Audiodescritores brasileiros se destacam mundo a fora

Kemi Oshiro, audiodescritora da Tagarellas Audiodescrição, jornalista e mestranda em Estudos de Cinema e Audiovisual Contemporâneos conta sua participação no III ARSAD – seminário sobre pesquisas e estudos avançados em Audiodescrição.

Kemi Oshiro

Nos dias 14 e 15 de março estive no III ARSAD – seminário sobre pesquisas e estudos avançados em Audiodescrição, organizado pela Universidade Autônoma de Barcelona e que acontece a cada dois anos. Para meu espanto e felicidade, o time de brasileiros presente na programação do encontro foi grande: mais de 10 pesquisadores levaram seus trabalhos, teses de mestrado, doutorado e PhD para que mundo especializado em AD pudesse conhecer um pouco do que o Brasil desenvolve na área.

Dentre os participantes estavam Eliana Franco – que apresentou a acessibilidade no Museu Jorge Amado, trabalho desenvolvido por ela e pelo grupo Tramad, na Bahia – e a professora Vera Lúcia Santiago, que mostrou também a audiodescrição nas obras do pintor brasileiro Aldemir Martins.

Pelo que foi mostrado, seja com estudos teóricos ou experiências práticas vividas na audiodescrição, o Brasil não se mostra fraco nem distante de como o resto do mundo faz e pensa a AD. Pelo contrário. Há pesquisas com muita qualidade e, principalmente, com a preocupação de aplicar os resultados na prática e poder transformar, para melhor, a Audiodescrição que fazemos.

Um trabalho que me chamou muito a atenção foi a tese de PhD da pesquisadora Renata Mascarenhas, propondo que a iluminação cinematográfica seja levada em consideração na hora da descrição. Dessa forma, se a cena, resultado direto da escolha do diretor, propõe uma luz difusa, em que os personagens não podem ser claramente identificados – e a luz é o principal elemento no contexto naquele momento -, a descrição deveria começar ambientando o usuário de AD com o clima criado pela iluminação. Questões como essa fazem toda a diferença para o trabalho do audiodescritor e o usuário.

O que ainda falta no Brasil, me parece, é incentivo para a produção de mais propostas de pesquisa em AD. As possibilidades de aplicação do recurso são crescentes, assim como o público dessa ferramenta que, além de proporcionar acessibilidade, conduz a uma mudança de cultura e promove o bem-estar da sociedade. Com mais estudos sobre a AD, as práticas estarão cada vez mais próximas da satisfação dos usuários.

Outra excelente oportunidade para acompanhar os estudos e práticas na área da acessibilidade ocorrerá agora em julho, em Leiria, Portugal, onde se realizará a Includit – Conferência Internacional para a Inclusão (includit.ipleiria.pt/). Promovido pelo Instituto Politécnico de Leiria, o evento conta, em sua comissão de organização, com a professora Josélia Neves, um dos principais nomes da AD portuguesa. O encontro vai debater a acessibilidade não só no âmbito da Audiodescrição, mas de áreas como Medicina e Arquitetura, entre inúmeras outras. As inscrições para a Includit são gratuitas e, sem dúvida, vale demais conferir o status dos desafios que enfrentamos e ainda enfrentaremos na busca por mais acessibilidade.

Fonte: Tagarellas Audiodescrição

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