Inclusão esbarra nos interesses econômicos

O processo de inclusão das pessoas com deficiência tem chegado também devagar à produção audiovisual e um dos principais motivos certamente está nos interesses econômicos dos responsáveis pela produção cultural. O governo, por sua vez, tenta resolver a questão: a Instrução Normativa nº 116 da Ancine (Agência Nacional do Cinema), assinada em 18 de dezembro de 2014, define que todos os projetos financiados com recursos da agência têm que contemplar legendagem descritiva, audiodescrição e Libras.

A audiodescrição transforma informações de imagem em palavras, para que pessoas cegas, com baixa visão, idosos e disléxicos possam compreender o contexto em que estão inseridas ou que está sendo apresentado através do cinema, teatro, espetáculo de dança ou qualquer outra atividade.

Por aqui, o mercado ainda é pequeno. São poucos os profissionais habilitados e existe pouca informação sobre o assunto. Uma das audiodescritoras de Belém é Aline Correia. "Trabalhava com pessoas cegas no Centur, como voluntária na Seção Braille. Depois que me formei em Letras, tinha interesse em neurolinguística, mas voltada para acessibilidade. Surgiu a oportunidade de um curso em Campinas e arrisquei. Foi a hora certa no lugar certo. A audiodescrição te faz olhar por ti e pelo outro, tu tens a responsabilidade de passar com mais detalhes a informação. Antes eu via e não enxergava, hoje eu enxergo de verdade. Tudo que eu vejo, busco ser fiel, mas também passa pelo meu filtro emocional. Algumas pessoas cegas não gostam disso, mas outras adoram", conta Aline.

Segundo a audiodescritora, existe uma resistência por parte da televisão brasileira, falta de diálogo e talvez de interesse para que as audiodescrições sejam disponibilizadas. "O projeto da regulamentação está esbarrando em questões políticas. Por exemplo, para estar em teatro, tem que ter cabine para o audiodescritor ficar, mas geralmente os produtores preferem que seja algo gravado, o que tira a ideia inicial. Tem vários interesses econômicos que estão tirando os direitos das pessoas com deficiência. Precisamos visualizar a pessoa cega não como um coitadinho, mas como um consumidor. Eles usam internet, celular. O que custa colocar a audiodescrição na televisão através da tecla sap?", questiona Aline.

Fonte: Diário do Pará

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