A nova dimensão cultural

Com o advento de novas tecnologias, de caráter assistivo, as pessoas passaram a ter a possibilidade de compartilhar das mesmas ferramentas. Vivemos um momento de mudanças em nossa sociedade e gradualmente a exclusividade dá espaço à igualdade.

Analisemos alguns casos específicos: nos anos 90 o telefone móvel era raridade. Poucos tinham acesso. Hoje, jovens e velhos, ricos e pobres, quem não tem um – ou mais de um – aparelho? Também o computador era restrito a poucas pessoas e hoje não vivemos sem ele.

No entanto, não apenas os bens materiais eram de uso exclusivo de uma pequena parcela da população. A cena cultural também não era ofertada a todos. Cinema, shows e peças teatrais, por exemplo, eram frequntados por uma pequena fatia de espectadores.

Queremos nos deter, porém, no enfoque positivo desse processo. Avanços sociais se dão através da interação, do feedback, da comunicação entre as pessoas, gerando desenvolvimento intelectual e social. A comunicação desempenha papel privilegiado na interação humana. Trata-se de uma habilidade que pode ser desenvolvida progressivamente, desde que haja disponibilidade e abertura para que cada um se dê ao outro de forma verdadeira e autêntica, visando o enriquecimento do indivíduo, do grupo e da sociedade como um todo.

Assim, imaginemos: se o celular, o computador e os grandes eventos culturais eram exclusividade de poucos, qual era a situação das pessoas com deficiência? Elas eram privadas de uma série de atividades e eram obrigadas a passar por situações de constrangimento. Pessoas com deficiência visual dependiam de quem lhes descrevesse as cenas de um filme, enquanto cadeirantes enfrentavam a ausência de acessibilidade física.

Acreditamos estar vivendo uma nova realidade, em que vem à tona a importância que temos uns para os outros. É dessa interação que nasce o desejo e a necessidade de refletir sobre a problemática das relações interpessoais, para que se tornem cada vez mais dinâmicas e enriquecedoras. Estamos vivendo uma nova dimensão sociocultural e humana, onde aqueles que se restringiam apenas à sua realidade particular começam a se abrir para outras possibilidades.

É o caso dos audiodescritores, que proporcionam às pessoas com deficiência visual o acesso à cultura no sentido mais amplo da palavra. Descrevem as imagens relevantes de filmes, peças de teatro, exposições e muito mais, levando a pessoa com deficiência visual a se sentir verdadeiramente inclusa. Há ainda empresas que desenvolvem softwares que possibilitam que a pessoa com deficiência visual utilize computador e celular de maneira autônoma. São ferramentas que permitem que a pessoa com deficiência satisfaça suas necessidades, desenvolvendo a autoestima e buscando a realização pessoal através da independência e da participação na vida cultural de cada lugar, sempre em busca da igualdade de oportunidades.

Nossa presença constante em eventos e espaços de cultura e entretenimento que contam com o recurso da audiodescrição está causando impacto e curiosidade no público sem deficiência. Até pouco tempo atrás, a música parecia ser o único interesse e potencial artístico deste segmento. Mas esta realidade está mudando, novas portas se abrem e os conceitos reproduzidos pelo senso comum são transformados no momento em que pessoas com deficiência visual ocupam seus lugares como frequentadores de cinemas, teatros e exposições. Eventos que "não eram para nós", porque a visão era um sentido indispensável e não se buscava qualquer alternativa de acessibilidade.

Pouco a pouco, organizadores de eventos, diretores de cinema, produtores de teatro e gestores em geral vão mudando de postura e reconhecendo que a inclusão das pessoas com deficiência aos meios culturais exige recursos de acessibilidade. Os consequentes investimentos se justificam pela nossa participação ativa nessa discussão e na luta permanente para que os eventos sejam acessíveis e para que, dessa forma, promovam a tão sonhada inclusão universal.

Por: Paulo Fernando Soares Pires Junior

Fonte: Uma Grande História

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