Resenha do livro Os Novos Rumos da Pesquisa em Audiodescrição no Brasil

O livro organizado por Vera Lúcia Santiago Araújo (Pós-Doutorada pela UFMG e pesquisadora de temas de Tradução Audiovisual) e Marisa Ferreira Aderaldo (Doutoranda pela UFMG em Estudos de Tradução) traz 17 artigos que nos colocam a parte do que vem sendo pesquisado no Brasil em termos de Tradução Audiovisual e Audiodescrição e, consequentemente, quais os rumos que conduzem à pesquisa desse tipo de prática.

Primeiramente, existe a preocupação em situar o leitor sobre a definição de audiodescrição. As organizadoras explicam que o termo advém da tradução audiovisual oriunda de produções audiovisuais intersemióticas (como cinema, obras de arte, televisão, evento esportivo, teatro, entre outros) que recebem uma "tradução" tornando-se acessível a pessoas com deficiência visual.

Esse projeto iniciou-se em meados de 2000 e foi financiado pelo CAPES (PROCAD e CAPES), houve uma parceria entre a Universidade Estadual do Ceará e da Universidade Federal de Minas Gerais.

As pesquisas presentes na obra reúnem estudos da Universidade Federal da Bahia, da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte e da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

Além de proporcionar a interação do leitor acerca de termos técnicos relacionados à audiodescrição, as pesquisas abarcam estudos sobre alguns gêneros dessa área e discutem alternativas para o aprimoramento dessa modalidade abrangendo a audiodescrição de filmes, obras de arte (pinturas e esculturas) e narrativas.

O artigo que inicia o livro intitulado "Proposta da microestrutura de um glossário semitrilíngue dos termos da audiodescrição" de Francisca R. B. de Medeiros e Antonio Luciano Pontes propõe a criação de um glossário de termos audiovisuais semitrilíngue (pois abarca os verbetes em português, inglês e espanhol). O artigo tem como principal referência teórica Maria Teresa Cabré, do Instituto de Linguística Aplicada da Universidade de Pompeu Fabra, em Barcelona. Cabré propôs a Teoria Comunicativa da Terminologia que tem como base a potencialidade da comunicação como um todo. Os autores, dessa forma, avaliaram algumas ferramentas do software Worldsmith Tools, utilizado para o levantamento rápido de verbetes. Para quem trabalha com a audiodescrição um glossário semitrilíngue seria uma boa proposta para busca de termos específicos da área audiodescritiva e, mais ainda por abranger três idiomas.

O artigo denominado "Projeto Cinema ao Pé do Ouvido: um estudo sobre a recepção à audiodescrição" de Julio Pinto e Flávia Mayer dá ênfase à carência da sociedade em atender as necessidades dos portadores de deficiência visual. Análises acerca do processo de audiodescrição (sonoplastia, percepção do espaço, referenciais culturais e sociais) e da receptividade pelos indivíduos com deficiência visual mostraram que é possível relacionar a imagem e o som à audiodescrição, demonstrando satisfação por parte dos portadores de deficiência visual.

Os dados sobre a população que abrange os deficientes visuais parciais e cegos estão embasados em dados comprobatórios do IBGE (2010) (também apontados no livro) que também traz uma grande literatura que norteou esses estudos. Um excelente livro para quem deseja se aventurar pela fascinante área de Tradução Audiovisual.

por lucivillela – Grupo de Pesquisa Matav – Unesp Bauru

Fonte: Mídia Acessível e Tradução Audiovisual

Mais sobre audiodescrição
No livro Audiodescrição na Escola: Abrindo Caminhos para Leitura de Mundo, Lívia nos conduz pelo
O livro Audiodescrição: Práticas e Reflexões nasce do desejo e da necessidade de observarmos o
O cinema, essa máquina de produzir imagens e fomentar a imaginação, é um ambiente que


Mais sobre audiodescrição
No livro Audiodescrição na Escola: Abrindo Caminhos para Leitura de Mundo, Lívia nos conduz pelo
O livro Audiodescrição: Práticas e Reflexões nasce do desejo e da necessidade de observarmos o
O cinema, essa máquina de produzir imagens e fomentar a imaginação, é um ambiente que