Quem é nosso secretário?

Anunciados e empossados os secretários do nosso prefeito eleito, Dr. Roberto Cláudio, ou melhor dizendo, os secretários do nosso Município, a bela Fortaleza, afinal de contas, todos nós esperamos que o secretariado trabalhe pela cidade e pelo povo, venho perguntar,então, em nome de todos os cidadãos fortalezenses que possuem algum tipo de deficiência: quem é o nosso secretário?

Faço esta pergunta após avaliar atentamente as biografias de todos os escolhidos pela nova gestão: Advogados, engenheiros, médicos, jornalistas, sociólogos, escritores, arquitetos, economistas, contadores, mestres, doutores e especialistas em orçamento, gestão, legislação, planejamento e outras ciências, mas nenhum com capacitação em áreas de inclusão social de pessoas com deficiências.

Pensar em uma cidade futurista carece de especialistas em escuridão,em mobilidade de cadeiras de rodas, em silêncio de sinais, em diversidade orgânica, em combate ao preconceito e principalmente, em igualdade de direitos e já agora, no presente.

Quem será o ouvidor das pessoas com deficiências em Fortaleza? Quem será o procurador a defender a justiça social? Quem será o educador a preparar os educadores da inclusão? Quem vai dar vez e voz a cultura dos excluídos? Quem vai chamar os segmentos das pessoas cegas, surdas, tetraplégicas, altistas ou com outras deficiências para uma conversa de apoio mútuo, assim como se deu com empresários, políticos, banqueiros e demais representantes das classes sociais? Quem lembrará de convidar um cego, por exemplo, para ser secretário de governo? Ou um surdo? Ou qualquer pessoa com deficiência, mas que tenha competência?

Senhor Prefeito, senhores secretários e vereadores, não pensem que as Instituições filantrópicas, as ONGS ou as pessoas caridosas de nossa cidade são as únicas responsáveis pelo processo de inclusão dos Fortalezenses com deficiências. Eles precisam ter no governo políticas públicas de inclusão, vontade, qualificação, justiça, responsabilidade social, mas de maneira efetiva e não apenas para efeitos midiáticos ou estatísticos. Uma Fortaleza acessível em todas as dimensões e para todos os cidadãos.

Mas quem é o nosso secretário?

Em Fortaleza existem o Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiências-COMDEFOR, as instituições que trabalham em prol dos cegos, dos surdos, dos deficientes motores, intelectuais, múltiplos, etc, as organizações não governamentais de apoio aos deficientes, mas quem quer nos ouvir, quem quer nos ver, quem quer se locomover para longe do preconceito? Quem quer ser o nosso secretário? Quem quer realmente contribuir com a engenharia da inclusão?

Não precisamos de esmolas, de pirulitos na boca, de festinhas de caridade pública, de programas virtuais ou de qualquer outra coisa que tire o peso das consciências gestoras, esperamos uma Fortaleza humanizada e sem deficiências, com transportes acessíveis, com escolas e calçadas adaptadas, com audiodescrição nos teatros, cinemas, salas de aula, estádios de futebol, Braille e Libras a vontade, enfim, carecemos de vivências sociais inclusivas. Para isso, esperamos que as autoridades procurem dialogar com os próprios agentes da inclusão: As pessoas com deficiências. São elas quem conhecem a luz para os cegos, o som para os surdos, o movimento para os deficientes motores, o estimulo para o cérebro dos deficientes intelectuais e a plenitude dos potenciais de todos, que mesmo com as limitações, são capazes de alcançar grandes horizontes, desde que a gestão seja companheira da inclusão.

Paulo Roberto Cândido de Oliveira
Sociedade de Assistência aos Cegos
Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas Com Deficiências de Fortaleza

Fonte: Instituto Hélio Góes

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