A arte é ilimitada

Eles não sabem o significado da palavra “limitação” e têm muito o que comemorar no Dia Internacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Os brasilienses João Júlio, Jefferson Ramos e Glauco Rodrigues são exemplos de que não há limites para criar.

Em 2007, após a exibição de um filme no Cine Brasília durante testes de audiodescrição, o secretário de Cultura Silvestre Gorgulho perguntou entusiasmado ao grupo de colaboradores cegos que participavam da iniciativa: "Estão gostando?"

Opinião decisiva

Um dos presentes não titubeou e tratou logo de manifestar total desagrado com o que acabara de assistir. "Gostaria de saber quem é que fez a seleção desses filmes. Porque até eu – que não enxergo – faço filmes melhores", disse o espectador João Júlio Antunes.

Curioso para saber como é que uma pessoa sem visão poderia atuar atrás das câmeras, Gorgulho ajudou João Júlio a dar os primeiros passos na sétima arte. "Fazer cinema era um sonho desde pequeno. Agora trabalho no roteiro de um longa-metragem", adianta João Júlio, de 47 anos.

Desafio aceito

Cego desde os 30, de lá para cá, o deficiente visual – que sofre de retinose pigmentar – já realizou dois curtas-metragens com o apoio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). O primeiro, O Jogo, realizado em 2010, foi uma verdadeira prova de fogo proposta pelo roteirista José Luiz Mazzaro. "Você só pode estar de brincadeira comigo! Como é que um cego consegue fazer um filme mudo?", perguntou João Júlio ao amigo roteirista.

Mergulho na poesia

Aos 62 anos, o escritor e poeta paulista Glauco Mattoso, deficiente visual desde os 40 anos, não deixou que a aparente limitação atrapalhasse sua rotina profissional. O artista é hoje um colaborador profícuo de textos e poesias para imprensa eletrônica e impressa. "É uma situação difícil, espécie de morte em vida. Até hoje, não me acostumei. Mas encontrei na literatura uma válvula de escape diante do problema". É tudo uma questão de adaptação.

O segundo curta de João Júlio, Uma Vela para Deus e Outra para Beto, chegou a ser inscrito no Festival de Brasília 2012, mas o projeto não foi classificado. Persistente, o cineasta já adianta a história de seu próximo trabalho. "É sobre um mendigo que tem sua vida transformada", antecipa o diretor, que conta com a ajuda de um assistente durante as filmagens.

Além do óbvio

Portador de artogripose múltipla congênita, doença caracterizada pela impossibilidade de movimentos dos membros inferiores e superiores, o escritor e artista plástico Jefferson Ramos da Cruz não para. No livro Minha Vida em Rodas Me Faz Capaz de Voar e Sonhar (Editora Thesaurus), o escritor narra sua experiência como deficiente. O artista, de 18 anos, já tem quase 20 telas pintadas em seu quarto. Impossibilitado de pintar com as mãos, Jefferson Ramos usa a boca para dar contornos e traços às pinturas. "Foi difícil me adaptar, mas não desisto fácil. Desde cedo, aprendi a andar com a cabeça erguida", conta.

Fonte: Jornal de Brasília

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