Fundação Liberato discutiu acessibilidade nos cinemas

Imagine ir ao cinema para ver aquele filme que você espera há meses. Só que o longa não possui legenda, nem som, nem imagens. É assim que se sente uma pessoa portadora de deficiência auditiva ou visual quando se depara com a realidade das salas de cinemas brasileiras.

Liberato discute acessibilidade nas salas de cinemas

Lion, Nicole, Natalí e Rodrigo: realizadores do curta "Giras-Giras do Tempo"

O País possui poucos, ou quase nenhum, título comercial com audiodescrição, uma técnica onde um narrador descreve as cenas do longa para as pessoas que possuem cegueira ou baixa visão. Sem falar na falta de legendas para pessoas surdas, ou da inclusão da linguagem de sinais, a libras.

Preocupada com essa realidade, a Fundação Liberato criou a 1ª Mostra de Curta Metragem Acessível Para Pessoas com Deficiência. O evento aconteceu nessa segunda-feira (10) e reuniu realizadores das obras, professores, alunos e o público-alvo da mostra, pessoas que buscam o entretenimento em uma sala de cinema, na TV ou em casa, como qualquer outra.

O pedagogo, Cícero Teixeira, um dos idealizadores do projeto, explica que a instituição sempre mostrou-se preocupada quando o assunto é acessibilidade. "Buscamos a inclusão em diversas maneiras e a audiovisual é uma delas. Essa é a primeira mostra, mas garantimos que ela veio para ficar", ressalta.

Jovens que buscam a inclusão

O grupo de quatro jovens do Instituto de Educação Ivoti (IEI) não escondiam o orgulho de ver na tela grande a obra "Giras-Giras do Tempo", criada e produzida por eles e outros colegas. O curta, totalmente audiodescrito, conta a história de Raul e Sarah, que entre as idas e vindas do tempo se reencontram e se distanciam desde a infância.

"Já havíamos produzido um curta, mas sem o recurso da áudio descrição. Esse foi um desafio a mais", conta Rodrigo Teixeira, 16. A preocupação dos jovens com a excelência do trabalho resultou em um vídeo tocante. "Vimos o curta muitas vezes para termos a certeza de que não passou nada sem ser descrito", conta Nicole Saft, 17.

Os jovens acreditam que iniciativas como estas podem fazer a diferença na vida de pessoas com deficiência visual ou auditiva. "Para nós é fácil ir ao cinema e pronto. Mas precisamos pensar que existem pessoas que precisam de mais atenção. Elas têm esse direito", conta Natalí Saft, 17.

"Poucos títulos disponíveis no mercado são adaptados. Temos que mudar esse quadro, e isso começa aqui", finaliza Lion Moraes, 18.

Após a exibição dos curtas, segui-se um debate com portadores de deficiência, diretores de cinema e a comunidade na busca de soluções para o problema dos filmes e vídeos exibidos atualmente, tanto na TV, quanto no cinema.

Confira os títulos que integraram a 1ª Mostra de Curta Metragem Acessível Para Pessoas com Deficiência:

"Olhares"
"Giras-Giras do Tempo"
"Venezianas Coloridas"
"A Menina que Não Podia Brincar"
"Friends and Feelings"
"O Recomeço de um Futuro Melhor"
"Que Cor é Essa?"
"Através das Sombras".

por Gisele Santos

Fonte: Jornal O Polvo

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