Os detalhes fazem toda a diferença

Desde o nascimento fazemos uso de nossos sentidos. Valemo-nos da audição para reconhecer a voz de nossos pais. A visão nos leva a sorrir frente a algo bonito ou chorar de medo de uma cara feia. E conforme vamos crescendo, nossos sentidos permanecem em desenvolvimento.

No entanto, nossa trajetória pode ser alterada por um acidente de percurso. E ficamos privados de um dos nossos sentidos. Nesse caso, é normal sentir-se um tanto perdido com a nova condição. É preciso encontrar uma nova forma de interação com o mundo, mas entramos em desespero ao pensar: "e agora?" Achamos que tudo acabou, que nossa capacidade de ver o mundo e tudo aquilo que nos rodeia jamais será recuperada. Mas ver e enxergar são termos muito relativos. Pois, como diz o ditado, "só enxerga aquele que quer ver". Nem sempre é preciso usar os olhos para enxergar.

Podemos ver ou enxergar de outras formas. Temos a capacidade de nos apropriar de tudo o que nos cerca desde que haja uma pessoa vidente ao nosso lado para descrever tudo o que se pode ver. A importância de um audiodescritor é incomensurável, pois através de suas descrições podemos perceber detalhes que por vezes sequer chamam a atenção das demais pessoas.

Quem já enxergou um dia tem sua memória visual reavivada no momento em que as informações vão fazendo sentido. Quando ouvimos "um campo lindo, com muitas flores coloridas", automaticamente nossa mente constrói um campo todo verde, repleto de flores cor de rosa, brancas, vermelhas…

O fantástico, o incrível, o inusitado é saber que estamos ampliando nosso universo simbólico e nosso nível de consciência. Sem dúvida, as vivências que nos são proporcionadas em eventos culturais com audiodescrição são inesquecíveis. Experiências que passam pelo sensível, movimentam nossas emoções, estimulam nosso imaginário e liberam algumas fantasias.

Nosso olhar pode, sim, ser diferenciado e dar um colorido ao mundo. Quiçá possa até mesmo possuir uma beleza superior a da realidade, pois é produzida pelo nosso imaginário e regada por nossas emoções.

As pessoas videntes se atrapalham com a poluição visual e perdem a riqueza dos detalhes. Detalhes que fazem toda a diferença!

por Franciele Cunha Brandão

Fonte: Uma Grande História

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