Relato do curso Introdução à Produção Editorial Acessível

Nos dias 17 e 18 de maio aconteceu no Instituto Paramitas o curso Introdução à Produção Editorial Acessível, ministrado pela especialista em Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e consultora do MEC e Unesco: Patrícia Silva de Jesus, conhecida também como Patrícia Braille. A turma de 23 pessoas reuniu professores, pesquisadores e envolvidos com a temática.

Inicialmente foi apresentado o Sistema Braille, mais conhecido por ser um dos principais meios de leitura/comunicação utilizado por pessoas que tem alguma deficiência visual, e outras ferramentas. "Toda tecnologia que objetiva tornar possível e independente a vida das pessoas com deficiência é responsável por transformações no âmbito da acessibilidade. As transformações são processuais e nenhuma ferramenta anula a outra, logo, os livros em relevo com letras cursivas foram associados ao Sistema Braille, que foi associado ao livro falado, que influenciou os livros em Daisy, que depende muito da internet", destacou a ministrante do curso Patrícia Silvia de Jesus.

Aprofundando o tema principal que foi a produção de livros e a audiodescrição, Patrícia distinguiu o audiobook, que é o livro convencional gravado em voz com dramatização, do livro falado que é a leitura do livro convencional dramatizada, mas que segue normas de acessibilidade e tem isenção de restrições de direitos autorais pela lei 9.610/98. Nesse âmbito que se dá a também a distinção entre leitor e ledor, neste caso quem lê o livro para alguém com deficiência visual é o ledor.

"O livro falado, num mundo cada vez mais informatizado, encontra um campo fértil para ser disseminado de forma bastante democrática, porque pode ser produzido com softwares gratuitos e de fácil manuseio. Contudo, ainda não está disponível para todos pela falta de profissionais que produzam esse tipo de ferramenta", explica Patrícia.

Com a disponibilização do livro falado, surgiu no decorrer dos anos a necessidade da leitura da imagem com uma descrição dos detalhes que fazem parte dela. As imagens eram retiradas dos livros, o que o tornava incompleto quanto a informações que a imagem continha, com a possibilidade da audiodescrição o deficiente visual tem acesso a toda a obra.

Durante o curso, Patrícia mostrou como descrever diversas formas de imagens desde tabelas até tirinhas, e como tornar documentos que contenham imagem, redes sociais, blogs e e-mails acessíveis para pessoas com deficiência visual. Isso é possível com ajuda do leitor de tela que identifica o código, faz a leitura e possibilita a execução dos comandos pelo teclado.

O ponto central da discussão e objeto de estudo do curso, o leitor de livros MecDaisy permite a leitura das descrições feitas nas imagens. O padrão Daisy foi um importante marco para a acessibilidade por obedecer a um padrão internacional e ser produzido com programas totalmente gratuitos, atingindo pessoas que possuem diferentes níveis de deficiência visual. "O ponto mais importante, na minha opinião, é que, pela primeira vez no Brasil, os livros estão saindo das editoras já com acessibilidade. Até 2009 os livros não eram acessíveis e os professores do Atendimento Educativo Especializado tinham que adaptar as obras para as pessoas cegas e com baixa visão. Agora, com a determinação do MEC que impõe o padrão DAISY como critério de seleção de editais de compra de livros, as editoras já enviam as obras em duas versões: a convencional e a acessível. Isso é um marco histórico", ressalta.

Para encerrar o curso, a turma foi dividida em grupos para fazerem a descrição das imagens do Guia Uso Seguro e Criativo da Web, produzido pelo Instituto Paramitas com o intuito de possibilitar uma navegação segura e a produção de conteúdo digital para a internet, e torná-lo acessível.

Você também pode permitir que textos e imagens sejam acessíveis, não salve documentos que tem texto como imagem, insira embaixo do conteúdo da sua assinatura e e-mail, se ela for uma imagem, a descrição do que está escrito, quando for postar uma imagem no facebook coloque uma descrição dos seus elementos que a compõem, essas são algumas maneiras de tornar esses elementos acessíveis. Pratique!

Por Jussara Caetano

Fonte: Instituto Paramitas

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