Audiodescrição para deficientes visuais e intelectuais no Museu de Arte Moderna da Bahia

Um universo que pode ser desbravado a partir das sensações e da imaginação, e não apenas pelo olhar. Esta é a proposta da técnica de audiodescrição (AD), que proporciona o maior acesso de pessoas com deficiência visual e/ou intelectual à arte. O Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) já utilizou a técnica nas mostras Jorge Amado e Universal (2012) e Esquizópolis, que ficou em cartaz até o último domingo, 1º.

A ação – realizada pelo grupo Tradução, Mídia e Audiodescrição (Tramad) e pelo Centro de Apoio Pedagógico da Bahia (CAP) – aproximou o público das obras expostas, cujas imagens são a base de interpretação e compreensão.

Em Esquizópolis, a orientação e as visitas guiadas foram realizadas por Juniro Almeida, integrante do Tramad e mediador cultural do MAM-BA. Durante dois dias, cinco pessoas com deficiência visual e outras três com deficiência intelectual – atendidas pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Santo Amaro da Purificação – conheceram o museu, interagiram com sua natureza arquitetônica e acompanharam a audiodescrição de cinco obras da mostra.

Audiodescrição das obras de Esquisópolis

Audiodescrição foi feita em cinco obras de Esquizópolis

As obras audiodescritas foram "Passeio Socrático", fotografia de George Lima; "Contempladores da ganância insaciável", de Augus; "Ausentes", de Rosane Andrade; "Frente e verso", de Alex Moreira, e "17 anos, 2 meses e 10 dias", do artista e mestre em artes visuais Rener Rama. Esta última obra é um vídeo, que também faz parte do acervo do MAM-BA.

Contato com a cultura – Para a estudante de pedagogia Valdete Narciso, que possui deficiência visual, participar da visita foi muito agradável, pois foi sua primeira vez no local. "Imaginava um lugar bonito, por que muitas pessoas já me indicaram vir até ele. Após este convite, pude ter uma relação com a natureza e a estrutura arquitetônica, o que me favorece a ter contato com uma cultura mais aberta e acessível", conta Valdete, que faz parte de um grupo de pesquisa na graduação, sobre educação especial na perspectiva da educação inclusiva.

Para Juniro, o trabalho com deficientes requer sensibilidade e boa vontade para estar disponível a este público. "Na audiodescrição, as imagens são interpretadas, mas são eles que fazem a própria leitura do assunto exposto, a partir de suas vivências e compreensão de mundo", conta. De acordo com o mediador, o recurso consiste na descrição objetiva de todas as informações visuais da obra que comunicam algo, por exemplo, o material utilizado na produção, a descrição sonora do ambiente e de cenários estáticos.

"O vídeo com audiodescrição permite que o usuário receba a informação contida na imagem ao mesmo tempo em que esta aparece, possibilitando que a pessoa desfrute integralmente da obra, seguindo a trama e captando a subjetividade da narrativa, da mesma forma que alguém que enxerga", esclarece o mediador.

Além de possuir formação em cinema pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Juniro tem experiência com trabalhos de tradução e produção audiovisual. Participa do grupo de pesquisa da UFBA Tramad, o primeiro no Brasil a se dedicar ao estudo sistemático e implementação da acessibilidade audiovisual para deficientes visuais através da audiodescrição. O grupo é coordenado pela professora Eliana Franco, docente do Instituto de Letras da UFBA e especialista em Tradução Audiovisual.

o mediador participará de congresso sobre audiodescrição

O mediador Juniro Almeida (ao centro) vai participar de congresso sobre audiodescrição em Florianópolis

Congresso – A partir do ano 2000, a tradução audiodescrita ganhou maior projeção no Brasil, através das novas normas de acessibilidade discutidas em nível global. De 23 a 26 de setembro, Juniro Almeida apresentará o resultado do projeto no MAM-BA, no XI Congresso Internacional da Associação Brasileira de Pesquisadores em Tradução (ABRAPT) e V Congresso Internacional de Tradutores, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis.

O evento tem o objetivo de discutir as modalidades de tradução audiovisual voltadas para a acessibilidade de pessoas com deficiência sensorial (cegas e surdas) e intelectual aos meios audiovisuais, tais como a legendagem para surdos e ensurdecidos (LSE), dublagem, voice-over e audiodescrição (AD). O simpósio vai reunir profissionais da área (legendistas, audiodescritores, tradutores, diretores de dublagem, distribuidores, etc) e pesquisadores de outras áreas que possuam interface com este objeto de análise, tais como Estudos Fílmicos, Linguística de Corpus, Multimodalidade, Estudos Processuais da Tradução, Interpretação de Sinais e Tecnologias Assistivas.

por Thaís Seixas

Fonte: Museu de Arte Moderna da Bahia

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