Museus da Bahia: desafio para os visitantes com deficiência

Um levantamento feito pelo historiador e designer Jaime Sodré, integrante do Conselho Estadual de Cultura, demonstra que a acessibilidade para pessoas com deficiência não é levada em consideração na construção de espaços culturais em Salvador.

Apenas seis museus e centros culturais possuem equipamentos que permitem acesso a este público. O levantamento levou em consideração 74 espaços, entre museus e centros culturais.

Segundo o Censo 2010 do IBGE, perto de 700 mil pessoas apresentam algum tipo de deficiência em Salvador. Nesse grupo estão incluídas as motoras, visuais, auditivas, mental e intelectual.

A dificuldade foi vivenciada pelo estudante Raoni Ramos de Carvalho Santos, de 24 anos. Acometido por paralisia cerebral, o que, dentre outras limitações, prejudicou-lhe a coordenação e força dos membros inferiores, Raoni diz que não se sente à vontade para ir aos centros culturais de Salvador. "Prefiro não sair muito", diz.

Dificuldade – Convidado pela reportagem de A TARDE, ele aceitou ir conhecer o acervo da Fundação Casa de Jorge Amado, onde estão registros das obras do mais famoso escritor baiano.

Mas as dificuldades começaram ao procurar locais para caminhar de forma segura pelo Centro Histórico de Salvador. "É difícil caminhar aqui. Os passeios só têm a parede para nos apoiar", reclamou o estudante.

Raoni sendo ajudado pela equipe e uma baiana de Acarajé

Em frente à Casa de Jorge Amado, mais outro obstáculo: os casarões centenários que abrigam o centro cultural e o Museu da Cidade possuem degraus muito altos. O acesso é difícil para a locomoção de quem tem deficiência. Vencer as escadas causou uma fadiga excessiva em Raoni. "Se tivesse uma rampa, seria bem melhor", avalia o estudante. O obstáculo só foi vencido com o auxílio da equipe de reportagem e de uma baiana de acarajé.

O encantamento com os objetos expostos no interior da Casa de Jorge Amado fez com que o desgaste para acessar o centro cultural fosse momentaneamente esquecido pelo estudante. "Olha a máquina em que ele escrevia. Muito legal", apontou, empolgado, Raoni.

A intenção da reportagem era levar o estudante a outros centros culturais, mas o cansaço para vencer outras barreiras desanimou Raoni a prosseguir com o passeio.

Estrutura – A assistente social da associação Projeto Incluir, Elisângela Ramos, afirma que as condições de acessibilidade prejudicam a programação de eventos culturais com os assistidos da instituição. "As pessoas também não estão preparadas para receber visitantes com deficiência", afirma. A Incluir – onde Raoni realiza atividades de educação física e psicomotricidade – fica na Federação.

Já Moari Castro, coordenador do Núcleo de Formação e Acessibilidade da Diretoria de Museus (Dimus), órgão ligado à Secretaria Estadual de Cultura (Secult) , diz que a instituição tem se preocupado com esta questão. "Em muitos eventos, preocupamo-nos com a interpretação em Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) e audiodescrição". Castro lembrou ainda que na 6ª edição da Primavera dos Museus, realizada em setembro passado, a acessibilidade foi tema dos debates.

Fonte: Cabresto

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