Jornada Diversidade, Acessibilidade e Direitos: Diálogos com a Comunicação

Aconteceu na Unesp de Bauru/SP, nos dias 11, 12 e 13 de agosto, a XVII Jornada Multidisciplinar, Diversidade, Acessibilidade e Direitos: Diálogos com a Comunicação. O evento é caracterizado por debates de eixo transdisciplinar e tem a pretensão de reunir não só a comunidade acadêmica, mas sim todos os interessados nos temas a serem discutidos, para uma troca de experiências em geral e divulgação de conhecimentos.

A temática deste ano girou em torno dos Direitos Humanos e da representação de minorias sociais que lutam para encontrar seu espaço dentro dos ambientes universitários, como é o caso das pessoas transgêneras e dos indivíduos com deficiência. A programação nos três dias do evento foi bastante diversificada e contou com palestras, oficinas, exposição de trabalhos universitários, exibição comentada de filmes e apresentações artísticas.

Sob a perspectiva da pessoa com deficiência, pode-se avaliar que a Jornada Multidisciplinar 2015 trouxe para a comunidade acadêmica o debate sobre a inclusão e a acessibilidade no ensino superior brasileiro, um tema que realmente necessita de maior reflexão neste meio. Emmanuelle Alkmin, responsável pela Secretaria de Direitos da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de Campinas, e palestrante na primeira noite do evento, reforçou que a invisibilidade da pessoa com deficiência ainda persiste em praticamente todas as esferas da vida em sociedade.

Exemplificando esta realidade, Emmanuelle afirmou que, para a mídia, as pessoas com deficiência são vistas apenas como receptoras de conteúdos, e não como produtoras, o que torna visível a exclusão e a falta do espaço de representatividade desse público nos meios de comunicação. A perpetuação de estereótipos midiáticos, como o do “deficiente herói”, contribui para uma simplificação da luta pelos direitos desses indivíduos, não abrindo lugar para outras questões que precisam ser debatidas para se promover a igualdade social.

Na segunda noite da Jornada Multidisciplinar, a Professora Doutora Lucinéa Villela iniciou os debates sobre acessibilidade falando sobre a sua própria experiência como docente e as barreiras (como a falta de legendagem e audiodescrição nos conteúdos acadêmicos) que têm observado no acesso às universidades pelas pessoas com deficiência. Também apresentou seu grupo de estudos da Unesp de Bauru, o MATAV (Mídia Acessível e Tradução Audiovisual), o qual coordena e produz conteúdos acessíveis para o público com deficiência, dentro e fora da Universidade.

Dando continuidade às discussões, Sandra Sartoreto, Professora Doutora do Departamento de Educação Especial da Unesp de Marília/SP, mostrou seu projeto de Acessibilidade no Ensino Superior, que tem como objetivo disponibilizar conteúdos acadêmicos acessíveis para democratizar o acesso às universidades ao público com deficiência.

Em seguida, Susana Libório Godoy, da Secretaria Municipal de Cultura de Bauru, comentou sobre os avanços na legislação e nas políticas públicas de inclusão, e também falou sobre sua experiência na Secretaria de Cultura e das iniciativas da Prefeitura da cidade para atender às necessidades de seus cidadãos com deficiência.

A noite do dia 12 teve ainda a presença de Paolla Vicentini, estudante de Psicologia da Unesp de Bauru, que relatou a importância de se ter acessibilidade na universidade, ao usar sua própria experiência de vida com uma deficiência motora adquirida, demonstrando que todas as pessoas podem precisar deste tipo de recurso algum dia.

As palestras mencionadas acima contaram com intérpretes de LIBRAS, e a exposição de trabalhos acadêmicos na manhã do dia 12 teve sessões específicas para a apresentação e o debate sobre acessibilidade, direitos e comunicação. Os filmes exibidos durante a Jornada Multidisciplinar apresentaram a temática da deficiência com vários recursos acessíveis. No dia 13, a Prof. Dr. Lucinéa ministrou também uma oficina sobre Mídias e Acessibilidade, fechando este importante ciclo de trocas de experiências sobre a vida e a representatividade das pessoas com deficiência na mídia e nas universidades brasileiras.

Matéria por Ana Raquel Périco Mangili.

Fonte: Associação de Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear

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