A audiodescrição no ambiente escolar

A audiodescrição começa a engatinhar no Brasil. Mesmo com o decreto da obrigatoriedade de, no mínimo, quatro horas semanais de conteúdo audiodescrito nas emissoras de sinal aberto, a medida ainda não é o bastante para a real inclusão dos deficientes visuais à sociedade. Apesar de a programação televisiva auxiliar no crescimento da acessibilidade, não podemos esquecer que há outro lugar onde esse recurso é ainda mais importante e essencial para o desenvolvimento do ser humano: o ambiente escolar.

Nas salas de aula, essa ferramenta, que facilitaria o aprendizado de deficientes visuais, é extremamente necessária, porém pouco usual. O audiodescritor da empresa Tagarellas Audiodescrição, Felipe Mianes, em Audiodescrição Ainda Está Longe das Escolas, afirmou que : "A audiodescrição é muito importante no processo de educação do aluno e não há esta formação nas grades curriculares das graduações de licenciatura". Portanto, o profissional interessado em trabalhar na área teria que procurar cursos de extensão para se especializar no tema. A escassez desses profissionais limita a produção de materiais audiodescritos e contribui para o encarecimento desses serviços, fazendo com que os investimentos na área sejam insuficientes.

É preciso voltar os olhares para a produção de materiais pedagógicos para crianças e adolescentes portadores de deficiência visual em idade escolar. Com a ajuda da tecnologia, as ilustrações dos livros, os gráficos, mapas, fotografias e desenhos podem ser narrados, ajudando a expandir o conhecimento dos alunos. Isso proporciona uma maior integração do aluno com deficiência visual dentro da sala de aula e dá fluência ao ritmo escolar, igualando o nível de todos os alunos, portadores e não portadores de deficiência. É o que diz a doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem, Lívia Maria Villela de Mello Motta: "O uso da audiodescrição na escola permite a equiparação de oportunidades, o acesso ao mundo das imagens e a eliminação de barreiras comunicacionais". Ela atua na área de formação de professores, com foco na formação de audiodescritores.

Por: Bruna Chaves e Thalita Bianchini – Grupo de Pesquisa Matav – Unesp Bauru.

Fonte: Mídia Acessível e Tradução Audiovisual

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