Kemi Oshiro representa audiodescrição brasileira na International Telecommunication Union

Prezados amigos e colegas audiodescritores, escrevo para dividir com vocês uma experiência que tive na International Telecommunication Union e que acredito que pode somar ao trabalho que desenvolvemos no campo da audiodescrição no Brasil.

Kemi Oshiro na International Telecommunication Union

Como vocês sabem sou, neste momento, estudante de Mestrado em Estudos Cinematográficos e Audiovisuais Contemporâneos, na Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona. Desde que cheguei aqui percebi que, apesar da Espanha ser "pioneira" nesse quesito, as lutas, batalhas e dificuldades enfrentadas se parecem muito com as nossas. Infelizmente poucas são as pessoas que sabem, de fato, o que é e pra quê serve a audiodescrição.

Aproveitando que estou aqui e buscando uma ajuda para a revisão da minha tese tive o imenso prazer de conhecer a professora Pilar Orero, da Universidade Autônoma de Barcelona. Quando conversamos sobre audiodescrição pude falar um pouco mais, apesar da professora Pilar conhecer bem a realidade brasileira na área: que temos no Brasil esse mercado em franca expansão, de como estamos fazendo a audiodescrição ser conhecida no país e que temos esperanças sim no futuro e no desenvolvimento dessa ferramenta de acessibilidade. Reconhecemos, claro, que ainda há um longo caminho pela frente, mas sabemos que já demos os primeiros, e muito importantes, passos rumo a esse progresso.

A partir desse primeiro encontro, a professora me convidou para participar de uma reunião de trabalho do Grupo de Acessibilidade da ITU (International Telecommunication Union), que aconteceu nos dias 21, 22 e 23 de janeiro desse ano, em Genebra na Suíça. O grupo teve início em 2011 e busca estudar a acessibilidade na mídia aberta (rádios e tevês) do mundo e propor sugestões para torná-la, cada vez mais, acessível.

O grupo está dividido em 11 sub-grupos (A, B, C, D…). Coordenado pela professora Pilar, o grupo B trata do tema: Audio/Video Description e Spoken Subtitles, e foi nesse grupo que eu tive a honra de poder participar levando um pouco da nossa realidade brasileira em audiodescrição.

Nosso trabalho durante os três dias de encontro na International Telecommunication Union foi intenso e as sugestões buscam abranger a todas as realidades de mídia aberta no mundo. Isso porque deve-se levar em consideração a realidade da mídia mundial – seus alfabetos, formas de escrita, utilização da "safe area" da tela da televisão, e outras até bem técnicas como o sistema de transmissão usado pelos países…

O documento, que ainda não é o final, nos deixou satisfeitos, porém toda a contribuição é bem-vinda. Ele deverá ser entregue em março e o grupo, que já teve encontros no Japão, Tokyo; Canadá, Toronto e Suíça, Genebra; segue os trabalhos na área propondo outras sugestões e aliando isso com outras frentes de atuação da ITU. Envio um documento em PDF com o conteúdo gerado no encontro. E abaixo, os deixo os links de contato com o grupo. Vale lembrar que esse grupo é aberto e todos podem participar – basta procurar um dos coordenadores e ver se a participação remota ou presencial é aceita.

International Telecommunication Union Website: http://www.itu.int/en/ITU-T/focusgroups/ava/Pages/default.aspx

Grupos de trabalho do Focus Group.

  • A: Captioning;
  • B: Audio/Video description and spoken captions;
  • C: Visual signing and sign language;
  • D: Emerging access services;
  • E: Electronic Programming Guides and on-air promotion;
  • F: Participation and digital media;
  • G: Digital Broadcast Television;
  • H: IPTV;
  • I: Mobile and handheld devices;
  • J: Key Performance Indicators;
  • K: Access of Working Procedures.

Mais uma vez, me coloco à disposição de todos vocês para ajudas, sugestões, trabalhos, enfim… espero continuar contribuindo com o trabalho de todos e trabalhando pelo crescimento e progresso da audiodescrição no Brasil.

Contem comigo.

Um abraço,

Kemi Oshiro

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