Mercado cultural acessível está em franca expansão

Aos poucos, a audiodescrição começa a ganhar espaço. Apesar de um número ainda baixo de produtos com o recurso, Porto Alegre é um dos polos nacionais que mais aposta na área, junto com São Paulo e Recife. O cinema tornou-se a área que mais investe no recurso. No ano passado, a Agência Nacional de Cinema (Ancine) determinou que todos os filmes e demais produções audiovisuais aprovadas desde 18 de dezembro de 2014 e financiados com recursos públicos incluam legenda descritiva, audiodescrição e Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Quais São Seus Sonhos: a mais nova produção do mercado cultural acessível

A Ovni Acessibilidade Universal, empresa das sócias Kemi Oshiro e Mimi Aragón, sente os reflexos da decisão, que fez com que o mercado cultural acessível crescesse. "A lógica se inverteu. Costumávamos ir em busca das produtoras, e agora são elas que batem na nossa porta", destaca Mimi. Para Kemi, a obrigatoriedade, além de atrair mais produtores, oportuniza que as pessoas com deficiência possam ter o direito de escolha. "Nem todo mundo dito ‘normal’ gosta de cinema, frequenta museu e teatro, mas por que essas pessoas podem escolher ter acesso ao produto ou não enquanto outros não podem?".

Uma das iniciativas que tem atraído a atenção do público é o Festival de Cinema Acessível, idealizado pelo Estúdio Som da Luz. A mostra se encerra nesta sexta-feira, dia 3, com a exibição do filme Tropa de Elite, na Casa de Cultura Mario Quintana. No dia 19 de junho, o público pôde conferir outro dos cinco títulos nacionais que formaram a programação. A exibição oferece, além da audiodescrição, os recursos de tela com libras e legenda.

Sidnei Schames, sócio do Som da Luz, diz que a ideia surgiu da percepção de uma carência de produtos culturais acessíveis na cidade. "Estamos trabalhando para a criação deste nicho, mas é bem difícil, já que ‘esconder’ as pessoas com deficiência é algo cultural e ainda muito forte", aponta, ao destacar que 24% da população do Estado vive com alguma deficiência. Schames observa que todas as sessões tiveram a sala de cinema lotada: 126 espectadores na primeira e 122. na segunda. "A terceira ocorreu em um dia de muita chuva e, mesmo assim, tivemos 82 pessoas na sala", comemora.

O projeto inicial contava com 12 filmes, porém, só foi possível obter patrocínio para cinco. "Temos mais sete títulos que precisam de apoio de empresas para serem exibidos", aponta a jornalista Mariana Baierle, que é colaboradora do festival e consultora em AD. Mariana, que é deficiente visual, consegue dar uma colaboração mais efetiva ao avaliar se a audiodescrição oferece todos os recursos para a construção do imaginário presentes no filme. "A oferta de produtos com AD ainda é muito restrita, mas esse festival prova que iniciativas podem acontecer na prática", avalia.

Universidade abre curso de especialização voltado à área

Para atender a demanda desse mercado cultural acessível em grande expansão, a Universidade Federal de Juiz de Fora (Ufjf), em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) oferece o primeiro curso de Especialização em Audiodescrição. A primeira turma do curso está formando profissionais de todo o Brasil, que estão aptos a ampliar o conhecimento e a importância do recurso. A pós-graduação é coordenada pela especialista em audiodescrição Lívia Motta, que ministra cursos sobre a ferramenta desde 2005. Lívia também organizou, junto com Paulo Romeu Filho, a obra "Audiodescrição: transformando imagens em palavras", primeiro livro sobre o assunto lançado no Brasil. Mais 100 novas vagas para a formação estarão disponíveis no segundo semestre deste ano.

As empresárias Letícia Schwartz, da Mil Palavras, e Kemi Oshiro, da Ovni Acessibilidade Universal, e a professora e consultora Marilena Assis estão cursando a pós-graduação, que é semipresencial. "Essa é a primeira possibilidade de capacitação acadêmica para o audiodescritor. Até então, a formação dependia de cursos de extensão ou da iniciativa pessoal de quem quisesse trabalhar na área", aponta Letícia, que é formada em Artes Cênicas e que começou na profissão por conta própria.

Fonte: Jornal do Comércio

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