Ricky terá exibição com audiodescrição no CCBN

Longa do diretor François Ozon, "Ricky", abre a mostra dedicada a grandes diretores do cinema mundial. Bem aceito pela crítica, a realização se destaca entre a média da produção filmográfica francesa atual. Excepcionalmente, a sessão ocorrerá nesta terça, 4, às 14h, e será voltada aos deficientes visuais.

Ricky

Sequência de RICKY (2009), fábula de François Ozon

Considerado um dos mais proeminentes jovens diretores franceses, François Ozon, 45 anos, tornou-se conhecido através dos filmes 8 Mulheres (8 Femmes), França, 2001) e à beira da piscina (Swimming Pool), EUA, 2003). Com Ricky (Ricky), França, 2009), Ozon foge um pouco à regra dos seus trabalhos anteriores, surpresa que causou boa impressão, mas não chegou a entusiasmar demasiadamente à crítica especializada. O que soa, até boa parte do filme, como mais um dos produtos de feitio realista que caracterizam o grosso da produção cinematográfica francesa atual, revela-se como uma fábula – para alguns críticos é até difícil "enquadrar" o longa em alguma categoria – insuspeitada. Esta "virada" é talvez o grande mérito de uma película que parece, à primeira vista, fadada a fazer o público refletir e chorar.

Ponto para as atuações extremamente naturalistas, ao ponto mesmo de confundir o expectador. O elenco, encabeçado pela atriz Alexandra Lamie, que encarna a operária francesa (e mãe solteira) Katie, pela jovem Mélusine Mayance, que na trama vive Lisa, a filha de Kate, e por Sergi Lopez, que atua como Paco, colega de fábrica e amante de Kate, é primoroso e sustenta galhardamente uma estória com tons fantásticos que convida o espectador a mergulhar num mundo de verossimilhança própria, no qual a reivindicação de qualquer estatuto de realismo só faz sentido para espectadores, digamos, mais diletos (para não dizer chatos, mesmo).

A estória versa sobre essas personagens principais, envolvidas em torno do nascimento de Ricky, fruto de um breve "ffair" entre Kate e Paco, e que possui características sobre-humanas, reveladas aos poucos. Lisa, a primogênita de Kate, precisa tanto segurar a barra da mãe (uma mãe solteira, obviamente uma desajustada, segundo a lógica conservadora do povo francês), como dar atenção ao novo irmão, o que gera ciúmes. Este não é o único sentimento envolvido numa trama que deveria primar pela fantasia, mas que termina por abordar (também) a reconstituição de laços familiares afrouxados pelas vicissitudes da vida em comum. Não à tôa o filme, apesar do tom fantástico, ganhe ares de dramaticidade que o pontuam do começo ao final, independentemente das mudanças de foco do roteiro.

Se este é um filme que não chega a ser nenhuma obra-prima, vale a pena conferir o bom resultado da junção feliz de elementos como um bom roteiro, um bom elenco, dosados pela mão experiente de um grande diretor.

Ricky será exibido nesta terça-feira, excepcionalmente às 14h, na Vila das Artes, em sessão de audiodescrição voltada à deficientes visuais.

O filme abre a mostra "grandes diretores" e é realizada sob curadoria de Pedro Paulo Freire. A mostra segue durante todo o mês de junho, às terças-feiras, na Vila das Artes.

Ficha técnica

Ricky (Ricky, França, 2009). Com Alexandra Lamie, Mélusine Mayance e Sergi Lopez. 90 min.

Onde assistir

Vila das Artes. Rua 24 de maio, 1221, Centro, Fortaleza/CE. Nesta terça, 4, às 14h. Haverá debate ápós a exibição.

Fonte: Diário do Nordeste

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