Marcelo Yuka, ex Rappa, lança DVD com audiodescrição e legendas

Daniela Broitman responde aos comentários de Falcão sobre o filme: “Eu fiz um longa-metragem sobre Marcelo Yuka para cinema e para TV. Não é meu dever colocar depoimentos no YouTube. E também não seria ‘educado’, um termo que ele usou. Pelo contrário. Foi minha educação e ética que me fizeram excluir alguns trechos com ofensas e agressões entre eles”, diz a cineasta, paulista radicada no Rio, na entrevista abaixo.

diretora Daniela Broitman e o músico Marcelo Yuka

Diretora Daniela Proitman

Em entrevista ao G1 publicada no dia 15 de maio, Marcelo Falcão, cantor do Rappa, disse: “Fazer filme falando mal, criar polemicazinha, é feio, injusto. Ainda mais na situação em que Marcelo Yuka está (…). Se essa diretora que fez o documentário fosse educada, como fomos com ela, botaria na íntegra no YouTube o que cada um do Rappa falou”.

A diretora não acredita em reconciliação profissional da banda com Marcelo Yuka. "Não que não possa perdoar, talvez até tenha perdoado. Mas voltar a ser do Rappa, isso não." A banda lança em agosto seu primeiro disco de inéditas em cinco anos, que inclui a já divulgada faixa "Anjos".

"O Falcão não foi obrigado a falar. Ele falou o que quis, quando quis, depois pediu para tirar dois clipes e aprovou o resto."

Entrevista:

Marcelo Yuka

Marcelo Yuka no Rock In Rio 2011

G1 – Marcelo Falcão disse ao G1 que queria ver todas as cenas dos depoimentos do Rappa ao documentário no YouTube. O que você acha disso?

Daniela Broitman – Falcão foi o único que fez várias exigências para conceder a entrevista. Foi o que mais demorou e exigiu ver e aprovar todos os trechos das entrevistas dele que fossem entrar. Nem mesmo o Marcelo Yuka pediu para interferir na sequência, mesmo um pouco contrariado ao ver pela primeira vez, achando que tinha dado muito espaço para o Rappa. O Falcão não foi obrigado a falar. Ele falou o que quis, quando quis, depois pediu para tirar dois clipes e aprovou o resto. Toda a fala do Falcão que está ali foi aprovada por ele e pelo empresário dele. Eu fiz um longa-metragem para cinema e para TV. Não é meu dever colocar depoimentos no YouTube. E também não seria “educado”, um termo que ele usou. Pelo contrário. Foi minha educação e ética que me fizeram excluir alguns trechos com ofensas e agressões entre ele e Marcelo Yuka. Minha ideia nunca foi fazer um filme sensacionalista.

G1 – Como foi sua relação com os músicos do Rappa durante o documentário?

Daniela Broitman – A gente nunca teve nenhum problema. O único contato que tive com o Falcão foi durante a entrevista, e foi tranquilo. Não teve nenhum atrito, não tenho nada pessoalmente contra ele, e também vice-versa. Acredito que não seja nada pessoal. E nem com os outros membros do Rappa.

G1 – O documentário tem uma discussão bastante aberta sobre os motivos da saída do Marcelo Yuka no Rappa. Como você, como diretora, chegou a este resultado?

Daniela Broitman – Nas entrevistas que eles me concederam, cada um falou por cerca de duas horas. O Falcão falou por quase três. Foram mais de 10 horas de depoimento, inclusive do Marcelo Yuka. Eu pedi que todas fossem transcritas. Durante semanas me debrucei sobre elas e cheguei a editar diversas vezes no papel. Com esse material eu queria chegar numa sequencia que fosse clara, justa e mais objetiva possível. E principalmente que não fosse apelativa nem ofensiva. Tinha que condensar todas essas falas e sentimentos em poucos minutos. O filme não era sobre a separação da banda, sim sobre a transformação na vida do Marcelo Yuka desde que ele foi baleado. Foi um trabalho árduo.

G1 – Por que você resolveu fazer um filme sobre o Marcelo Yuka?

Daniela Broitman – O Marcelo Yuka é um artista, poeta, músico, ativista, um cidadão que está lutando pela melhoria de qualidade da vida no Rio, principalmente das minorias. Ele tem ideais e propósitos muito similares aos meus. Além de a história ser interessante e ele ser carismático, achava que precisava ser contada. Abre discussões muito pertinentes da atualidade. Questões sociais, de direitos humanos, segurança pública, música, direitos autorais, casamento, amor, até as células troncos, tema que não tinha visto ainda, e achava importante.

G1 – Como será o lançamento do DVD?

Daniela Broitman – Vai ser uma conquista grande, pois conseguimos fazer “audiodescrição” para pessoas com deficiência visual ou cegos. E resolvi incluir legendas em português, para que pessoas com deficiência de audição possam ler as cenas. E outra coisa do DVD é que vai ter um “making of” inédito, que não passou na TV, não está em nenhum lugar. Tem falas muito interessantes do Marcelo Yuka sobre o processo de fazer o filme, o incômodo dele ao ser filmado, umas cenas bem legais.

"Queria dizer ao Falcão que, apesar das inúmeras solicitações de jornalistas para que eu contasse tudo o que eu ouvi nas entrevistas, foi justamente pela minha ética e educação que eu me mantive calada, e acho que ele deveria aprender a fazer o mesmo."

G1 – O que achou da repercussão até agora?

Daniela Broitman – Pelos depoimentos que recebemos do público, matérias e críticas na imprensa, estou muito satisfeita com o resultado do filme e a sequência do Rappa em particular. Porque tem fãs que saíram do cinema dizendo que o Falcão e o Xandão estão certos, que o grupo precisava continuar, pagar suas contas, não podiam ficar esperando ele se recuperar. E outros que falaram que o Falcão foi para um lado totalmente comercial, que não condizia os preceitos do Rappa, ou do Marcelo Yuka, e por isso a banda acabou. Isso mostra que cada um pode chegar à própria conclusão. Parece-me que a sequência está bem equilibrada e dando voz a todos os pontos de vista. Queria dizer ao Falcão que, apesar das inúmeras solicitações de jornalistas para que eu contasse tudo o que eu ouvi nas entrevistas, foi justamente pela minha ética e educação que eu me mantive calada, e acho que ele deveria aprender a fazer o mesmo.

G1 – Você acha que existe alguma possibilidade de reconciliação entre o Yuka e o Falcão?

Daniela Broitman – Na minha opinião, eu acho que não, pelo que eu conheço do Marcelo Yuka. Não que não possa perdoar, talvez até tenha perdoado. Mas voltar a ser do Rappa, isso não.

Fonte: G1

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