Bingo para financiar audiodescrição?

O Jornal Cidade de Rio Claro divulgou a seguinte notícia:

Os usuários do Centro Municipal de Atendimento aos Cegos (CMAC) terão oportunidade de assistir a filmes por meio da audiodescrição. Para financiar esta atividade, o Instituto Viver e Conviver, em parceria com a Secretaria Municipal de Ação Social, realiza um Bingo de Artesanatos no dia 9 de junho, às 15 horas no Grêmio Recreativo da Escola de Samba Samuca. Os blocos com cinco cartelas estão sendo vendidos a R$ 10, antecipadamente no CMAC, na Avenida 5 com Rua 1.

Simplesmente absurdo que, em tempos de Convenção Sobre Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, ainda se tenha que promover bingos para financiar qualquer atividade relacionada a pessoas com deficiência.

Sempre defendi que nenhum audiodescritor profissional trabalhe de graça. Quanto mais acho que avançamos, mais vejo o quanto ainda temos por fazer.

Algumas semanas atrás, estive em um evento no qual um dos participantes, produtor cultural, disse que a audiodescrição, a legendagem e a Libras eram muito caros. Perguntei a este produtor se ele havia se lembrado de incluir no orçamento do projeto os recursos de acessibilidade, assim como certamente havia incluído cenografia, coreografia, direção, elenco, iluminação, figurino, etc. Obviamente que não havia incluído os recursos de acessibilidade, portanto, este item não estava previsto na captação de recursos do projeto. Assim é muito fácil entender porque vários produtores culturais atribuem ao custo suas justificativas para a ausência de acessibilidade em seus projetos, não?

Felizmente, algumas secretarias estaduais das Pessoas com Deficiência e o Ministério da Cultura parecem estar começando a assumir a responsabilidade do Estado em promover a acessibilidade comunicacional. A audiodescrição, a interpretação em Libras, a legendagem e demais meios de comunicação complementar ou alternativos precisam ser obrigatórios em todos os financiamentos públicos para a cultura. Só assim os produtores culturais não se esquecerão de incluir os recursos de acessibilidade nos orçamentos de filmes, peças de teatro e todos os tipos de projetos culturais.

Paulo Romeu

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