Acessibilidade para melhorar a aprendizagem

Os profissionais do setor de Produção de Material Didático do Cead/UFJF passam por constantes atualizações. Atualmente, eles participam de um curso de capacitação sobre acessibilidade nos recursos didáticos. A já evidente preocupação do setor com a qualidade do material produzido foi reforçada com a chegada da nova coordenadora, Liamara Scortegagna, que trabalha com EaD há mais de 15 anos e para quem o material didático é um elemento fundamental na educação a distância.

Acessibilidade para melhorar a aprendizagem

O curso de capacitação em produção de materiais didáticos acessíveis para educação a distância tem a finalidade de apresentar para professores, coordenadores e equipes envolvidas com esse trabalho formas de tornar o material mais atrativo aos alunos de EaD.

Segundo o doutor em educação e professor de didática da Universidad Nacional de Educación a Distancia (Uned) da Espanha, Tibério Feliz Múriaz, o curso é focado em compreender a importância dos recursos utilizados para ensinar.

"A finalidade de todo professor é melhorar a aprendizagem dos alunos. Qualquer ensino que não produzir aprendizagem efetiva não serve para nada. Quando falamos de recursos, não devemos falar de recursos como elementos isolados, mas dentro do ambiente de ensino. É importante perceber que a aprendizagem pode ser melhorada à medida que melhoramos nossa metodologia como professores", explica.

Segundo Múriaz, acessibilidade, como se tende a pensar, não se refere apenas aos portadores de alguma deficiência, mas às pessoas em geral, pois significa melhoria dos recursos apresentados.

"Melhor acessibilidade quer dizer melhor qualidade, estruturação e organização dos recursos. Tem a ver com a forma com a qual comunicamos e apresentamos nossa disciplina e com a forma que propomos a aprendizagem. Quando adicionamos recursos novos a um vídeo, por exemplo, como uma audiodescrição, estamos contribuindo para o entendimento de uma pessoa cega, é claro, mas também enriquecerá a explicação do conteúdo para qualquer outra pessoa", explica o professor.

A pedagoga do setor de produção de material didático do Cead, Liliane dos Santos, acredita que o curso ampliou a visão do setor. "O pessoal está conhecendo o outro lado, pois, antes, só víamos o lado de quem produz. Agora estamos aprofundando a parte pedagógica, nos voltando para o lado do aluno, ou seja, de quem recebe esse material que é produzido, e isso faz toda a diferença no conteúdo final", ressalta.

Nova coordenação

A nova coordenadora do setor de produção, Liamara Scortegagna, trabalha com EaD há mais de 15 anos. "A minha graduação e pós-graduações, mestrado e doutorado sempre foram em relação à educação a distância", ressalta. Antes de ser aprovada no concurso da UFJF, Liamara ajudou a implementar a educação a distância em outra universidade, o que lhe possibilitou conhecer todos os trâmites legais da EaD.

Para a nova coordenadora, que já chegou a um setor estruturado, esse primeiro momento é de observar e conversar com os profissionais, verificando como eles trabalham e quais são as necessidades da equipe.

"A partir dessa primeira avaliação, a gente começa a melhorar esse processo de trabalho e incluir novos processos, os quais julguemos necessários para que as pessoas realmente tenham sucesso, ou seja, cumpram seu objetivo dentro do Cead, que é a produção de material didático. Essa é minha primeira motivação, um trabalho em equipe", explica Liamara.

O material didático é um elemento fundamental para a educação a distância. Segundo a coordenadora, "é ele que guia o aluno no processo de aprendizagem, pois, mesmo tendo tutores e professores, é com o material didático que o aluno passa a maior parte do tempo". Ainda segundo Liamara, cada aluno gosta de um tipo de material diferente: têm aqueles que gostam mais de ler e escrever, os que gostam de assistir às videoaulas, e aqueles que gostam de aplicativos em seu computador.

Para a coordenadora, a maior contribuição dos materiais didáticos em diferentes mídias é atrair a atenção dos alunos.

"O aluno a distância já é isolado por natureza, eu fico imaginando você receber o que eu chamo de PDF chapado, sem nenhuma figura, 50, 100 páginas, aí ele começa a ler aquilo e vai ficando enfadonho. Agora, se ele receber uma parte desse material em outras mídias, não fica tão cansativo e ele tem um aproveitamento melhor".

Para a coordenadora, existe cada dia mais a necessidade de elaborar materiais didáticos que atraiam a atenção do aluno, em uma geração que aprecia mais do que nunca a tecnologia, embora a EaD atenda também um outro perfil de alunos que não têm fácil acesso a ela.

"Precisamos desenvolver materiais que atendam esse público diversificado, portanto devemos pensá-los dessas duas maneiras, para acompanhar as inovações, mas também para chegar àquela parcela ainda não contemplada por essas tecnologias", afirma a nova coordenadora.

Professora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Liamara Scortegagna atua no Departamento de Ciência da Computação, no curso de Licenciatura em Computação na modalidade Educação a Distância, e é Coordenadora do Projeto de Universalização da Informática (PUI), além de ser pesquisadora em EaD.

por Daniele Xavier

Fonte: Universidade Federal de Juíz de Fora

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