Tecnologias aplicadas na inclusão: Reatech 2013

A tecnologia usada para a inclusão de pessoas com deficiência (PCD) é o foco principal da Reatech – Feira Internacional de Tecnologia em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade que segue até hoje em São Paulo.

Muitos produtos são lançados durante a feira que tem a melhoria da qualidade de vida dos PCDs como um dos principais objetivos. Com 300 expositores, o evento, que está na 11ª edição, tem entrada franca.

Além de fabricantes e revendedores de produtos e acessórios específicos para o público PCD, a Reatech reúne entidades assistenciais e promove outros eventos como seminários e workshops com temas relacionados à pessoa com deficiência. Há ainda a realização de atividades inclusivas como o Cinema Inclusão e o Túnel Sensorial.

Uma cadeira de rodas com tecnologia militar de tanques de guerra que dá maior mobilidade ao cadeirante; lupas eletrônicas e software de leitura de texto para deficientes visuais além de um aplicativo que traduz falas na Língua Brasileira de Sinais (Libras) são apenas alguns dos exemplos das novidades trazidas pela Reatech. Ainda no campo da mobilidade para pessoas com deficiência, montadoras de carros e empresas que fazem adaptação em veículos para transporte ou para direção por PCD também merecem destaque na feira.

"Gosto dessa junção entre empresas e as entidades. É uma união necessária no dia-dia. PCDs são também um público consumidor e o mercado está acordando para isso", afirmou a coordenadora da Secretaria Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Flávia Vital.

Permitir que pessoas com deficiência e profissionais que trabalhem com esse público tenham acesso às informações sobre as tecnologias disponíveis foi o que levou a mineira deficiente visual Kessia de Almeida a visitar a feira. Ela, que é conselheira tutelar na cidade de Uberlândia (MG), destaca que muitas pessoas desconhecem os produtos que já estão no mercado e que podem, de alguma forma, proporcionar melhor qualidade de vida para quem tem algum tipo de deficiência.

"Vim em busca de informações. Tudo que eu tomar conhecimento aqui vou passar para o pessoal da minha cidade", comenta. Entre as novidades que conheceu na feira, Kessia cita ferramentas que ampliam o som para os deficientes auditivos. Responsável pela Assistência ao Aluno com Deficiência (AAD) da Universidade Federal de Uberlândia, Maria Ivonete Ramos, acompanhou Kessia na feira. Ela também foi ao evento em busca de informações e novas tecnologias que podem melhorar a qualidade de vida dos alunos. "Vi um aplicativo gratuito para Android que traduz a fala em Libras. É uma forma de quem não sabe Libras se comunicar com deficientes auditivos", exemplificou.

Para proporcionar às pessoas sem deficiência as sensações de uma PCD, a feira traz atividades inclusivas e de entrosamento entre os dois públicos. Na área esportiva, uma divertida competição de cadeira de rodas é realizada entre cadeirantes e não cadeirantes. Logo após a largada é possível ver a desvantagem dos que não estão acostumados a andar de cadeira de rodas. Ainda no campo esportivo, pessoas sem deficiência visual têm os olhos vendados para correr com um atleta guia. "É uma experiência inesquecível. A gente não sabe das dificuldades deles e, se estamos na mesma situação deles vemos como a adaptação deles é incrível. As conquistas deles são muito maiores", resume Maria do Socorro Almeida, 52, mãe de Alberto Almeida, 15, deficiente visual. Ela conta que se voluntariou para a atividade para entender melhor a realidade do filho que nasceu com deformidades no globo ocular.

Outras atrações para os que desejam conhecer a realidade das PCDs são sensoriais. No Túnel Sensorial, o visitante, com vendas nos olhos e os pés descalços, entra em um túnel inflável. No caminho, há variações no solo e as paredes, que devem ser exploradas com as mãos, apresentam diversas texturas. Em outro momento do túnel, o participante tem experiências olfativas. Ao final do túnel, já sem a venda, as pessoas vivenciam o que é ouvir sem ver, enxergar sem que os sons lhe acompanhem e olhar para algo mesclado a uma sonoridade diversa. Segundo a organização da feira, o objetivo é que, em poucos minutos, o participante tenha diversas sensações que são vividas ao mesmo tempo em que outros sentidos são potencializados.

A potencialização de sentidos pouco usados por pessoas sem deficiência também é a proposta do Cinema Inclusão. São várias sessões no decorrer do dia. O projeto tem como proposta levar a todos o acesso à cultura e informação. Para isso, são usados alguns recursos de acessibilidade como menu acessível, janela de Libras, subtitulação e audiodescrição.

Malu Sevieri, diretora de Marketing do Grupo Cipa Fiera Milano – responsável pela organização da feira – afirmou que a Reatech é o segundo evento do setor do mundo. "A feira tem cada vez mais força em cada setor que tem influência na vida das pessoas com deficiência", disse. Segundo ela, nesta edição há mais clientes da área de tecnologia assistiva. "Estamos trazendo clientes da Europa, da Ásia, dos EUA e da América do Sul", afirma. Este ano, o projeto da Reatech foi ampliado para Cingapura, em outubro, em Milão, na Itália, e em novembro, em Istambul, na Turquia.

Para 2014, a Reatech estará em mais dois países, em Joanesburgo, na África do Sul, e Guadalajara, no México. "É um produto coordenado pelo Brasil , no formato brasileiro, que está sendo exportado para outros países, e isso é um orgulho para nós. Afinal, é a primeira vez que uma feira é exportada e essa feira é a Reatech", finalizou.

Fonte: Cruzeiro do Sul

Mais sobre audiodescrição
Aplicativo de audiodescrição e tradução simultânea para espetáculos ao vivo e um sistema que dá
Criado para proporcionar acessibilidade e levar cultura a um maior número de pessoas, o aplicativo
Quem disse que arte e tecnologia não podem andar de mãos dadas? Para provar que


Mais sobre audiodescrição
Aplicativo de audiodescrição e tradução simultânea para espetáculos ao vivo e um sistema que dá
Criado para proporcionar acessibilidade e levar cultura a um maior número de pessoas, o aplicativo
Quem disse que arte e tecnologia não podem andar de mãos dadas? Para provar que