenas um dos olhos. "O jornalista precisa prestar atenção no que diz. Em 1988, um repórter, quando cobria um incêndio, perguntou a um homem com deficiência visual o que ele viu e isso em transmissão ao vivo pela rádio, sem se dar conta da deficiência da pessoa". Em uma apresentação dinâmica e rica de relatos sobre inclusão educacional e social, a partir da própria experiência, ele apresentou vídeo da UNIRR, que prepara alunos com e sem deficiência para atuar no ramo da comunicação. Na gravação, realizada por um cameraman com 1% de visão, mostrava dois repórteres com deficiência visual em uma reportagem sobre a acessibilidade no centro de São Paulo: "Inclusão não é um favor para a pessoa com deficiência. Sociedade inclusiva é algo que todos saem ganhando", frisa Marcus Carvalho jogando luz também sobre a lei de cotas, destinada às pessoas com deficiência para facilitar inserção profissional: "cotas pelas cotas ou cotas por cotados, eis o desafio". O profissional destacou ainda a importância da educação especial como complemento do ensino regular: "Eu fui uma criança com deficiência estimulada a estudar com alunos sem deficiência e certamente isso contribuiu para que conquistasse mais tarde o posto de chefe de uma das principais emissoras de rádio do país".

O Encontro de gestores de comunicação foi encerrado com a promessa de que seja repetido. "Estamos apenas iniciando um diálogo", destacou a Secretária Dra. Linamara, reiterando que a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência se coloca à disposição para apoiar as demais Secretarias e órgãos governamentais para o repasse de conceitos e informações que levem a inclusão das pessoas com deficiência em todos os campos da sociedade.

Cobertura: Dafne Mazaia e Simone Nieves.

Fonte: Secretaria de Estado da Pessoa com Deficiência de São Paulo

Mais sobre audiodescrição
Como parte da programação da Semana Inclusiva, o CineSesc oferece oficinas sobre acessibilidade em espaços
A PUC Goiás e a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas abriram oficialmente
Na próxima terça-feira, dia 14 de março, às 18h, o site do projeto Diversidade na


Mais sobre audiodescrição
Como parte da programação da Semana Inclusiva, o CineSesc oferece oficinas sobre acessibilidade em espaços
A PUC Goiás e a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas abriram oficialmente
Na próxima terça-feira, dia 14 de março, às 18h, o site do projeto Diversidade na