Companhia de balé para cegos encena A Bela Adormecida em SP

A Associação Balé para Cegos Fernanda Bianchini se apresenta nesta quinta-feira (27) no Auditório Ibirapuera (zona sul de São Paulo). São 70 bailarinos no palco, entre deficientes visuais, físicos, auditivos e mentais, apresentando "A Bela Adormecida", além de números variados com diferentes estilos de dança.

Associação de Ballet Para Cegos Fernanda Bianchini

O espetáculo é acompanhado de audiodescrição para deficientes visuais. O recurso descreve objetivamente expressões visuais e corporais, ambiente, figurino, efeitos especiais e outros. O áudio não se sobrepõe ao fundo musical.

A maioria dos dançarinos são portadores de alguma deficiência, mas cerca de 10% das vagas são reservadas para jovens sem necessidades especiais, em uma espécie de "inclusão às avessas".

"É muito emocionante ver nos palcos e na vida pessoas se superando. Elas são prova viva de que o impossível não existe", diz Fernanda, que há quase 18 anos realiza o trabalho com deficientes visuais.

Ela mostra que não deixa o pulso firme de lado ao comandar seus bailarinos. "Trabalhamos para que os aplausos sejam pela qualidade do trabalho e não pelos coitadinhos, como muitas vezes a sociedade coloca que os deficientes são. Incapazes todos já provaram que não são".

Leia a entrevista com Fernanda Bianchini, da ASSOCIAÇÃO BALÉ PARA CEGOS.

Guia Folha – O espetáculo não é feito só para deficientes visuais, mas também por deficientes visuais. Como é dirigir um espetáculo assim?

Fernanda Bianchini – É muito emocionante ver nos palcos e na vida pessoas se superando. Eu realizo este trabalho voluntariamente com balé de cegos há 17 anos, mas acredito que aprendo muito mais do que ensino para nossos alunos, que mostram a cada dia como é fácil vencer as barreiras e dificuldades da vida quando se tem força de vontade e se acredita num sonho. Elas são prova viva de que o impossível não existe.

Guia Folha – Muitos deficientes visuais compareceram às apresentações? Como é a repercussão?

Fernanda Bianchini – Sempre quando temos o recurso das audiodescrições em nossos espetáculos, os deficientes visuais comparecem e se sentem parte deste grande sonho. Este recurso nos espetáculos de balé estão sendo cada vez mais ricos e capazes de levá-los para este universo de sonhos e magia.

Guia Folha – O grupo mistura deficientes físicos, visuais, auditivos e mentais. Você poderia falar mais sobre isso?

Fernanda Bianchini – Na nossa grande maioria, 70% dos nossos alunos são deficientes visuais. Porém não consigo dizer não a uma mãe de deficiente que chega com tantos sonhos e desejos para os filhos no seu olhar. A nossa primeira inclusão de outras crianças se deu por causa da avó da Júlia, criança com múltiplas deficiências, inclusive a visual, e dela chegaram outras. O trabalho que realizo é por amor e procuro desenvolver todos os potenciais no palco através de superações.

Hoje temos quatro cadeirantes, uma deficiente auditiva e dois deficientes mentais, e 10% de vagas em cada turma para crianças e adolescentes que não têm deficiências, para trabalhar a inclusão às avessas. Assim, transformamos crianças em seres humanos melhores e mais preparados para a inclusão na sociedade. Sou muito feliz de ver no palco tantos sonhos se realizando e quero mostrar para o mundo que o impossível não existe. Esse é meu maior objetivo: Deixar um mundo melhor para meus filhos e todas as crianças do mundo viverem.

Guia Folha – Há uma divisão de papéis entre os integrantes?

Fernanda Bianchini – Há sim, um contribui para que o outro desempenhe seu talento no espetáculo. Porém, trabalhamos para que os aplausos sejam pela qualidade do trabalho e não pelos "coitadinhos", como muitas vezes a sociedade coloca que os deficientes são. Incapazes todos já provaram que não são. O que o público assiste é uma grande e bela arte.

Guia Folha – Os bailarinos estão há anos com você? A companhia aceita novos integrantes?

Fernanda Bianchini – Temos 100 alunos, de 2 anos até a terceira idade. Uns são mais antigos e alguns estão chegando agora. Temos vagas e todos são muito bem-vindos, para fazer parte desta grande família basta ter vontade em aprender algo novo em sua vida. Porém, para ampliarmos, necessitamos que novos patrocinadores acreditem em nossos projetos.

Serviço:

Auditório Ibirapuera – av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portões 2 (pedestre) e 3 (veículos), parque Ibirapuera, zona sul, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3629-1075. 806 lugares. Qui (27): 20h. Ingr.: R$ 20 (inteira) e R$10 (meia-entrada).

Fonte: Guia Folha

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