Público prefere filmes dublados

Entre ver e ler, muitos expectadores se dividem na hora de assistir aos filmes exibidos nos cinemas londrinenses. Enquanto uns preferem os legendados, uma grande parte escolhe os dublados. E a procura que tem crescido, segundo avaliação de programadores de cinema: as salas mais lotadas são aquelas que traduzem o original para o português na voz do personagem. Nos últimos dias, o JL recebeu diversas cartas de leitores opinando sobre o assunto.

O Cinesystem, responsável pelas salas do Londrina Norte Shopping, garantiu que sempre haverá filmes legendados, embora mais de 60% do público prefira os dublados. "O dublado tem a preferência popular, a ponto de, se não tiver dublado, o cliente vai embora. Temos isso estatisticamente: mais de 60% prefere o dublado", ressalta Carlos Maurício Sabbag, diretor de programação.

Público se divide entre legendados e dublados

professora Joice Gaspar e a família

Professora Joyce Fonteque Gaspar, com a família, assiste a filmes dublados por causa das crianças

A professora Joyce Fonteque Gaspar, de 43 anos, levou ontem as crianças para o cinema do Royal Plaza Shopping. E escolheu filmes dublados por conta delas, embora prefira os legendados. "A gente assiste dublado quando é criança, mas gosta mesmo de legendado. É melhor, por causa do inglês", afirma. Opinião diferente da manicure Dayane Cristina, de 26 anos, que aguardava o início da sessão. "Prefiro dublado porque não tenho paciência de ler. Não gosto", afirma. Amábile Mainardes, de 20 anos, também escolhe os filmes dublados. "É mais fácil. A gente vai assistir [legendado] e perde metade do filme porque fica lendo. De vez em quando assisto, quando não tem outro". Já os amigos estudantes Lucas da Rocha, 17, e Gean Henrique Soares, 17, preferem os legendados. "Gosto de ter a experiência original. Com a dublagem, a gente perde um pouco do material criado originalmente. Gosto de ver como o filme foi feito", justifica Lucas. Segundo ele, dublado só em animações. "Consigo assistir sem reclamar". Assim também o amigo Gean. "Gosto de ver uma obra do jeito que ela é concebida. Aí a gente vê como o ator atuou. E quando tem dublagem, muitas referências acabam se perdendo", diz Gean.

A garantia de filmes legendados se dá, segundo Sabbag, pelas salas digitais. "Como nosso cinema é digital, temos essa facilidade". Filmes de classificação livre, mais voltados para família e exibidos durante as férias, têm mais chance de serem dublados, enquanto os mais adultos poderão ser exibidos com legenda.

Natália Rocha, gerente de programação da rede Lumière, que administra as salas do Royal Plaza Shopping, diz que a maioria do público londrinense prefere filmes dublados. "A gente dava preferência para dublado, mas tem reclamação, então procuramos dividir. Mas a procura por legendado é bem menor", afirma. De acordo com ela, os expectadores que preferem filmes legendados reclamam no próprio cinema ou em redes sociais. "Se não tem filme legendado, tem reclamação. Se tem, o público é pouco. Então a gente tenta colocar ao máximo o dublado, mas sempre tem um legendado".

Em nota oficial ao JL, enviada depois de diversos pedidos de entrevista, o Grupo Araújo – que administra as salas do Catuaí Shopping Center – afirma apenas que escolhe "a versão do filme de acordo com os números" e que "a grande maioria prefere o dublado".

Zódja Pereira está no mercado de dublagens há 30 anos e há oito ajudou a fundar o Dubrasil – Central de Dublagens – em São Paulo. "Aumentou a procura por filmes dublados. O público procura mais. As salas de filmes dublados lotam mais", avalia. Para ela, a percepção demonstra uma questão de escolha, já que as pessoas estão preferindo assistir filmes no próprio idioma. "É uma questão de direito de cidadania. É ter o direito de ver a obra, e não ler. A legenda é direito das pessoas que não conseguem ouvir. E a audiodescrição é um direito das pessoas que não conseguem ver".

Fonte: Jornal de Londrina

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