Cinema de autor para pessoas com deficiência visual

A pesquisa em audiodescrição (AD) de filmes vem se destacando dos demais tipos de audiodescrição, envolvendo tanto estudos descritivos quanto exploratórios. Este trabalho, focado em cinema de autor, tem o objetivo de apresentar os resultados de um desses estudos desenvolvidos pelo grupo de estudo LEAD (Legendagem e Audiodescrição) na Universidade Estadual do Ceará (UECE), no âmbito do projeto de cooperação entre a UECE e a UFMG (PROCAD).

O estudo em questão abordou a recepção de pessoas com deficiência visual ao filme O Grão, do cineasta cearense Petrus Cariry (2007). O filme, classificado como cinema de autor, fez parte de duas mostras de cinema acessível realizadas pelo LEAD, que cuidou do roteiro, gravação e edição. O LEAD também produziu O Grão em DVD, contendo menu com audionavegação, audiodescrição, legenda para surdos e janela de LIBRAS.

A metodologia compreendeu uma dimensão descritiva, que classificou e analisou as inserções das descrições contidas no roteiro de audiodescrição, e outra exploratória, que aplicou um teste de recepção sobre a audiodescrição do filme com dois grupos de pessoas com deficiência visual, sendo um grupo com cegueira congênita e total e o outro com baixa visão. Após assistir ao filme, o participante com deficiência visual fazia um relato livre sobre sua compreensão do enredo do filme. Por fim, respondia a um questionário versando sobre a opinião deles sobre a audiodescrição. Todo o processo era filmado para que também as reações ao filme pudessem fazer parte dos protocolos de análise.

Foram consideradas duas variáveis: o espectador com deficiência visual e o gênero do filme, cinema de autor. Os resultados mostraram que não houve diferença de recepção entre os dois grupos analisados, visto que os quatro participantes entenderam e apreciaram O Grão, considerado difícil para a maioria dos espectadores pois, como cinema de autor, foge à narrativa clássica do cinema de Hollywood.

Os dados sugeriram que mesmo o cinema de autor pode ser apreciado por uma audiência com deficiência visual por meio da AD.

Leia o artigo completo de Vera Santiago Araújo.

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