Audiodescrição no contexto da acessibilidade para as pessoas com deficiência: entrevista com a profa Eliana Lucia Ferreira

Coordenadora de Acessibilidade Educacional, Física e Informacional (CAEFI)da UFJF, a professora Doutora Eliana Lucia Ferreira, fala sobre os objetivos e importância de uma pós-graduação em audiodescrição no contexto da acessibilidade para as pessoas com deficiência.

Eliana  Lúcia Ferreira

1. Por que a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) optou por oferecer o primeiro Curso de Especialização em Audiodescrição do Brasil?

No conjunto das funções sociais compete à universidade ocupar o lugar de vanguarda na construção crítica do conhecimento e na solução dos problemas sociais, propondo alternativas concretas para os problemas detectados.
Em 2009, a UFJF criou a Coordenação de Acessibilidade Educacional, Física e Informacional (CAEFI), tendo como um dos seus objetivos o desenvolvimento de projetos que produzam conhecimentos e alternativas que promovam a melhoria das condições de acesso à cultura, ao ensino, ao esporte, dentre outros. E para tal, muitos projetos de ensino, extensão e pesquisa vêm sendo desenvolvidos a nível local, regional, nacional e internacional.
Um dos projetos que podemos citar foi a realização, em 2012, do 2º Encontro Nacional de Audiodescrição. Este evento se deu a partir da parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e os representantes dos audiodescritores no Brasil e também organizadores do Encontro Nacional de Audiodescrição (dentre eles, Livia Motta e Paulo Rommeu Filho).
No evento, foi apontado que o público com deficiência visual que já experimentou os produtos audiovisuais, espetáculos e eventos com audiodescrição passou a reivindicar o recurso. No relatório final do encontro foi destacada também a urgência de oferecer cursos que atendam à complexidade e às especificidades das inúmeras aplicações da audiodescrição.
Como legado deste evento foi proposto pelos participantes a realização de um Curso de Especialização em Audiodescrição. E a partir daí a CAEFI/UFJF, juntamente com a Prof.ª Livia Motta, não mediram esforços para a concretização deste curso, pois capacitar profissionais para atuar com a população de pessoas com deficiência consiste em atender uma demanda social emergente.

2. Qual é a importância deste curso para a área de acessibilidade comunicacional e acessibilidade em geral?

No Brasil, segundo dados do IBGE (2011), existem aproximadamente 16,5 milhões de pessoas com deficiência visual total e parcial que buscam autonomia e possibilidades de inclusão social. Por outro lado, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, dentre seus objetivos, destaca a importância em proporcionar acessibilidade a todas as pessoas com deficiência.
Portanto, a Audiodescrição é uma proposta de acessibilidade que possibilita que as pessoas com deficiência visual tenham autonomia para assistir vídeos, filmes, teatro, esportes e as atividades escolares, tendo, assim, os seus direitos respeitados. Assegura, ainda, o direito de todos à informação e à comunicação, obedecendo os preceitos da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU.

3. Enquanto Coordenadora de Acessibilidade Educacional, Física e Informacional da UFJF, como esse curso pode contribuir para a sua área de atuação no campo da inclusão?

Uma das formas de superação das desigualdades nos dias de hoje é o conhecimento e o livre acesso em todos os espaços púbicos. A audiodescrição consiste na narração que descreve imagens, sons, textos e outras materialidades que não poderiam ser compreendidos pelas pessoas com deficiência visual. Sendo assim, a criação e a manutenção de serviços de informações acessíveis ao cidadão é, sem dúvida, uma forma de reduzir as desigualdades sociais.
A garantia de pleno acessso, participação e aprendizagem das pessoas com deficiência se dá por meio da disponibilização de materiais didáticos e pedagógicos acessíveis. Além disso, disseminar conceitos e práticas de acessibilidade caracteriza-se em compromisso institucional com a construção de uma sociedade inclusiva.

4. Uma das ênfases de sua formação acadêmica é em Análise do Discurso. No que concerne aos aspectos da linguagem, qual deve ser a preocupação do profissional que realiza a audiodescrição?

A inclusão da profissão de audiodescritor na CBO – Classificação Brasileira de Ocupações – no dia 21 de fevereiro de 2013, com posterior regulamentação da profissão, reforça a necessidade de formação desse profissional, apontando para os pré-requisitos básicos para o exercício da profissão.
A proposta deste Curso de Especialização é formar especialistas em audiodescrição, que possam atuar como audiodescritores roteiristas, narradores e/ou consultores nos mais diversos contextos e ambientes culturais, educacionais, esportivos e corporativos. Devido às diversas especificidades desta área, será necessário incorporar profissionais de todas as áreas do conhecimento. Nossa maior preocupação é que este profissional tenha subsídio para garantir a qualidade dos serviços prestados.

Fonte: Núcleo do Grupo de Pesquisa em Inclusão, Movimento Ensino a Distância (UFJF)

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