Novas e antigas profissões

Com o avanço tecnológico e a mudança de hábitos, atividades tradicionais desaparecem e cedem lugar a novas formas de trabalho, muitas delas inimagináveis há poucos anos. O sapateiro, o alfaiate e o ascensorista são profissionais cada vez mais escassos. Enquanto isso, novos campos de atuação ganham espaço no mercado como o audiodescritor, por exemplo.

Profissões em Extinção

Algumas profissões estão se tornando tão raras que fica difícil até encontrar alguém para falar sobre ela. É o caso do ascensorista de elevador. Depois de muita procura, surge Rafael Paim, curiosamente um jovem de 24 anos "Profissão rara? Pode falar comigo mesmo", diverte-se Rafael. Ele trabalha há um ano no Edifício Barão do Rio Branco no centro de Salvador.

Confirmando a suspeita da diminuição desse tipo de profissional, ele afirma ter conseguido o emprego sem nenhuma concorrência. Competia sozinho pela vaga. O treinamento consistia em um dia inteiro dentro de um elevador pra se acostumar com o ambiente. Hoje trabalha 6 horas por dia, afirma não ter nenhum tipo de fobia e diz ter feito muitas amizades no emprego.

Rafael destaca como ponto negativo da profissão o estresse causado pelos elevadores sempre cheios (o edifício só possui um) e a falta de educação de algumas pessoas: "Algumas entram, ignoram e eu que tenho que perguntar para qual andar elas vão", relata. Apesar de gostar do emprego, Rafael, que fez curso de Petróleo e Gás, pretende mudar de profissão assim que surgir a oportunidade.

Seu Raimundo trabalha como sapateiro a quase 40 anos

Também no centro de Salvador, mais precisamente no Largo 2 de Julho, Raimundo Oliveira, 56 anos, há 37 se dedica ao ofício de sapateiro. Ele diz que quando começou era uma atividade lucrativa, mas hoje sente que diminuiu bastante a procura de clientes. Ele atribui isso à concorrência desleal das fábricas de calçados. Mesmo assim, Seu Raimundo mantém o brilho nos olhos ao falar da profissão responsável pelo sustento da sua família durante essas três décadas.

Novas Profissões

Por outro lado, no campo das novas profissões, temos o audiodescritor. Profissional encarregado de traduzir em palavras o conteúdo das imagens que aparecem no cinema, na TV, mostra de artes ou em qualquer suporte de exibição. Esse trabalho é desenvolvido para atender a pessoas cegas ou com deficiência visual. Letícia Schwartz, 41 anos, é audiodescritora na empresa Mil Palavras Acessibilidade Cultural Ltda, sediada em Porto Alegre. Ela começou a carreira em 2008, de maneira empírica. "Eu desenvolvia roteiros para audiodescrição e os narrava", conta Letícia.

Veja também: Audiodescritor: carreira em ascensão, mesmo em época de crise

A profissão de audiodescritor tem sido demandada por emissoras de TV, instituições culturais e produtores de cinema. A formação desse profissional ainda sente falta de cursos de longa duração. Letícia ainda assegura que apesar de já contar com a experiência profissional, ainda está em formação, porque o campo é novo e rico em abordagens.

"Os desafios são muitos. Poderia citar a falta de regulamentação da profissão, que deixa a categoria frágil e sujeita a um mercado instável e muito aberto a pessoas que se autointitulam audiodescritores sem qualquer critério", aponta. Ela assegura que há também a postura dos produtores culturais, que ainda não entendem a oferta de acessibilidade como uma oportunidade de conquistar novos públicos. Clique na foto para ouvir o depoimento de Letícia.

As novas profissões que surgem com a internet

Com o mar de informações em que se tornou a internet, o tratamento desses oceanos de dados requer a atuação de novos especialistas. Com as pessoas mais conectadas, as empresas necessitam de profissionais com habilidade para fazer a ponte entre realidades antes tão distantes e agora tão próximas. A mobilidade e a quebra de fronteiras fizeram de cursos como os de desenvolvimento de aplicativos de web convergentes, que funcionam em tablets e em smartphones figurar entre os preferidos dos jovens.

Quem já tinha estrada profissional também não perdeu a vez. Há atividades que surgiram justamente para integrar veteranos às novas realidades. Muitas profissões se transformaram completamente, sem deixar de se fazer essencial. “Há muitas especializações voltadas para a internet. Há o cinegrafista que aprendeu a lidar com outras ferramentas e descobriu que vídeos mais curtos atraem mais a atenção do internauta. Até o vendedor de anúncios aprendeu a diferença de linguagem na nova mídia”, explica Ricardo Basaglia, diretor-executivo da Michael Page, multinacional da área de recrutamento profissional.

Dessa forma, todas as profissões desempenham seu papel e mostram sua importância no nosso dia a dia. Algumas apenas se fundem, se transformam e se renovam para se adaptar aos novos tempos. Outras ficam no passado e desaparecem por completo. O tempo nos mostrará o que nos reserva o futuro. Esse futuro que talvez já tenha chegado.

Fonte: Universidade Federal da Bahia

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