Curso de audiodescrição na Unicamp: matrículas até dia 25

A Universidade de Campinas (Unicamp) promoverá, de 27 de março a 5 de junho, o Curso de Audiodescrição, com a professora Bell Machado. Carga horária: 40 horas. Modalidade: semipresencial.

O que é a Audiodescrição?

A audiodescrição é um recurso de acessibilidade utilizado para ampliar o entendimento de pessoas com deficiência visual e baixa visão em cinema, teatro, televisão e em todas as atividades nas quais as informações visuais são fundamentais para o entendimento da obra. É esse recurso que permite a verdadeira inclusão cultural e social dessas pessoas na sociedade.

Como é feita e o que é descrito?

A audiodescrição é feita por meio da descrição oral das cenas durante um filme ou espetáculo. Ela permite que a pessoa com deficiência visual receba, por meio do audiodescritor, as informações sobre as imagens, paisagens, cenários, a arquitetura da cidade, as ruas, figurinos, expressões faciais, linguagem corporal, quantidade de pessoas nas cenas, movimentação de personagens e também as referências de mudança de tempo e espaço, tudo isso, no intervalo entre as falas.

Quais os objetivos e em que ocasiões pode ser feita a audiodescrição?

A partir das informações visuais fornecidas pela audiodescrição, a pessoa com deficiência visual poderá melhor elaborar suas idéias ao assistir eventos, sejam culturais, como cinema, espetáculos de teatro, dança, musicais, óperas, desfiles, exposições de arte, mostras de fotografia; turísticos, como caminhadas e passeios em cidades ou no campo, lugares onde a descrição da paisagem é fundamental, museus e zoológicos; esportivos, como esportes radicais, jogos, competições; acadêmicos, como palestras, seminários, congressos, aulas; e sócio-culturais como, feiras culturais e de ciências.

Desse modo, a pessoa com deficiência visual poderá, além de estimular seus sentidos e fazer com que seu conhecimento atinja outras esferas, freqüentar, com liberdade e independência, os espaços com eventos audiovisuais e participar de modo igualitário das atividades culturais disponíveis em nossa sociedade, mas que infelizmente, até os dias de hoje são restritas àqueles que enxergam.

A audiodescrição é um recurso que também pode ser oferecido para pessoas com deficiência intelectual, disléxicos e idosos com baixa acuidade visual.

Objetivos de um projeto de Inclusão.

-Promover a inclusão social e cultural assim como a autonomia intelectual de pessoas cegas e com baixa visão em eventos escolares, sociais e culturais.

-Eliminar as barreiras atitudinais entre os indivíduos de nossa sociedade nos diversos ambientes de

convivência cultural e social, por meio do estímulo de atividades coletivas de audiodescrição que envolvam a todos, sensibilizando e gerando uma tomada de consciência no que se refere à diversidade.

Público Alvo.

-Pessoas que atuem na área da cultura, cinema, televisão, educação, saúde, turismo, artes cênicas e visuais, análise de sistemas e comunicação de um modo geral.

-Pessoas com deficiência visual que queiram se tornar revisores de roteiro de audiodescrição, requisito fundamental no processo de roteirização de filmes com audiodescrição.

Justificativa

A acessibilidade nos meios de comunicação é um tema que está em pauta em todos os países desenvolvidos. No Brasil, segundo dados do IBGE -Censo de 2010, existem 35.791.488 pessoas com deficiência visual total e parcial que, encontram-se excluídas da experiência audiovisual e cênica.

O fascínio pela experiência audiovisual não é exclusivo das pessoas que enxergam. Ele é exercido também sobre as pessoas cegas ou com deficiência visual. O retorno dessas pessoas que já experimentaram o recurso da audiodescrição comprova a sua utilidade e eficácia.

Uma das bases do alicerce que sustenta um indivíduo, com deficiência ou não, é a sua identidade e autonomia cultural, que só podem ser constituídas a partir da possibilidade de comunicação e da liberdade de se relacionar com o mundo. Não se pode exigir que um indivíduo, que não tenha seus direitos garantidos, cumpra com seus deveres e torne-se um cidadão. Para o filósofo Hegel, “direitos e deveres devem caminhar juntos”. E o percurso da cidadania inclui garantir a autonomia intelectual e a possibilidade da pessoa com deficiência visual ter uma vida social com oportunidades iguais, ter aquilo que é de seu direito -se relacionar com o mundo em sua plenitude. Isso, em parte, já lhe foi privado devido a sua própria deficiência, e em parte, à ausência de uma política pública de acessibilidade cultural que dê condições, a essa parcela da população que se encontra excluída, de viver dignamente em sociedade.

Por fim, a audiodescrição como recurso de acessibilidade não é somente um fator premente em nossas políticas públicas ou um direito da pessoa com deficiência visual à informação, ao lazer e à cultura, mas uma possibilidade de nossa sociedade poder, finalmente, sair de seus pequenos confortos e, na divisão desses espaços de convivência com atividades de audiodescrição, reconhecer que existe um outro além de si mesmos e criar novos parâmetros para que se possa redimensionar e valorizar a riqueza da diversidade. Todos nós só temos a ganhar com a inclusão social.

Modalidade:

-Encontros presenciais e não presenciais.

Presenciais: Aulas teóricas, leitura e discussão de textos; exercícios práticos de observação, seleção e descrição de cenas em vídeos.

Dois encontros não presenciais: Essas duas aulas acontecem em dois momentos do curso:

-uma no início, na qual o aluno deverá realizar a roteirização de um filme de 1 minuto e por meio da internet, o professor fará as devidas correções e devolverá ao aluno com todas as possibilidades de alterações. Esse processo de escrita e refacção é fundamental para que o aluno elabore suas dúvidas e coloque em prática os conceitos teóricos da audiodescrição. É a partir do exercício de roteirização de um filme que se dá o início da aprendizagem efetiva da audiodescrição.

-A segunda aula não presencial é próxima ao final do curso, na qual cada aluno fará sua parte do roteiro coletivo de um curta-metragem. O professor mais uma vez fará a correção individual e por meio da internet (aula não presencial) refará com o aluno sua parte do roteiro. Desse modo, na aula presencial seguinte, o roteiro completo do filme será retomado e analisado em classe, com todas as partes individuais devidamente revisadas por professor e aluno. Também nessa aula estarão presentes os revisores com deficiência visual, que finalizarão o roteiro a partir de suas revisões.

Metodologia.

-aulas teóricas, leitura e discussão de textos;

-exercícios de observação, seleção e descrição de cenas audiovisuais;

-roteirização individual de filmes de 1 minuto (Festival do Minuto) com correção individual;

– Trabalho de conclusão de curso: Produção coletiva de um roteiro de audiodescrição de filme curtametragem.

Conteúdo Programático:

-Objetivos, conceito e história da audiodescrição;

-O quê e como audiodescrever: estudo da obra a ser audiodescrita, escolha das informações visuais a serem narradas, termos e tempos de verbo, locução;

-Audiodescrição no cinema: a descrição dos planos, sequência de cenários, paisagens, objetos, personagens e mudanças de tempo e espaço;

-Audiodescrição ao vivo no teatro;

-Audiodescrição de imagens estáticas;

-A filosofia da Imagem na Audiodescrição: os sentidos como fonte essencial na construção do conhecimento. “Não há nada no intelecto que não esteja primeiramente nos sentidos” (Aristóteles). Texto de apoio: “Leitura comentada da Carta sobre os cegos”, de Isabel Machado;

-Formas de audiodescrição: ao vivo -simultânea, pré -gravada;

-Seminário com os revisores de audiodescrição com deficiência visual, Jean Braz e Evandro Chequi: importância da revisão do roteiro de audiodescrição feita por profissional com deficiência visual;

-Formas de locução, utilização dos tempos verbais e entonação de voz;

-Políticas Públicas: o acesso das pessoas com deficiência visual aos bens culturais; Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência. Leis e decretos, protestos e processos;

-A audiodescrição aplicada à área da educação: o professor inclusivo como promotor de possibilidades para a eliminação das barreiras atitudinais entre alunos e ações coletivas de audiodescrição dentro do espaço escolar;

-Audiodescrição – O delírio poético das imagens traduzidas: Interpretar ou descrever? A questão da subjetividade, objetividade e liberdade;

-Menu do DVD: o espaço para educação visual da pessoa com deficiência visual.

Aprofundamentos:

-A Audiodescrição e linguagem cinematográfica.

-Roteirização individual de filmes de 1 minuto/Festival do Minuto.

-Trabalho de conclusão de curso: Produção coletiva de um roteiro de audiodescrição de filme curtametragem.

-Revisão do roteiro coletivo de audiodescrição com a presença dos revisores com deficiência visual.

Mini Currículo de Bell Machado

Bacharel em Filosofia pela Unicamp. Estudou Fonoaudiologia na PUC-Campinas e Agronomia, na Universidade de Padova, Padova -Itália.

Mestranda em Multimeios na Unicamp.

Trabalha na Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida -PMC.

Audiodescritora da ONG Vez da Voz.

Este é o 6º Curso de Audiodescrição ministrado em Campinas. Desde o ano de 2000, fez a audiodescrição ao vivo de 300 filmes.

Articulista do livro Audiodescrição – transformando imagens em palavras com o artigo "Ponto de Cultura Cinema em Palavras -A filosofia no projeto de inclusão social e digital". Lívia Maria Vilela de Mello Motta e Paulo Romeu Filho, organizadores. São Paulo: Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, 2010. Vários autores.

Artigos publicados na Revista Brasileira de Tradução Visual:

– Leitura comentada da Carta sobre os cegos, de Denis Diderot.

– A linguagem cinematográfica na audiodescrição.

Em 2000 iniciou seu trabalho em audiodescrição de filmes para pessoas com deficiência visual, no Centro Cultural Braille de Campinas. No mesmo ano, junto à graduação de filosofia da Unicamp, desenvolveu pesquisas junto aos usuários do Braille , sobre filósofos iluministas cujo objeto de estudo era a investigação das metáforas óticas e a construção do conhecimento por meio dos sentidos.

Coordenou de 2005 a 2011 o projeto de inclusão social, cultural e digital do Ministério da Cultura: Ponto de Cultura Cinema em Palavras no Centro Braille. Em 2006 o Projeto “Cinema para cegos” foi agraciado com o Prêmio Cidadão RAC-CPFL.

Ministrou dois cursos de “Introdução à formação de audiodescritores” oferecido para professores da Rede de Ensino da Prefeitura Municipal de Campinas.

Ministrou em 2010 cursos de Formação em audiodescrição na TV Comunitária -Canal oito / NET e em 2011, no Centro Cultural Braille de Campinas.

Foi responsável pela audiodescrição de filmes em importantes ciclos e mostras de cinema com acessibilidade, como a 1ª e 2ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, em 2006 e 2007.

Desde 2005 é curadora da programação de filmes com audiodescrição no Museu da Imagem e do Som de campinas (MIS).

Foi professora do curso livre de História do Cinema no MIS (1999 a 2010), no Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas (CCLA) 2011) e na Escola de Artes Pandora (2009 e 2010).

É agente cultural do Projeto da Petrobrás-Cinema BR em Movimento, no qual exibe filmes brasileiros com audiodescrição ao vivo.

É integrante do Grupo AD-ABNT, grupo de discussão das normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que tem o objetivo de estabelecer as diretrizes para a produção de audiodescrição no Brasil.

Mini Currículo dos revisores com deficiência visual:

Jean Braz é graduado em jornalismo e trabalha na D.Paschoal em Campinas.

Evandro Chequi é técnico em informática e trabalha no Senac Campinas.

Ambos cursam a faculdade de Análise de Sistemas na Faculdade Anhanguera de Campinas.

Informações Complementares

O curso é semipresencial, tendo um total de 10 encontros, todas as quartas-feiras, sendo 8 encontros presenciais e 2 à distância. O horário é das 13h 30min as 17h 30min. A carga horária total do curso é 40 horas. Será oferecido certificado. O local do curso, para os encontros presenciais é no prédio da BCCL/Sala de Treinamento da BAE.

Inscrição

Até dia 25 de março encaminhar os dados abaixo para o e-mail ednacol@unicamp.br:

-NOME:

-MATRÍCULA:

-UNIDADE:

-RAMAL:

-E-MAIL:

Cronograma de Aulas

Início: 27 de março de 2013 – sempre às 4ªs feiras-das 13:30 às 17:30.

Março:

27/03 -presencial.

Abril:

03/04 -presencial;

10/04 – aula não presencial (realização de tarefa-roteiro de AD-com prazo de entrega para professor)

17/04 – aula presencial;

24/04 – aula presencial.

Maio

01/05 – não haverá aula;

08/05 – aula presencial;

15/05 – aula não presencial (realização de tarefa-roteiro AD-com prazo de entrega para professor);

22/05 – aula presencial;

29/05 – aula presencial – revisão de roteiro de audiodescrição coletivo, feito pelos revisores com deficiência visual.
Junho

05/06 – aula presencial – encerramento do curso

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