GiraD dança apresenta dois espetáculos no CCSP

Em cartaz de hoje (21) à sexta (23), a companhia de dança contemporânea Gira Dança, do Rio Grande do Norte, apresenta Proibido Elefantes, no Centro Cultural São Paulo, com entrada gratuita. No sábado e no domingo (dias 24 e 25), apresentarão outro espetáculo intitulado Sobre Todas as Coisas, coreografado pelo mineiro Mário Nascimento.

Antes de discorrer sobre o que há de paradoxal (ou contraditório) na obra dos artistas potiguares, é preciso destacar que a companhia Gira Dança foi fundada em Natal pelos bailarinos Anderson Leão e Roberto Morais em 2005, integrando no mesmo ano a Mostra Arte, Diversidade e Inclusão Sociocultural realizada no Rio de Janeiro. Longe de ser uma iniciativa dedicada a promover somente a "inclusão social" de pessoas portadoras de necessidades especiais (PPNE), o Gira Dança posicionou-se como um grupo criativo e inovador em sua proposta e temáticas. Embora não sejam os únicos, no Brasil e no mundo, a incorporar no elenco PPNE – cultura que dialoga formalmente com a produção cênica em âmbito internacional.

Gira Dança apresenta Proibido Elefantes

Proibido Elefantes tem uma estrutura que dialoga formalmente com a produção cênica em âmbito internacional. Nos momentos iniciais já se percebe isso. Não se trata de um espetáculo embebido na cultura regional ou em regionalismos. Avança-se para uma linguagem e dramaturgia que se encaixa em padrões cênicos e estéticos vigentes, especialmente quando se trata de dança contemporânea. Ali, o sotaque ganha vez e dá indícios do lugar de origem dos intérpretes, que em maioria possuem cabeleiras lindamente encrespadas.

Jania Santos, Joselma Soares, Marconi Araújo, Rodrigo Minotti e Rozeane Oliveira compõem, como elenco, um grupo uniforme na postura e na verdade cênica que emprestam a suas personagens. Álvaro Dantas complementa este time de bailarinos-criadores que foram coreografados por Clébio Oliveira, bailarino e coreógrafo brasileiro radicado em Berlim.

Voltemos ao paradoxo. Durante o espetáculo, as coreografias do Gira Dança são acompanhadas por audiodescrição realizadas pelos próprios bailarinos, criando um jogo em que a palavra torna-se um desencadeador da criação de imagens-significados como também se torna um elemento enfraquecido diante da criação de imagens-movimentos. Porém, ao pensar em acessibilidade, tema inerente ao Gira Dança, a audiodescrição parece ser um recurso que permite a cegos acompanharem o trabalho.

Na Gira Dança, há uma anulação admirável das diferenças entre os corpos de seus intérpretes, fazendo com que todo corpo lá no palco seja um corpo dançante. E, paradoxalmente, é por meio da diferença que se conquista a equidade. Pois, afinal, igualdade é quase um mito.

Estar sentado na plateia é aprender sobre si mesmo, sobre os próprios preconceitos e ter a oportunidade de promover uma limpeza no olhar e ver que a dança é sim para todos. No entanto, Proibido Elefantes toca de maneira muito sensível em aspectos aviltantes de nossa sociedade, especialmente no que se refere à (in)visibilidade das PPNE (ou as pessoas "não-normais").

Há um conflito a ser resolvido: ao mesmo tempo em que se projeta e se realiza a anulação desejada das diferenças, reafirma-se por todo o tempo a existência dessas diferenças. Por isso, a saída do teatro é acompanhada por este sentimento dúbio de querer ver essa anulação – uma vez que as diferenças são explícitas e dispensam o discurso de "inclusão"; por outro lado, se a Gira Dança não toma para si esse papel político de discutir o tema "inclusão", quem mais o faria?

Nota 1: O termo "inclusão" foi grafado aqui entre aspas porque, segundo uma perspectiva sociológica, não existem incluídos e excluídos, uma vez que todos os indivíduos são integrantes de uma sociedade. "Inclusão" foi empregada para facilitar o entendimento, se fazendo valer do seu uso mais popular, que se refere à integração social.

Nota 2: A Gira Dança esteve em cartaz na semana passada, em São Paulo, de 15 a 18 de agosto, na Galeria Olido.

Gira Dança apresenta Antes de todas as coisas

por Rafael Ventuna: jornalista e crítico, com especialização em Economia e Gestão de Bens Culturais pela Fundação Getúlio Vargas. É também pesquisador de Dança Contemporânea Brasileira.

Gira Dança: Serviço:

Proibido Elefantes
Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho
Rua Vergueiro, 1.000 (Metrô Vergueiro)
De 21 a 23 de agosto
Quarta a sexta, às 21h
Grátis – retirada de ingressos na bilheteria, duas horas antes do início de cada apresentação
55 minutos
Classificação: 14 anos

Sobre Todas as Coisas
Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho
Rua Vergueiro, 1.000 (Metrô Vergueiro)
Dias 24 e 25 de agosto
Sábado, às 21h, e domingo, às 20h
Grátis – retirada de ingressos na bilheteria, duas horas antes do início de cada apresentação
43 minutos
Classificação: 14 anos.

Fonte: Gira SP – o portal da metrópole

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