Visita guiada com audiodescrição no cemitério unicipal de Curitiba

“Aqui temos uma entrada grande e alta, em formato de arco, ela é roxa. No topo temos um mural em que Jesus Cristo está representado de braços abertos. Nos murais ao lado temos a representação de dois anjos do Apocalipse tocando grandes trombetas. Há também nos murais laterais imagens de idosos e famílias, representando as almas que são recebidas no céu”. Essa foi a primeira das inúmeras descrições do Cemitério São Francisco de Paula, o Cemitério Municipal de Curitiba, feitas pela historiadora e pesquisadora Clarissa Grassi na manhã do último sábado (17). O motivo da fala detalhada era dos mais nobres: sete alunos do Instituto Paranaense de Cegos (IPC) e do Projeto Ver com as Mãos faziam parte do grupo de 47 pessoas que participaram da já tradicional visita guiada ao cemitério.

audiodescrição no cemitério

A visita começou com uma introdução, ainda na entrada do local, ao lado do portal descrito por Clarissa. A proposta da fala antes mesmo de chegar mais perto “da cidade dos mortos” era acabar com a ideia de que cemitério é apenas o lugar onde as pessoas estão enterradas. Ouvidos atentos ao que Clarissa explicava e descrevia. Foram pouco mais de 30 minutos contando sobre como os sepultamentos deixaram de ser feitos dentro das igrejas e migraram para o cemitério. Entre risadas pelos episódios engraçados da história e expressões de surpresa pelas curiosidades, os alunos entraram no São Francisco de Paula e foram ainda mais surpreendidos pelo que encontraram.

A cada viela do cemitério a atenção era prendida principalmente pela história dos túmulos. Materiais de fabricação, simbolismos e pequenos detalhes em cada parada fizeram com que o espaço fosse ressignificado pelos 47 integrantes do grupo. "Geralmente as pessoas entendem o cemitério como um lugar ruim. A história que a Clarissa conta em cada parada faz com que todo mundo mude o conceito que tinha quando entrou", destaca Laura Kaiser, aluna do Projeto Ver com as Mãos.

audiodescrição no cemitério

Além de todo conhecimento histórico que os sete alunos puderam absorver com as explicações da guia, eles tiveram também o contato direto com os túmulos. Pelo tato os alunos conseguiram diferenciar os materiais usados na construção de cada parte do cemitério – como explicou Clarissa, o tipo de material é um dos indicadores da época de cada construção. As esculturas e placas também foram sentidas na ponta dos dedos dos alunos. Nenhum detalhe passou despercebido. Aquilo que não podia ser alcançado pelas mãos dos alunos foi compreendido a partir da fala de Clarissa, sempre atenta aos detalhes.

"O bacana da inclusão foi ver que muitas pessoas que enxergam também passaram a tocar os túmulos e esculturas. Eles também queriam sentir o que os alunos estavam sentindo", conta Diele Pedroso, coordenadora do Ver com as Mãos. "As descrições nesse caso ficam boas para todo mundo, as pessoas repararam em coisas que nem saberiam que estavam lá se ninguém falasse", completa.

audiodescrição no cemitério

Para o aluno do IPC Luiz Gustavo Moreira, a inclusão também foi uma das partes mais interessantes do roteiro. "A interação que houve entre os cegos e as pessoas que enxergam foi o mais importante dessa visita. Foi a prova de que a inclusão serve para todo mundo, pois todos aproveitaram aquilo que foi passado pela Clarissa", destaca.

Para que a inclusão de pessoas com deficiência visual ocorra de maneira ainda mais eficaz, Diele e Laura são categóricas: é necessário uma mudança de atitude das pessoas. "As pessoas têm que entender que a gente não precisa de grandes mudanças para poder participar, basta que elas estejam dispostas a incluir um pouco mais de descrição e informação", conta Laura.

audiodescrição no cemitério

Para Bruno, aluno do Projeto Ver com as Mãos, a visita já representa um grande avanço na inclusão de pessoas com deficiência. "Poder sair com as outras pessoas e participar das mesmas atividades já é ótimo. Para ter ainda mais inclusão esse tipo de evento tem que ocorrer ainda com mais frequência", avalia.

A interação, mesmo depois de finalizado o encontro, continuou nas redes sociais. Por meio da #PraCegoVer , as fotos da visita tiradas pela equipe da Clarissa foram descritas com detalhes e podem ser vistas por quem utiliza a ferramenta de audiodescrição, ampliando ainda mais a experiência da visita guiada.

audiodescrição no cemitério

Fonte: Gazeta do Povo

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